Capítulo 1 - De menina para mulher

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"Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência."



"Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." -JEAN PAUL SARTRE (1905-1980)










"Ninguém sabe a verdade, mas nunca será tarde

Enquanto um problema for uma oportunidade...

Sei bem porque vieste, há muito eu já sabia

Nem tudo é céu azul e há também melancolia...

Como se você já tivesse perdido tudo

Mesmo se no fundo nunca houvesse tido nada

Despido do escudo e de uma tonelada

Um sentimento agudo, ferida cicatrizada"

(Vitor Isensee - Qual é o Rosto de Deus - Braza - 2017)






A vida não é fácil para a grande maioria das pessoas no mundo e quando Deus me criou pinçou algumas dificuldades específicas, mas ele me deu o bem mais valioso do planeta para mudar tudo isso. Nasci em um dos estados mais pobres do Brasil, Roraima, no extremo norte do país. Como se não bastasse o lugar, Ele, ou algum santo designado para escolher a família em que vamos nascer, me botou em uma com a história bem complicada.

Em 1976, aos 16 anos, minha mãe engravidou de um namorado. Com toda rigidez de uma família humilde e trabalhadora, minha avó e meu avô jamais aceitariam aquela humilhação para a época, ainda mais em local onde a informação e conhecimento dos grandes centros chegava a passos de tartaruga. Resultado disso, minha mãe ficou escondendo a barriga trancada no quarto até o meu irmão mais velho nascer. Quando isso aconteceu ela foi expulsa de casa e meus avós o criaram como se fosse filho deles. Sem terminar nem a quarta série, sozinha no mundo e precisando comer, as opções não são muitas para uma jovem. Com corpo esbelto, minha mãe escolheu trabalhar. Foram 10 anos de cabarés, prostíbulos, tendas, ruas e qualquer outro lugar onde fosse possível transar por dinheiro. Em uma época onde o garimpo ilegal de minérios explodia na região, incontáveis trabalhadores precisavam relaxar após um dia de trabalho duro. Minha mãe era uma das meninas que estavam lá para isso. Em uma das várias cidades do interior, com quilos e mais quilos de ouro e diamantes em suas terras, muitas minas e garimpeiros, minha mãe e meu pai me conceberam em janeiro de 1986. Eles ficaram uma noite, duas, três. Ninguém sabe. Era impossível saber quem era meu pai. Como todo bom profissional em seu ramo, minha mãe tinha alguns clientes fieis que a seguiam para onde quer que ela fosse junto com a rota dourada. Herdei essa política profissional melada dela, sigo a risca e, apesar dos percalços, o saldo é positivo. Sempre digo que há uma diferença básica na prioridade entre homens e mulheres, para nós em primeiro lugar vem o conforto e em segundo o prazer. Para eles é o contrário, os bens estão na vice liderança, a buceta está no topo. É por isso que nós vamos dominar o mundo. Nós temos o que eles querem e só nós podemos autorizar quem vai tocar nela. Umas se dão por amor, outras abrem as pernas por tesão. Não eu, já passei dessa fase há tempos. Comigo é tudo caso pensado. Qual é o próximo passo, aonde quero chegar e quem vai me levar até lá. Evolução da espécie.

O Poder da BucetaWhere stories live. Discover now