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Desespero

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Pelas esquinas nos subúrbios de São Paulo, um adolescente aparentemente apressado, é perseguido pela polícia e sua fuga assusta moradores e turistas que estavam no local. Ele acaba se escorregando no chão e os policiais, percebem que é uma boa chance de pegá-lo. Ao ver que estão se aproximando em meio a barulhos de sirenes, ele rapidamente se levanta.

O percurso dele continua, incansável.

Ao virar-se numa esquina, ele fica inseguro por um instante pra onde ir. Observando uma caçamba de entulhos próximo, decide entrar pra se esconder. A polícia chega na esquina e ao olhar pras duas ruas à frente, fica se questionando entre eles pra onde o jovem deve ter passado.

O delegado Jota encara os policiais, com um olhar sério.

— E vocês, conseguiram pegá-lo?

— Não conseguimos. O moleque é mais rápido que nós, senhor. — diz o oficial.

— Que droga! Da próxima vez que o encontrar, seja esperto do que ele. Não o deixe escapar. Ele rouba facilmente naquele bairro e nunca é pego. Alguém tem que parar esse moleque!

— Ele parece aquele personagem Flash dos desenhos animados. — diz um dos policiais.

— Tá de gozação com a minha cara, né? Voltem pro trabalho agora mesmo! — diz o delegado, se sentindo irritado. — um dia, eu vou pegá-lo! Ele não sabe com quem está lidando. — diz o delegado, bravo, batendo forte na mesa.

O adolescente abre a porta da caçamba devagar e não encontrando nenhum sinal de polícia, sai depressa ainda com a respiração um pouco pesada. Ao chegar numa periferia, ele escuta um dos jovens o chamá-lo pelo nome e cumprimenta.

— Mateus! Vê se não esquece a parada, mano! Vai rolar uma festinha boa no morro e você não pode ficar de fora dessa.

— Eu não sei se vou, mas aviso se der. Tenho que fazer umas paradas em casa. — diz ele, um pouco apressado.

Ao entrar em casa, ele se encontra com a mãe toda embriagada.

— Mateus, é você meu filho?

— Olha o estado dessa casa! A senhora bebeu de novo?

— Não venha se meter na minha vida, não! Se mete com a sua vida e deixa a minha. — ela retruca.

— Essa casa cheira a bebida e a senhora devia parar de beber.

— Pára de reclamar, Mateus. Quem cuida dessa casa: eu ou você, hein? Filho ingrato!

— A senhora não está cuidando nem de si mesma, quem dirá de mim.

— Trouxe algum dinheiro?

Mateus, de boné vermelho, olhos negros, cabelos da mesma cor e caucasiano, tira do bolso um punhado de dinheiro e coloca sobre a mesa. Ela apressadamente, pega as notas e se enfurece de raiva.

— É pouco. Deveria ter pego mais pra gente. Ficou com algum dinheiro? — pergunta ela desconfiada, se aproximando do filho e revistando-o todo.

— Não, mãe! Não fiquei com nada!

— Acho bom mesmo, porque se eu souber que está mentindo, te bato! — diz ela rígida.

Entrando no seu quartinho todo sujo e desorganizado, ele se joga na cama cansado e alguns minutos depois, se levanta e vai até a porta, checar se sua mãe está por perto. Percebendo a ausência dela, ele retira os calçados e pega as notas dobradas em dinheiro e coloca dentro de uma garrafa plástica pet, no fundo de um armário antigo.

"Logo, eu completo dezoito anos e esse dinheiro aqui vai me ajudar muito."

Enquanto ele preenche a garrafa com notas de dinheiro, tem uma lembrança que sempre surge em seus pensamentos: o piano, que estava desenhado na parede.

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