contradições certeiras;

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Era fato que Namjoon era um desastre ambulante, não só com as pessoas, mas com tudo ao seu redor, sim era fato. E era justamente por quebrar pela quarta vez no dia um lápis, que o moreno choramingava agora. Antes que sentasse de novo na cadeira giratória para que pudesse concluir seus cálculos, resolveu consultar o celular. Se assustou quando o relógio do aparelho constatou-lhe dezoito horas em ponto. Passara tanto tempo absorto em seus estudos que nem havia percebido o tempo passar, como sempre. Olhou também quinze chamadas de seu melhor amigo Yoongi e, em outra ocasião poderia achar estranho, mas já sabia que eram apenas exageros do outro.

Decidido que não havia nada importante ali, deu meia volta e sentou-se novamente, descansaria somente nove horas da noite agora. Até lá, ninguém além do Min sentiria sua falta mesmo.

Namjoon era um sujeitinho sucinto. Conhecido na faculdade por sua cara quase sempre fechada - ainda que não fizesse de propósito -, altura avantajada e inteligência incomum, era tratado como um bandido ameaçador, sendo que as pessoas evitavam falar consigo ou por medo, descaso, ou por inveja. E, até poderia sofrer com isso se não repugnasse tanto o contato humano. Namjoon não gostava nem um pouco de pessoas. Falando, comendo, brincando, andando, respirando, vivendo. Não era nenhuma fobia ou doença, só não agradava-se nem um pouco com a companhia de outras pessoas.

Claro que, isso não o impedia de interagir e, ainda que não gostasse dos outros humanos, era até bom demais em comunicação. Se expressava bem e com certeza teria muitos amigos se permitisse que as pessoas se tornassem mais próximas.

É que Namjoon era meio cheio de inseguranças e paranoias, mesmo que sua aparência denunciasse o contrário. Era certo que não deixava transparecer por nada no mundo, nem mesmo quando a situação parecia extrema, querendo lhe induzir ao desespero, mas nunca se abatia.

Gostava de gastar manhãs, tardes e até mesmo noites com livros em mãos; matemática, física, ou seu preferido, filosofia. Amava o sossego e a calma de um lugar tranquilo em que pudesse ler despreocupadamente. Não suportava barulho, tumultos e gritarias. Tinha mais do que aversão, tinha verdadeiro desgosto por esses aspectos.

E era isso que não entendia.

Odiando do jeito que odiava qualquer barulho ou desorganização, não compreendia como havia se apaixonado logo por Jung Hoseok.

Não entendia como tinha caído de amores logo pela própria personificação do barulho; do alarde, do que nunca faz silêncio. Não acreditava meramente na opção de que os opostos se atraem, primeiro porque era compravado cientificamente que quanto mais diferentes as pessoas são mais mínimas são suas chances de socializarem. E, uma vez que com tantas pessoas barulhentas que passaram por sua vida e ele nunca se encantou, essa hipótese era boba demais. Não, não mesmo. Era algo maior, algo além da repulsa de Namjoon com as pessoas, era algo intrínseco, subjetivo. Era algo sobre Hoseok.

Talvez fosse sobre como o Jung era pensativo também, ou como sobre ele parecia gostar de ler pois, ainda que estivesse quase boa parte do tempo rindo e fazendo brincadeiras, sempre possuía um livro debaixo dos braços. Poderia ser também algo sobre como o Jung tinha pensamentos maduros em contraste com sua aparente personalidade infantil, ou como sobre ele não tinha vergonha de defender seus ideais, quem era e o que acreditava. Ou mesmo sobre seu sorriso verdadeiro que era tão bonito e brilhante, ou seus olhos amorosos que transmitiam calor e confiança...

Namjoon sacudiu a cabeça espantando tais pensamentos, era melhor se concentrar. Pensar em Hoseok não lhe levaria a nada.

Porém, ainda que quisesse muito antecipar os exercícios de Cálculo I, quando recomeçou, seus pensamentos acerca de certo sorriso caloroso eram incessantes.

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⏰ Last updated: Feb 01, 2021 ⏰

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Stranger || namseokWhere stories live. Discover now