Sabe, quando chove, sempre me lembro de você, como dizia amar o cheiro de chuva e da terra molhada, como gostava de observá-la em seu trajeto e senti-la em sua pele.
Lembro-me de dançarmos em meio a isso numa uma euforia tão grande, que não nos permitimos pensar em ficar doentes, sem preocupações e medos, apenas eu e você naquele entorpecimento de felicidade.
Memórias encantadoras, mas que hoje são apenas isso. Agora, me pergunto o que eram aqueles segundos de alegria e certa loucura, em comparação às coisas depois. Compensou? Acho que depende para quem você perguntar.
Foram, com certeza, os melhores cinco minutos que vivi, mas desde então, tenho tido dias e mais dias de apatia, em que vejo a chuva cair, indiferente ao nosso destino, daqueles que ela viu ser tão alegres. A chuva me parece terrivelmente fria agora, seus pingos caindo, sem luto por aqueles que viu cair e sem se afetar por aqueles que assistiu em seus principais momentos. Mais do que nunca, aquela água, que antes lavara nossos pecados e preocupações, apenas esconde minhas lágrimas, como único consolo que poderia dar depois de ter me tirado de ti. Acho que não quero esse alento, deixarei que a chuva siga seu caminho implacável, sem ligar para nós em meio a todo seu poderio.
Os pingos gelados que agora caem sobre mim enquanto estou ajoelhado aqui me machucam cada vez mais e a chuva começa a ficar pior. A força com a qual eles me atingem parece ser a de pequenos projéteis, muito diferentes daqueles que nos alcançavam quando estávamos dançando. Aqueles, dançaram conosco, sorriram para nós, nos adulando e aliciando para aquela loucura; rodopiaram e nos acompanharam, mas quando fraquejamos, eles nos atingiram, a empatia de antes, logo esquecida. Traiçoeiros. E agora, eles caem em você com a mesma intensidade, você apenas não pode sentir mais, não onde está.
Agora, apenas a gélida chuva, que me observa com a indiferença calculista daqueles que tem o mundo na mão, pode te alcançar. Sinto em te decepcionar e quebrar minha promessa, mas agora não posso mais ficar ao seu lado e te proteger, terei de me segregar de você e confiar-te aos pingos frios que me expulsam pouco a pouco de meu posto ao seu lado. Mesmo que sua família já tenha me dito várias vezes, que você não mais precisava da minha proteção, me mantenho aqui; talvez por negação ou talvez por teimosia. Sabe, não quero ir-me antes da chuva, demonstrar tamanha fraqueza perante ao que nos abandonou.
Eu ficarei aqui até a chuva traidora passar.
KAMU SEDANG MEMBACA
Chuva.
Cerita PendekEu ficarei aqui, ao lado da sua sepultura, até que a chuva desista e leve seus pingos traiçoeiros embora. Não pude te proteger deles e agora tento me esquivar dos pequenos machucados que eles criam. E, é claro, das grandes feridas que eles sempre re...
