08/09/2021
Na noite do dia 08 os telejornais transmitiam um anúncio de um possível ataque biológico no centro de São Paulo e de outras grandes cidades do Brasil e do mundo, eles diziam o seguinte :
- Acabamos de ser noticiados que as linhas do metrô paulista foram atacadas por um gás, ainda não identificado, por ser durante o horário de pico muitas pessoas foram expostas, não sabemos informar se todos os possíveis contaminados ainda estão nas quarentenas feitas pelo governo do Estado para evitar uma contaminação ainda maior...
Antes que o âncora conseguisse terminar seu texto as luzes da casa se apagaram, ligo a lanterna do celular e subo até a cozinha, o pior não é faltar energia o pior é estar sozinho no escuro.
Não rua todos pareciam preocupados e estressados acho que muitos dos seus amigos e parentes estão naqueles trens.
09/09/2018
Eram 6:35 da manhã, me troquei e comi um sanduíche na sala, eu gostava quando meus pais viajavam e levavam os menores com eles, assim ficávamos apenas eu e Dener com toda a casa para nós dois.
O bom de morar na capital de São Paulo e que tudo e muito próximo desde mercados a escolas.
Em um dia comum e calmo o percurso casa-escola era feito em dez minutos, mas com todos esses carros,ônibus e motos era difícil andar nas ruas.
Na escola o número de alunos era inferior se comparado a um dia qualquer, acho que não chegava a casa dos 100, muitos deveriam estar voltando pra casa e acabaram presos na quarentena ou apenas preocupados. Acho que meus pais não viram o jornal ontem nem hoje, já era pra um deles ter me ligado e feito um questionário sobre onde e como eu estava.
Com uma quantidade reduzida de alunos e professores a coordenação decidiu nos deixar livre durante todo o dia letivo.
Às 8:12 foi anunciado que as pessoas isoladas quebraram o bloqueio e a barreira feita pelos guarda e saíram da estação, neste momento toda a escola estava quieta, a necessidade de informações era coletivo.
Na minha sala se juntamos na mesa do professor para acompanhar por um celular as imagens do helicóptero.
Em um ângulo superior conseguimos identificar a estação mais próxima da nossa escola cerca de quatro quadras daqui, bombas de efeito moral foram disparadas contra os que perfuravam o bloqueio, mas eles não pareciam se incomodar, guardas foram atacados por alguns dos fugitivos que batiam e amassavam seus capacetes como uma folha de papel comum, o repórter se deu conta de que ainda mostrando aquela cena mórbida e trocou o ângulo, mostrando agora uma correria intensa dos que antes estavam ajudando e procurando informações sobre seus parentes corriam dos fugidos que avançavam e massacraram todos em seus caminhos.
- Eles vão entrar na escola. - o professor disse como se saísse de um transe.
- O que fazemos ? -um colega pergunta.
- Trancamos tudo ou morremos.
Sem esperar qualquer resposta ele corre para fora da sala indo em direção a diretoria, com os pés em terra novamente decidi ir atrás apenas um não iria conseguir trancar todos os portões.
- Precisamos ajudar ele! - Paula fala com autoridade.
- Rápido não podemos demorar a estação e aqui do lado.
Eu e mais alguns alunos do segundo ano vamos atrás dele para tentar ajudar.
A diretora solta as chaves do molho e entrega individualmente para conseguirmos a tempo, Eu fico com a chave da garagem.
Por ser na lateral da escola e dar acesso a uma grande avenida o portão e pesado e bem resistente, já não sei quanto tempo passou e eu ainda continuo empurrando essa droga.
O trânsito da avenida estava parado e os motoristas revoltados xingando uns aos outros e apertando sem cessar a maldita buzina, do final da avenida algumas pessoas abandonaram os carros e começaram a correr entre carros e motos não consegui ver o motivo, mas meu subconsciente já me alertava, minhas tentativas de empurrar o portão eram um fracasso e o barulho da destruição se alastrava cada vez mais agora as os carros perto da escola tentavam fugir por ruas de acesso ou abandonando seus carros e indo a pé.
A Palma das minhas mãos estavam vermelhas e quentes de tanto esforço, paro de empurrar quando um jovem e empurrado contra uma parede e parece ter se ferido, com o último resquício de bondade que ainda eu tenho corro até ele é tento ajudar a se recompor, ele me estendi a mão eu pego, coloco seu braço por cima do meu ombro e juntos voltamos para a escola, ele se apoia em uma perna e com duas pessoas empurrando finalmente o portão está trancado.
Depois de garantir que estava seguro eu volto para sala da coordenação e faço um gesto com as mãos indicando que ele devia me seguir.
Parado na porta da coordenação pego meu celular e ligo para Dener:
- Me diga que estava dormindo ?
- Até uns minutos atrás sim, acordei com uma gritaria na rua, o que foi ?
- Vai ver se os portões estão trancados, e eu te falo o que aconteceu.
- Estou descendo.
- Parece que aquele ataque biológico fez algo terrível nas pessoas e agora elas atacam e matam uns aos outros, não sai de casa, feche janelas e portas e deixe o Dominick no mesmo cômodo que você.
- E um ataque zombie?
- Não eles não comem a carne nem mordem.
- Como vou sair daqui ?
- Espere três dias, quando tudo se ajeitar e eu vou buscar você e Dominick.
- E como vou saber se você está vivo?
- A energia vai demorar para cair.
- Vou colocar meu celular pra carregar durante a tarde e te ligo uma vez por dia até te buscar! Não saía antes.
- Eu vou esperar.
O cara que me ajudou ficou me olhando todo o tempo em que eu falava ao telefone, não é hora de perguntar nada para ele.
Dentro da coordenação estão todos os alunos da escola e professores, quase não tinha espaço para todos, mas o importante era ver e ouvir tudo que o repórter falava:
- Não sabemos dizer a situação dos outros países atingidos mas o nosso está em ruínas, 24 das 26 capitais foram atacados e o que aconteceu no metrô de São Paulo aconteceu com elas, não sabemos dizer quem planejou ou qual país é um traidor. - ele faz uma pausa e tenta ler o script de novo.
- Pedimos para não sair das suas casas e que aguardem informações.
Alguns saíram da sala com os celulares em mão acho eu que tentando falar com seus familiares, se vamos ficar aqui dentro precisamos nos ajustar e nos preparar para qualquer coisa, e começando com “será que eles podem contaminar terceiros e de que forma?”.
Os professores estão meio aéreos com tanta coisa acontecendo e com uma responsabilidade ainda maior do que lecionar, garantir nossa segurança dentro dos muros da escola que agora seria nossa “casa” por tempo indefinido.
O menino sem nome me seguia para todos os lados, tenho que ver de onde ele é o que aconteceu com ele, puxo sua mão e vamos até o segundo andar onde fica alguns laboratórios e salas.
- Preciso saber tudo sobre você, de onde vem? como se chama? e o que ta fazendo aqui?
- Meu nome é Eder.
1.217 palavras
JE LEEST
Sobreviva ao Caos (Romance Gay)
SciencefictionO que fazer quando tudo que você conhece muda? Quando o caos toma conta das ruas de São Paulo, um grupo de alunos refugiados dentro da escola vão tentar sobreviver a qualquer custo. Hormônios a flor da pele e a adolescência interrompida tomar ce...
