Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Véu

18 0 0
                                        

Sentia meu corpo gelado e pesado, não via nada além de uma grande imensidão negra.

Me debatia contra o nada, gritava por socorro em puro desespero, tentava agarrar algo ou alguém. O medo passava pelas minhas veias em uma velocidade extrema, contudo, minhas tentativas iam em vão, pois não mexia um músculo e nenhum som saída da minha boca, a única coisa que parecia acontecer naquele momento era o medo possuindo cada parte de meu corpo.

Mas o que exatamente eu teria medo? Solidão? Morte ? Bicho Papão? Ou a mim?

Quem exatamente sou eu? Qual é o meu nome? Porquê não me lembro de nada? Onde estou?!

------

Escuto ao fundo batidas fortes, estrondos para ser mais específica, que a cada momento parecia ficar mais e mais próximo. Ao sentir a vibração forte dos estrondos ouço por sua vez uma voz infantil ao fundo, não faziam sentido, não conseguia entender o que a criança dizia. Aos poucos a voz se calou, e logo, substituída por gritos que parecia de dezenas de pessoas.

Abro os olhos e a primeira coisa que vejo são as estrelas, tento me levantar mas meu corpo parece fraco demais, o mesmo está encharcado e cheio de arranhões. Ainda a procura de ferimentos mais graves percebo que estou a beira de um rio, sozinha em uma silenciosa floresta, que por sinal parecia densa demais. Levanto com dificuldade e ajeito o que parece ser um vestido de noiva em meu corpo, alguns metros a frente vejo um véu que deduzo ser meu. Manco em direção do rio e procuro meu reflexo, olho para água e lá está ele, um rosto. Um rosto totalmente desconhecido, minha pele é pálida, meu cabelo e meus olhos são negros como o céu dessa noite, meu olhar parece
perdido, minha boca roxa por causa do frio parece esconder algo. Dou uma última olhada no reflexo e volto pra o gramado, meu pés descalços estranham o toque grama.

"Sinto frio, posso morrer a qualquer momento."- É o que eu penso a todo estante. Não consigo pensar em mais nada além disso, pois tinha medo de entrar na floresta e ser morta por algum animal ou simplesmente ficar mais perdida do que já estava. Meu corpo já estava cansado, fraco demais para andar, não consegui fazer uma fogueira descente que me deixasse  aquecida, só assim conseguiria sobreviver do frio. Cada respiração faz meu corpo tremer e temer o pior. Olho mais uma vez para a floresta e tento criar coragem para adentra-la mas só de pensar em tal opção sinto náuseas é dores no peito, minha visão fica turva e meu corpo se rende a qualquer esforço que eu tente obriga-lo a fazer. A última coisa que sinto é minha cabeça batendo em um pedra.

Acordo dessa vez em uma cabana de madeira muito bem aquecida, onde estou enrolada por cobertores e uma decoração rústica. Meu corpo continua fraco e sinto fome mas o frio não está mais presente ali, o que me deixa um pouco mais tranquila, gostaria de ficar para sempre, contudo o único jeito de eu estar dentro dessa cabana é que alguém me tirou do frio é me colocou no conforto. A questão é: "devo confiar, ou não?".

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Jul 30, 2019 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Chamas do Inferno Histórias para pegar e não largar. Descubra agora