Capitulo 1

95 1 0
                                        

Sábado, 10:35 AM

Nuno- Bom dia Vicente.

Vicente- Bom dia para ti também Nuno, posso saber onde é que andaste?

Nuno- Tu nem imaginas.

Vicente- Nem quero, sabes bem que se o padrinho sabe que não dormiste em casa, estás frito.

Nuno- Só foi uma noite, ele não vai dar por ela.

Vicente- Sabes bem que hoje á noite temos escala nos bombeiros e estas a abusar, o teu corpo não vai aguentar sem descanso, Nuno.

Nuno- Já pareces o padrinho a falar, relax.

Vicente- Só não quero...

Nuno- Bufff não vais começar certo?

Vicente- Vou correr.

Nuno- Mas nós temos que falar, aconteceu...

Vicente- Falamos mais logo, tchau!

Às vezes o meu irmão não é consciente das atitudes dele, mas agora fiquei com intriga de saber o que aconteceu.

Normalmente corro pela vila, mas hoje apetece-me fazer um circuito diferente, irei pelo parque da vila. Ainda tenho aquela sensação de que hoje é um bom dia para viver, ainda tenho aquela energia da manhã, uma sensação estúpida mas ao mesmo tempo realmente diferente.

Sábado, 18:50 PM

O meu irmão e eu estamos a ir para o quartel, ele está tão esquisito, noto um ar cansado, nem parece dele.

Vicente- Estás bem?

Nuno- Sim, está tudo OK.

Vicente- De certeza?

Nuno- Claro.

Vicente- É verdade, de que querias falar?

Nuno- Ah isso... Conheci uma rapariga ontem à noite.

Vicente- Ah sim? Aposto que não sabes o nome dela.

Nuno- Esse é o problema, nem sei se ela é daqui.

Vicente- Então não a conheceste...

Nuno- Esquece. Tu é que devias começar a marcar terreno, maninho, quase 19 anos e mal deste um beijo a uma rapariga.

Vicente- Deve de ser mesmo isso.- Sorri.

Eu como já tinha dito ter uma namorada não está mesmo em minha mente, as últimas três que tive se estive mais de duas semanas com elas já é exagerar.

Quando cheguei ao quartel dos bombeiros, deixei tudo no meu cacifo, troquei de roupa e subi para a sala de "pique", onde tem uns sofás e quando não temos serviço de emergência nos sentamos a falar, ver televisão, ou até mesmo estar no computador.

Até agora tudo por aqui está tranquilo, não tivemos chamadas e é um daqueles dias que não somos muitos. Por um lado é bom, por suposto que sim, mas sem chamadas tudo se torna mais aborrecido.

(Sirene)

Acho que falei cedo demais, a final sempre temos que sair. Tivemos uma chamada emergente para um acidente e pelo que disseram na rádio, eram duas adolescentes e quatro adultos.

Vicente- Se sentires dores aperta a minha mão, vá lá. Como é que te chamas?

Nota-se que ela está a sofrer, não deve de ter mais de 17 anos, está presa entre os dois assentos, tem um ferro espetado na barriga, podesse dizer que não vai ser nada fácil tirar-la daqui. A outra adolescente deve de ter uns 25 anos não tem nada de grave. Dois dos adultos já foram transferidos para o hospital, os outros dois estão assimilando o sucedido junto à polícia.

Patricia- Chamo-me Patricia.

Vicente- Tens um nome porreiro Patricia, agora se sentires dores aperta a minha mão está bem?

Nem acredito que disse porreiro num momento de pressão.

Patricia- Ela está bem?

Vicente- Ela quem? Estas a ir muito bem pequena.

A cara dela não me era nada estranho.

Patricia- A minha prima a Flavia, ela está bem?

Vicente- Sim, ela já foi para o hospital, vai correr tudo bem. Diz o que sentes.

Patricia- Apenas consigo respirar, dói-me a cabeça e tenho a sensação que vou...

Vicente- Eu vou te tirar daqui, prometo, continua a falar comigo, não podes perder as forças.

Patricia- A minha mãe sempre diz que o prometido é devido.

Eu não sei se vou cumprir com a minha promessa ela está muito fraca e perdendo muito sangue.  Enquanto eu falo com ela, os meus companheiros estão a tirar a parte de cima do carro para poder mobilizar melhor.

Vicente- Bem dito o que a tua mãe te diz. Agora diz me para onde ias.

Patricia- Não sei, eles iam fazer me uma surpresa, eu acabei de ganhar um concurso de dança.

Vicente- Bom vamos-te levar para o hospital.

Patricia- Vais vir comigo?

Vicente- Vou.

Ela continua a perder muito sangue, a Susana, a bombeira que vai comigo e eu estamos a fazer o que podemos mas ela cada vez está pior.

Susana- Vicen, ela vai acabar por desmaiar, cada vez está pior e os olhos dela estão virando branco.

Vicente- Paty por favor, fica comigo.

Patricia- Quando era pequena, os amigos do meu avô chamavam-me i...is...isso.

Ela tentou rir mas o corpo dela não lhe permitia nenhum tipo de movimento, estava como se lhe estivesse a fazer pressão com as dores que ela sentia.

Susana- Vicen? Vicente?  Estás bem?

Vicente- Estou sim, desculpa.

Susana- Pressão na barriga já! Um minuto e chegamos.

Ela acabou por desmaiar,  perdeu a consciência. Mas agora a vida dela está nas mãos dos médicos do hospital.

"Love or Die"Where stories live. Discover now