1994

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Maria

Eu morava na comunidade de Paraisópolis, todos me conheciam e nunca tive problema com ninguém, até o dia 15/02/1994.
Acabei me envolvendo com um rapaz muito lindo ele se chamava Kléber, depois de indas e vindas resolvemos ajuntar as meias...
Ele já não era o mesmo, chegava tarde em casa, sempre com cheiro de bebida e marcas de batom em suas roupas.
Desconfiava que ele usava drogas, mas nunca cheguei a perguntar, teve um dia que eu me cansei, lembro como se fosse ontem dia 25/11/1995. Eu saí sem rumo entre um beco e outro eu conheci alguém Murilo, lindo, charmoso, cheio de tatuagens, corpo atlético, cheiroso, alegre e com um papo legal. A gente saia escondidos ninguém podia saber.
Até que um dia estavamos conversando e ele simplesmente me atacou eu disse que não queria, mas ele não deu ouvidos.
Cheguei em casa com as roupas rasgadas, me sentindo usada, suja. Fui direto para o banho, fiquei horas embaixo do chuveiro querendo entender o porquê.
Meu marido chegou e eu fingi que estava tudo certo, afinal ele não podia saber, mas eu sei que no fundo eu devia contar.
Ele chegou com uns papéis dizendo que era pra mim assinar que estava se separando de mim, que tinha outra família.
Meu chão sumiu, eu gostava dele mesmo com todos os seus erros. Enfim nos separamos, eu continuei na casa, minha vida estava normal até eu descobrir que estava grávida.
Eu chorei muito, descobrir que vai ter um filho fruto de um estrupo não é fácil para ninguém.
Eu tentei procurar Murilo e contar tudo... Mas foi em vão ele mandou eu abortar, mas não fiz isso, não era certo.
Tive várias complicações na gravidez, diversas vezes desmaiei na rua. Enfim chegou o dia de ver a minha linda Maia.
Estava eu lá sozinha na sala de parto, quando não vejo mais nada. Ouvia uns bipe, mas não consegui olhar até que ouvi um chorinho, delicado, eu só queria ver o rosto da minha linda Maia.

Destino?Where stories live. Discover now