Meia lua

250 12 0
                                        

3,2,1... Feliz ano novo!

Os fogos de artifício coloriram o céu escuro da noite e finalmente o ano virou.

- Feliz ano novo, Helena! - a voz de Teresa era quase inaudível na multidão de pessoas que se abraçavam e brindavam ao redor no salão. Ela olhava para mim com um copo de champanhe levantado. Levantei o meu e brindamos.

-Feliz ano novo! - eu disse tentando fazer com que ela me escutasse.

- Precisamos achar o pai e a mãe. - ela disse.

Fiquei na ponta dos pés e olhei por cima da multidão. No fim do salão da mansão iluminada e enfeitadoa, estavam meus pais cumprimentando as pessoas em volta - todos incrivelmente bem vestidos. Teresa usava um vestido vermelho de renda decotado e que se arrastava no chão suficientemente para fazê-lo ainda mais elegante. Eu apenas usava um vestido todo branco com uma faixa rosa na cintura e uma coroa de rosas brancas. 

- Estão ali. - eu disse.

Abrimos caminho na multidão e tentamos passar pelas pessoas. O problema não era ter pessoas que eu não conhecia - já estava acostumada com as festas que meus pais davam e que eram compostas maioritariamente por seus amigos ricos ou empresários famosos -, mas sim porque daquela vez havia muita gente. "Nunca mais concordo com Teresa dela organizar as festas da mansão", pensei. Nos últimos meses, ela tinha se colocado a frente da organização da festa de ano novo e, como resultado, haviam mesas por todos os lados, luzes prateadas no grande quintal e uma tenda gigantesca na qual músicos tocavam alegremente. E o reflexo de toda essa festa estava no mar que beirava a nossa mansão. Decidi sair do salão e ir para lá. Abracei meus pais, desejei feliz ano novo e anunciei que ia descer para a praia e logo voltaria.

A beira do mar estava vazia. Fechei os olhos e finalmente respirei o ar que a água trazia e senti o vento acolhedor e confortável. Coloquei meus pés na água e os deixei afundarem com a maré. Aquilo trazia uma paz que eu não conseguia explicar e por aquele momento, agradeci por estar ali.

Quando abri os olhos e olhei ao meu redor, percebi com espanto de que havia um menino olhando para o mar bem ao meu lado. Com meus pés ainda presos sob a areia, na tentativa de andar para me afastar dele, cai.

Minha queda chamou sua atenção e ele me encarou curioso com os olhos de meia lua. Ainda no chão, tirei meus pés da areia e tentei me levantar, mas tropecei e cai na água de novo, molhando todo meu vestido e meus cabelos.

Me levantei depressa. De canto de olho podia perceber que o menino ainda estava ali, parado, me olhando com as sobrancelhas unidas, e para piorar tudo: meu vestido era inteiramente branco, ou seja, ele agora estava transparente.

- Você precisa de ajuda? - ele perguntou.

- Não, não, obrigada. - eu disse enquanto sentia meu rosto ficar quente e cobria meu corpo com meus braços. Me apressei para sair dali.

Quando eu já tinha andado uns cinco passos, senti alguém tocar minhas costas. Olhei para trás e o mesmo menino segurava em minha direção um casaco. Percebi que era o casaco que ele estava vestindo antes.

- Não precisa! - eu disse enquanto gesticulava com as mãos. - agradeço muito, mas não precisa.

Ele não se mexeu e continuou com a mão levantada. Me perguntei se ele não havia entendido o que eu dissera. Desisti e peguei o casaco. O vento em meu corpo molhado me fazia começar a tremer  e assim que pus seu casaco o frio passou quase instantaneamente e um cheiro doce subiu em meu nariz.

De repente, senti algo tocar em minha cabeça, e, quando levantei os olhos, vi os braços do menino estendidos em minha direção e senti novamente a minha coroa de flores, a qual eu nem havia percebido que não estava mais lá. 

Lindo DestinoStories to obsess over. Discover now