{ Começo de tudo }
- Senhor Roberto a gente está tentando de tudo para que sua sobrinha se expresse, mas até hoje ela não falou nada. Estou ficando preocupado, pelo tanto de médico que ela já passou e continua sem avanço algum. - Diz meu psicólogo desanimado de tentar me ajudar. As vezes fico triste por não me abrir e tentar ajudar ele, mas não é uma coisa fácil para mim, nunca foi, não desde que minha mãe morreu.
- Tudo bem senhor Oliver, eu agradeço pelo esforço que tem tido para ajudá-la, minha sobrinha é cabeça dura mesmo. Desde que a mãe dela morreu ela ficou assim, não fala com ninguém, não sorrir, não fala um aí se quer.
- Eu entendo ela senhor Ricardo. É triste perder alguém que a gente ama ainda mais uma pessoa bem próxima. Mas acredito que na hora certa ela vai dar um sorriso. - Finjo um sorriso tímido ao menos para agradece-lo já que não falei nada com ele.
- Está aqui o dinheiro das consultas doutor, muito obrigado novamente pelo esforço.
- Magina Ricardo, obrigada você. E Maggie meu anjo, tente se ajudar, só você mesma pode fazer isso. O máximo que nós psicólogos podemos fazer é ouvir vocês, e fazer vocês mesmo se auto ajudarem. - Balanço a cabeça em afirmação, somente para ele saber que entendi.
- Estamos indo lá, obrigada senhor Oliver. - Saímos do consultório, passo pelo corredor e ao lado vejo uma garota sentada sozinha esperando alguma coisa. Ela me nota e vejo seus lindos olhos vermelhos e inchados. Não sei porque mas algo me chamou atenção naquela garota.
- Maggie você quer comer alguma coisa? - Pergunta meu tio Roberto.
- Não, estou sem fome tio.
- Tem certeza disso Maggie? Não comeu nada desde ontem a noite, a não ser aquele pedaço de pizza.
- Tenho tio Rober, eu não como muito. - Esse é o meu tio Roberto irmão da minha mãe. Ele foi o único que quis ficar comigo depois que ela morreu, eu sei que às vezes é muito difícil pra ele ter que cuidar de uma pessoa tão complicada como eu. Não falo quase nada, não saio, então até aí tudo bem.
- Está tudo bem com você então?
- Está tio.
- Ta bom. Vamos pegar o ônibus e quando a gente chegar em casa eu tenho uma coisa pra te contar.
- Humrrum! - Respondo. Ou pelo menos acho que respondi.
O ônibus chega e logo avança o sinal, ao chegar uma três ruas antes da minha à visto um lindo rapaz vestido de calça branca sapatos brancos e uma blusa preta tipo v. Ele senta duas cadeiras a minha frente mas em seguida uma moça de longos cabelos pega sua bolsa e sento ao seu lado.
Voltando a realidade dessa minha vida, começo a desanimar ao lembrar que existo!
- Maggie, seu tio conheceu uma pessoa e hoje a noite ela vai jantar comigo, e ela quer muito te conhecer, ela é médica nos conhecemos num evento semanal do meu trabalho. - Meu tio sabe que sou uma pessoa muito reservada, e quando ele quer me pedi pra marcar presença, ele tem o jeitinho dele que sabe me conquistar.
- Tudo bem tio, eu vou ficar com vocês. Preciso ir arrumada? - Pergunto já esperando ele dizer que não, "Odeio me arrumar".
- Sim minha sobrinha. Além dela teremos o filho dela, bom eu ainda não conheço ele então, a gente vai conhecer ele hoje a noite. - Ferrou tudo, já não basta ter que falar com uma, agora tem o filho dela.
- Ta bem tio, vou me arrumar.
- Obrigada Maggie, o tio te ama muito minha pequena. - Volto ao meu silêncio de sempre. Chegando a nossa casa, meu tio abre a porta e dar de cara com um pequeno sapo na porta.
- Que putaria é essa? Acho que agora minha casa virou zoológico. Cada dia que abro minha porta é um animal dentro da minha casa.
- Ontem foi um gato preto, e agora esse bixo nojento aí. - Falo olhando para o sapo.
- Bom Maggie vou preparar a comida enquanto você vai se produzir.
- Sério mesmo tio? Eu preciso disso? Não acha que sua sobrinha já é linda de nascença não? - Falo brincando com ele.
- olha, ela ficou com senso de humor de uma hora pra outra? Risos.
- Ah, para tio. Não é sempre que sou séria ou calada assim.
- A não? Me diz um dia em que você riu de verdade Maggie.
- Bom...
- Viu? Você nunca riu de verdade meu bem. Agora vá se prepar que vou cuidar do nosso jantar.
- Ta bom tiu master chefe. - Subo as escadas que dão acesso ao meu quarto e abro a porta. De cara pego meu celular e deito em minha cama, olho minhas redes sociais e vejo nos feeds de notícia a foto do Lucas, meu ex namorado com minha antiga melhor amiga. Eu não consigo entender onde foi que errei pra ter uma vida assim, perdi minha mãe há três anos atrás, fui traída pela minha melhor amiga, a pessoa que eu tanto amei me trocou por ela. Eu realmente não sei o que fiz para merecer isso tudo.
Desligo meu celular e ponho no carregador. Separo uma calça jeans preta, e uma blusa de manga comprida cinza. Tomo um delicioso banho e me troco, tento me arrumar o melhor que posso, pelo menos hoje para agradar meu tio. Solto meus cabelos, passo um batom marrom, faço uma make simples e coloco meu óculos de grau.
-Maggie, posso entrar? - Meu tio bate na porta.
-
Pode tio.
- Nossa, você está linda Maggie. Aqui pra nós, você se parece com ela, sua mãe.
- Obrigada tio. Ela era muito linda mesmo.
- Verdade Maggie. Você me surpreendeu em minha pequena linda.
- Tio, não começa não sou pequena.
- Desculpa pequena. Risos.
- Pirracento. - A campainha toca e ele fica nervoso.
- O que achou de mim? Minha sobrinha que não sabe nada de moda. Risos.
- Está lindo tio, agora vá abrir a porta se não a moça vai ficar congelada lá fora.
- Ta bom Maggie. Me deseja sorte.
- Boa sorte! - Ele desce as escadas e vai em direção a sala. Fico pensando no que falar, sou muito tímida em questão de conversar com as pessoas. Demoro um pouco para descer, deito na cama e novamente abro meu celular. Mais uma vez logo vejo a foto do Lucas com a Valéria. Desligo novamente com raiva o meu celular e sinto uma gota de lágrima rolar sobre meus olhos. Não acredito que ainda sinto falta do Lucas, ele foi um covarde em ter me traído, mas mesmo assim eu o amei.
- Maggie meu anjo você não vai descer? - Grita meu tio das escadas a baixo.
- Vou sim tio, já estou descendo.
- Ta bom pequena. - Seco meus olhos e passo um pouco mais de pó no rosto para disfarçar. Feito isso, desço as escadas devagarinho como se não quisesse chegar. Ouço meu tio contando suas infames piadas sem graça para a moça e a mesma morre de dar risada. Só não ouço a voz do filho dela.
- Maggie meu amor, essa é a Paola. Paola essa é minha sobrinha Maggie a que eu te falei.
- Nossa você é linda Maggie. Prazer em conhecê-la, sou Paola. - Ela me comprimenta e volta a se sentar na mesa.
- Sou Maggie, prazer em conhecê-la também. - A comprimento e sento em meu lugar de sempre.
- Ricardo sabe para onde o Henrique foi ? Eu acabei indo ao banheiro e quando voltei ele não estava mais aqui dentro.
- Ele está na porta ao telefone.
- Maggie minha querida pode fazer um favor pra mim? - É vem querendo me fazer de empregada já. Penso em falar, mas na falo. Não seria tão desaforada assim.
- Sim.
- Pode ir lá fora chamar meu filho Henrique pra mim? Se não a comida vai esfriar.
- Tá, pode deixar dona Paola. - Levanto da mesa a caminho da porta, quando abro me deparo com o mesmo garoto de branco que estava no mesmo ônibus que eu. Caminho para mais perto dele, morta de vergonha congelo, pois esqueci seu nome.
- Melina por favor não faz isso comigo, eu te amo muito. - Ouço ele chorando e logo imagino o que tenha acontecido.
- Quem é você? Por que estava ouvindo minhas conversas? - Ele me olha com o rosto cheio de lágrimas.
- Lo siento, eu não queria ouvir você chorando. Eu só vim te chamar porque sua mãe pediu.
- Tudo bem, está desculpada.
- Você vai entrar? - Pergunto.
- Não estava muito afim, mas vou.
- Ta. - Saio na frente o deixando atrás. Não consigo acreditar que aquele garoto lindo de hoje mais cedo está em minha casa e é o filho da mulher que meu tio está conhecendo.
- Então Maggie?
- Ele já está vindo, só estava tentando tirar um sisco do olho. - Invento uma mentira para livrar a pele dele.
- Obrigada meu anjo, você é um amor.
- De nada. - Ele entra e logo em seguida começamos a comer. Até que eles são bem legais, fizeram me rir por dentro, não gosto de demostrar emoções.
- Maggie e Henrique, temos uma coisa pra falar a vocês. - É vem bomba.
- Vamos falar juntos Paola.
- Ta bom.
- Nós decidimos que vamos morar juntos.
- Oi? Não entendi. - Finjo está surpresa.
- Nós decidimos morar juntos.
- Nossa mãe, que legal, parabéns para vocês. Bom saber que seu único filho sempre sabe as coisas por último.
- Filho calma, não é bem assim. Nós estamos contando agora.
- É, estou vendo isso.
- Nós também decidimos que vamos morar no Rio de janeiro.
- O quê? Vamos ter que nos mudar? Tio, isso é brinca não é? - Pergunto séria.
- Não Maggie. Não é brincadeira, vamos nos mudarmos. - Fico nervosa com ele e me retiro da mesa.
- Maggie volta aqui agora, a gente não acabou de jantar.
Saio sem falar nada, e sento na calçada de casa. Começo a chorar lembrando de quando sentava com minha mãe nesse mesmo lugar e ela começava a contar histórias sobre o céu para mim. Com raiva, pego uma lâmina que sempre escondo dentro do meu pingente do colar, e começo a cortar meu braço para aliviar minha dor, a saudade, a raiva, tudo aquilo que me faz sofrer...
- Ei, tudo bem com você? - pergunta Henrique o garoto de branco. - Nossa, o que você está fazendo, me dê isso aqui moça.
Ele toma a lâmina da minha mão, tira um lenço do seu bolso e limpa o sangue do meu braço.
- Não faz isso novamente, fiquei assustado agora. - Ele senta ao meu lado e me puxa para mais perto dele. Me abraça e ali ficamos sem dizer nada. Apenas sentindo seu forte peito pulsar rapidamente.
YOU ARE READING
Onde Tudo Começou E Terminou ( Em Andamento)
Teen FictionEu era abusada sexualmente todas as noites pelo meu pai. Minha mãe? Ela nem desconfiava de nada, vivia sempre para o trabalho, Então eu vivia nesse tremendo inferno. Até que um dia cansei e decidi contar tudo que estava acontecendo. Eu me sentia...
