Capítulo I

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            Tudo mudou no dia em que a Mistério S.A não conseguiu revolver um mistério e as criaturas desceram do céu. O mundo se tornou um grande deserto. Quilômetros e quilômetros de um mar de areia que parecia infinito aos olhos de qualquer ser humano que conseguiu manter-se vivo. As casas e prédios estavam abandonados e não se via mais movimento nas ruas. Era o apocalipse.

            A extravagante van azul estacionou de forma desleixada numa rua qualquer do que um dia foi a cidade de Dallas, Texas. Os antigos dizeres Máquina de Mistério agora estavam difíceis de ler com a tintura falha e descascada.

            — Droga. Nos perdemos.

            O motorista da van foi o primeiro a descer, um moço alto e forte. Os cabelos loiros sujos e sebosos pela falta de higiene que precisou se submeter nos últimos dias. Seu nome era Fred Jones e um dia ele foi o líder da famosa empresa de espionagem e investigação.

            Fred chutou o pneu em um acesso de raiva. Estava cada vez mais difícil aguentar aqueles dias e manter a sanidade ao mesmo tempo.

            — Eu falei que deveríamos ter saído da avenida naquele desvio a quilômetros atrás. Mas alguém me ouve aqui? Não, não ouve.

            Daphne Blake desceu logo após dar a bronca. A jovem ruiva possuía uma beleza incontestável, mas estava visivelmente cansada. Cobriu o pescoço com um cachecol verde a fim de proteger a pele do sol escaldante.

            — Norville, venha logo. — ordenou a garota.

            — Já vou, já vou... — gritou Norville da parte de trás da van. — E não me chame mais assim.

            — Tanto faz.

            Norville Rogers abriu as duas portas traseiras da van e saiu em um salto. Salsicha, apelido que adquiriu na adolescência devido a extrema magreza, foi até Fred e Daphne que analisavam o mapa da cidade apoiado no capô da van. Era o mais velho da equipe, mas também o mais imaturo e descompromissado entre os três. Vestia-se de forma desleixada e deixou a barba crescer por meses. Fumava tanta maconha que jurava que seu cachorro conversava com ele em alguns momentos.

            — Onde está o Scooby? — perguntou Fred sem desviar os olhos do mapa.

            — Scooby Doo, cadê você? — gritou Salsicha, que ganhou um olhar torto de Daphne por fazer barulho.

            O dogue alemão de pelagem marrom e pintas pretas exageradas saiu da parte de trás da van. Era um cachorro de porte grande e extremamente magro, mas saudável mesmo dadas as circunstâncias. Correu na direção de Salsicha com um olhar pidão.

            — Desculpe, garoto. — o dono de Scooby ajoelhou-se com uma expressão triste e passou a mão no focinho do cão. — Não temos biscoitos de caramelo pra você hoje.

            Scooby demonstrou tristeza com os dizeres de Salsicha, abaixou a cabeça e foi para um canto qualquer sem se distanciar muito do grupo, mas ao sentir um cheiro forte vindo de longe acabou deixando seus instintos caninos falarem mais alto.

            — Scooby Doo? — Daphne dobrou o mapa com pressa, sem se importar se Fred havia terminado de ver o que quer que estivesse vendo. — Scooby, para onde você está indo?

            A senhorita Blake pegou uma caçadeira deixada no banco da van e então se juntou aos rapazes para seguir o cão. Chegou até o que um dia foi uma loja de conveniência chamada H. Barbera's. Scooby Doo raspava as unhas na porta de madeira com uma intensidade assustadora.

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⏰ Last updated: Mar 20, 2018 ⏰

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