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Prólogo

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O desespero me deixava atônita. Estava cansada. O ar me faltava, as lágrimas escorriam rapidamente por minhas bochechas.

Observei o homem bater em minha mãe, ela gemia de dor, e eu podia sentir. Não tinha forças para fazer nada e muito menos podia fazer algo. Me encostei no canto da parede gélida e totalmente sem cor. Meu joelho estava ralado, ardia.

  —  Mamãe —  A única palavra que consegui dizer.

O homem alta de pele alva, me encarou, podia enxergar em seus olhos a raiva que estava de mim.

—  Quer a sua mãe pirralha?! —  Gritou, me encostei mais ainda na parede, naquele momento aquele lugar estava sendo o meu porto seguro —  Criança estúpida — Xingou- me.

Chorei ainda mais. Tudo o que eu queria era um abraço de minha mãe.

Percebi o estado de minha mãe, ela estava caída no chão, o sangue escorria.

O homem se aproximou de mim, fechou sua mão, fechei meus olhos esperando o seu soco. Mas, ao invés de um soco, ouvi um estalo, abri os olhos percebendo o homem caído e minha mãe com um pedaço de madeira na mão.

Ela correu em minha direção.

—  Está tudo bem? —  Perguntou com certa dor, assenti, abracei minha mãe fortemente.

Ela segurou em minha mão.

Corremos pela rua escura de Novo México, tudo estava deserto, percebi uma pequena igreja aberta, minha mãe olhou para o mesmo lugar.

Continuamos a correr, olhei para trás vendo alguns homens correrem atrás de nós.

O meu desespero aumentou, queria ir para a casa.

—  Quero ir para a casa —  Disse.

Minha mãe e eu entramos dentro de um beco escuro, ela olhou para o céu.

Ouço barulhos de tiros, grito. A mulher me puxou para um abraço, ficamos abaixadas naquele beco. Tranquei os olhos com força.

"Papai do céu, nos proteja, não deixa a mamãe morrer e nem eu. Amém."

Essa foi a minha primeira oração.

Horas se passaram. O Sol estava sorrindo no céu.

—  Papai do céu protegeu a gente.

Minha mãe me olhou, mesmo com dificuldade ela sorriu.

Andamos por aquele beco. Pisei na areia da praia deserta, franzo o cenho.

Mamãe é mágica. Penso.

Chegamos perto de um orelhão.

—  Não saia de perto de mim —  Ordena, minha mãe seguro o telefone e disca um número —  Oi,eu preciso de um táxi…agora mesmo....vou esperar — Ela desliga —  Isso tudo vai acabar — Diz baixinho.

Lembro do homem batendo na mamãe, sinto meus olhos arderam. Não gosto mais do escuro. Minha mãe me abraça.

—  Estou com medo —  Confesso.

—  Acabou, isso nunca mais vai acontecer. Eu prometo.

Abro os olhos. Mais uma vez o mesmo sonho. Tenho o mesmo sonho desde os dez anos. Olho para o teto pintado de várias cores, sorriu. Pintar, eu realmente gosto muito de colorir e desenhar. Me sento em minha cama, olho ao redor, o quarto inteiro colorido. Azul, vermelho, amarelo, rosa, verde, branco, e por aí vai.

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