Meredith sofreu um afogamento e a levaram para o Seattle Grace. Todos tentaram de todas as formas possíveis salvá-la. Mas seu destino já havia sido traçado.
One inspirada na música 'Hold On' do Chord Overstreet.
Bom gente, hoje eu estava ouvindo a música 'Hold On' do Chord Overstreet (quem quiser ouvir, a música é maravilhosa) e decidi escrever. É meio que um one shot, bem curtinho. E TRISTE. Só quero deixar guardadinho aqui. 💔❤
Meu corpo inteiro tremeu quando vi Meredith daquele jeito. Ela estava literalmente azul, seu corpo não reagia. Minha garganta deu um nó, queria gritar, chorar, mas não saía nada.
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Senti o chão sumindo aos poucos debaixo dos meus pés, eu não aceitaria aquilo, não aceitaria perder o amor da minha vida daquela forma. Não me parecia nada justo. Depois de termos lutado tanto pra ficarmos juntas. Ela não iria embora assim.
'Espere eu ainda te quero. Volte eu preciso de você,'
Poucos meses atrás havia me separado de Derek. Foi um divórcio complicado, ele não queria aceitar. Ainda mais quando soube o motivo. Ela era o motivo. Eu estava completamente apaixonada por Meredith Grey. Nada mais me impediria de viver aquele amor.
Nada além do próprio destino. Nada além de alguma força superior que estava me obrigando a sentir meu coração se quebrar em mil pedaços.
Se alguém estivesse enfiando a mão dentro do meu peito, e o arrancando de mim, não doeria tanto. Estavam a arrancando de mim.
'Não consigo imaginar um mundo onde você se foi.'
Respirei fundo e entrei novamente na sala, obviamente não me deixariam ficar ali. Mas usei todas as minhas forças e permaneci. Lutei contra braços fortes que tentavam me levar para fora. Apenas queria ter certeza de que estavam fazendo todo o possível. Apenas queria ter certeza de que não deixariam passar nada. Nenhum detalhe. De que iriam salvar a vida dela. Era tudo o que queria agora.
'Espere ainda preciso de você.'
Eles tentavam reanimá-la de todas as formas. E nada funcionava. Sentia meus ossos gelados, e meu corpo inteiro doía. A levaram para outra sala, ela não se mexia. 'É arriscado! É arriscado!' era tudo o que eu conseguia pensar. Ela não respirava. Estava completamente imóvel. Ninguém conseguia encontrar pulso. Em parte alguma.
Ela teve uma parada. Alguém trouxe o carrinho 'Carrega em 120... Afasta!' 'Carrega em 300. Afasta!', uma, duas, três vezes... não adiantou.
Começaram então a massagear o peito dela, sem parar, por 45 minutos. Ela não reagiu. Nenhum batimento.
Hora do óbito 22:36.
'Eu não quero te deixar ir. Sei que não sou tão forte. Só quero ouvir você dizer: Amor, vamos para casa.'
O barulho das máquinas era ensurdecedor, logo foram desligadas. Mas continuavam em algum lugar na minha mente, continuavam de maneira crescente assim como a dor em meu peito. Mais insuportável ainda. Eu estava presa. Presa em um pesadelo, esperando que alguém me acordasse, esperando que ela me acordasse, que ela abrisse os lindos olhos verdes que se fechavam quando ela sorria. E que eu tanto amava.
'Meredith? Meredith? Por favor...'
Não faça isso comigo. Você não pode fazer isso.
Minha voz era um sussurro.
Peguei na mão dela, estava fria. Assim como todo o resto.
Nos deixaram a sós. Me deixaram ali sozinha debruçada sobre ela, não conseguia encará-la, não conseguia acreditar que não ouviria mais a voz dela, que não sentiria mais o calor de seu corpo no meu. Frio. Ela estava fria. Nada mais tinha cor. Quanta ironia! Um trocadilho idiota passou pela minha cabeça, mas eu não tinha nem forças para tentar sorrir. Como poderia?
Nada mais tinha vida naquela sala. Silêncio. Dor. Eu havia morrido também.
Coloquei minha cabeça sobre o peito dela, rezava e rezava, mas já sem esperança. Deixei as lágrimas tomarem conta de mim em um choro incontrolável.
'Por favor não me deixe!'
Falei sussurrando. Algo dentro de mim ainda me fazia acreditar que tudo aquilo acabaria bem. E que eu teria minha namorada de volta no fim da noite. Ela me esperaria em casa, na nossa cama, com aquele cachorro idiota que ela amava.
As imagens de Meredith correndo no quintal, brincando com Doc, iam e voltavam como um filme em minha cabeça. O sorriso dela naquele dia, era como se nada mais faltasse. Ela estava completa. E eu também.
Nada me importava, nem o que as pessoas falavam, nem quem estava do nosso lado ou não. Eu tinha ela, então tinha tudo. E agora não me restava mais nada. Me sentia vazia.
Ela tinha ido. Não podia mais me ouvir.
Não pude deixar de gritar. Meus gritos eram abafados pelo corpo gelado embaixo de mim. Chorei e praguejei tanto, como nunca antes, estava quase ficando sem voz. Eu tinha que ser forte? Mesmo? Não seria forte o suficiente para deixá-la ir. Nunca.
'Eu estaria tão perdida se você me deixasse sozinha.'
Um pouco antes de assumirmos nosso relacionamento, minha mãe havia morrido. Tirado a própria vida, na verdade. Ela não tinha mais motivos para levantar pela manhã. Tinha perdido o amor dela. E agora eu conseguia entender. Conseguia entender o quão insuportável foi a dor que ela sentiu. Cheguei a pensar que ela tinha sido egoísta, nunca esteve presente na minha vida e agora tinha me deixado daquela forma. 'Perdão, Bizzy. Consigo te entender agora.'
'Volte! Ainda preciso de você.'
Eu dizia na esperança de que ela fosse me responder. Não respondeu.
As pessoas tentavam me tirar dali, mas sem sucesso. Olhava todos do lado de fora da sala chorando. Em silêncio. Aquele silêncio e o motivo dele rasgavam meu peito cada vez mais. Eu não era forte, só pensei que seria.
Algumas horas atrás ela havia me deixado um recado, tudo estava bem. 'Amor, nos vemos a noite, se você chegar primeiro, não esqueça de colocar mais ração pro Doc, ele deve estar faminto. Se cuida tá? Eu te amo. Eu te amo. E sabia que já estou com saudades? Olha o que você faz comigo, futura senhora Grey! Eu te amo.' A voz dela não saia da minha cabeça. Repetia aquele recado o tempo todo, o tempo todo. 'Eu te amo'.Estava tudo bem. Até que todos começaram a voltar para o hospital mas Meredith não. Ela nunca voltava. Nem ao menos atendia o telefone.
'Aqui é a Doutora Meredith Grey, por favor deixe seu recado.'
'Amor, estou preocupada. Por favor, me atenda. Eu te amo. Estou com saudades. E sobre o Doc, me diga, quando ele não está faminto? Eu amo você.'
Tentava, sem sucesso, me convencer que estava apenas sem sinal e que ela estava ocupada demais com algum paciente. Haviam várias pessoas feridas naquele dia. Várias famílias desesperadas por notícias esperando no saguão do hospital.
Inclusive uma mulher grávida, com o rosto desfigurado, que ninguém havia identificado ainda. Era minha paciente e estava me mantendo distraída de todo o nervosismo por não saber onde Meredith havia se metido.
'Me deixe pegar sua mão, vou consertar isso.'
Meu choro ficava mais pesado a cada segundo que passava. Sabia que a hora de sair dali estava se aproximando. Não queria ficar longe dela nenhum segundo. Me sentia culpada por ter ficado em Seattle naquele dia.
'Por favor, não me deixe.'
Me sentia culpada por não ter conseguido salvá-la. Esperei por ela o dia todo, só não esperava que fosse encontrá-la dessa forma. Sem poder dizer o quanto de amor e felicidade ela trazia consigo e o quanto aquilo deixava meu coração mais feliz.