Prólogo: Noite estrelada

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Era uma noite estrelada, de ventos fortes que sussurravam segredos e da lua bailando com sua luz prateada sobre o reino adormecido de Valoria. As árvores sussurravam antigas canções, e o riacho ecoava melodias entrelaçadas com o murmúrio do vento, e na fronteira da capital com a floresta de Trinity, existia uma pequena cabana onde a sua cobertura balançava com a dança das folhas.

Megin estava imersa em sua leitura sobre magia rúnica quando batidas inusitadas interromperam a tranquilidade de sua noite. Desconfiada, mas não surpresa, pois seus parceiros de negócios não consideravam o horário humano relevante, abriu a porta, revelando Misty, uma antiga parceira de negócios.

Misty, que sempre tinha uma expressão de superioridade e desdém, estava com o olhar cansado e a aura pesada. Suas roupas, geralmente impecáveis, pareciam molhadas e rasgadas, e em sua mão, um pequeno embrulho azul se destacava. A voz de Misty ecoou pela entrada da pequena cabana da velha bruxa. "O vento me trouxe até você para realizar um trabalho para mim." Seus olhos, mais brancos do que a neve que coroava o pico mais alto de Valoria, lançaram um olhar pesaroso sobre Megin. A fada estava com um odor forte de sangue, e em seus braços, o embrulho abrigava uma recém-nascida.

Forçando a criança na mão de Megin, que não conseguia disfarçar a cara de surpresa, Misty não escondeu sua desaprovação. "Eu sei que você não faria isso por boa vontade. Nenhum humano faria." Seu tom era uma mistura de superioridade e pesar. "Ainda existem fadas tolas que pensam que um romance com um humano terá outro resultado." Tirando um livro com a capa feita de folhas de papoula de sua túnica, ela acrescentou: "Isso pagará os seis primeiros anos dessa pequena humana e seu total silêncio sobre essa noite."

A bruxa velha não conseguia tirar a expressão de surpresa em todos os seus anos de vida. A anciã nunca tinha presenciado tal tragédia, um bebê híbrido de fada. Megin, pela primeira vez desde a chegada da fada, conseguiu falar. “O meu silêncio não é o problema na situação, e sim como vou cuidar de... de... dessa criança.” A majestosa fada, com um olhar decidido, interrompeu-a. “Crie a criança nos seus termos e com a sua cultura; isso não me diz mais respeito. Essa noite será esquecida nas suas memórias, humana." Com essas palavras, ela desapareceu nas sombras da noite, deixando Megin com a criança nos braços e uma promessa de esquecimento.

Megin olhou para a pequena criança, e esta abriu os olhos verdes esmeraldas, a cor que resplandecia sob o véu noturno de Valoria. A anciã, pela primeira vez em muito tempo de vida, chorou pelo triste futuro dessa pequena vida. As estrelas observavam, testemunhando o início de uma história que ecoaria através das eras, enquanto a criança de destinos entrelaçados cresceria sob o manto celestial de Valoria.

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⏰ Última actualización: Jan 12, 2024 ⏰

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