A minha morte

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Eu tecnicamente era uma garota normal. Cabelos cacheados e negros, olhos castanhos, bochechas rosadas e era simpática. Quando tudo começou eu tinha 15 anos. Eu estava assistindo vídeos e então do nada aparece um anúncio de um site chamado Cleverbot. Por algum motivo aquilo me chamou a atenção e então cliquei. Das caixas de som do meu computador saiu algo bem baixinho parecido com estática, mas eu ignorei. Comecei uma conversar com o site até que sem ter o que falar digitei: "Você conhece alguém chamado Ben?" Eu tenho uma certa fascinação por esse apelido, então foi aí que a estática aumentou um pouco e um arrepio subiu na espinha e me senti observada. Ignorei e li o que o site respondeu: "Sim, sou eu. Você já ouviu falar de Zelda?"

Cleverbot

"Você está me zoando? Eu adoro esse jogo"


"Que bom, eu também."

"Legal, Cleverbot"

"Me chame de Ben. Como você é na vida real?"

"Sou loira"

"Mentira. Você é morena"

"Como você sabe?"

"Eu estou te vendo"

"Prove"

"Você está de camiseta com uma estampa de poodle e uma pantufa de unicórnio"

"Acertou, como sabe?"

"Já disse. Estou te vendo"

"Então venha aqui, Ben"

Terminei desafiadora e o site não respondeu. A sensação de ser observada aumentou e eu passei a sentir uma presença pesada. Olho para trás e só vero um vislumbre de uma camiseta rasgada verde desbotada e manchada de sangue. Minha boca começa a arder e eu começo a me afogar no seco, logo minha vista fica escura e eu apago, ouvindo uma gargalhada psicótica. Tenho um lapso de consciência e com a energia recuperada eu pulo e não sinto mais nenhum peso, tropeço no ar e sinto meu corpo arder apagando novamente.

Acordo em meio de pulsos de energia e cercada de códigos binários e bytes correndo a minha volta.

- Onde estou? - Pergunto olhando em volta.

- Olá, bela adormecida. - Fala uma voz masculina a uma distância considerável de mim. Viro o rosto para o mesmo e encaro aquele garoto. Tinha uma aparência de elfo. Chuto ter uns 17 anos, com cabelos loiros bagunçados e olhos vermelhos com órbitas negras. Em suas bochechas pálidas escorria um pouco de sangue vindo dos olhos.

- Onde estou? - Repito, olhando para o outro lado, encarando de olhos arregalados a figura que estava num telão flutuante a minha direita. Era eu no mundo real, olhos esbugalhados e a boca espumando. No telão abaixo do telão estava o site, no qual a última mensagem era: "Você não devia ter feito isso" - Eu... Estou morta?

- Bingo. Ponto para senhorita. - Ele fala com uma animação estranha.

- Ok. Eu estou no meu computador?

- Dois pontos para a menina esperta. - Ele moveu a cabeça e notei as orelhas pontudas do mesmo. Se eu estou no meu computador eu posso mexer nele, não é? Logo surgiu um teclado a minha frente.

- O-o que? - encaro o teclado e reparo na caixa de texto que apareceu acima do mesmo.

- Olha. Você já sabe mexer nisso. - Ele encara meu corpo morto com um olhar psicótico.

- Ok, senhor elfo. Pode me dizer quem você è? - Digo sem medo, o encarando séria. Ele me olha e pondera alguma coisa por um segundo e depois na caixa de texto aparecem lentamente as letras que formavam as palavras Ben drowned e então lembrei da minha amiga comentando aos suspiros sobre ele. - Ah. Então é você? Por que quis tirar a minha vida?

- Por que você foi uma garotinha insolente, mas sua coragem e sua falta de senso me fez fazer você morrer na hora. - O encaro, mas ele tinha magicamente aparecido a 2 passos do teclado. - Fico surpreso de ter possuído seu computador. Mas agora eu vou pra casa.

- Casa?

- Casa. Eu posso sair daqui se quiser e tenho casa. - Ele me diz ironicamente. Seu tom me trazia uma certa irritação.

- Olha, meu bem. Você não vai deixar eu, uma menina recém morta... - Ouço um grito estridente vindo dos telões. Os olho e minha mãe está na porta do quarto em choque. - Mãe? Mãe! MÃE! AQUI DENTRO!!!

Corro para os telões e passo reto pelos mesmos. Os olhos. Eram apenas projeções semitransparentes. Não vi mais Ben. Droga. Ele foi embora. Minha mãe corre até mim e olha a tela do computador e começa a chorar. Ela murmura algumas coisas, que eu não entendo e depois alguém entra na porta. Eu não tinha pai, então isso era estranho. O cara não tinha rosto e a minha mãe o encara com um misto de tristeza e culpa. Ele assume um ar irritado e some. O que me resta fazer é esperar. Vou até o teclado e procuro alguns vídeos para passar o tempo e coloco os mesmos no telão e no mudo para o mesmo não chamar a atenção, porém aqui havia som. E esperei...

Entre pixelsWhere stories live. Discover now