O encontro no Cassino

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Quarta feira, 19:30 pm.

Hotel Bellagio.

Cassino.

M e l i s s a

Mais uma rodada. Só mais uma.

Sou a única mulher na mesa. Estou indo bem, já recuperei o dinheiro perdido na última rodada, mas o prazer de continuar jogando é muito estimulante.

Respiro fundo e olho para as cartas em minhas mãos, a confiança estampada nos meus olhos e no sorrisinho que carrego nos lábios.

- Eu passo. - o careca da mesa disse, mostrando uma mão de cartas fraquíssima.

- Eu também... - o fortão da mesa completou.

Continuei encarando os demais, há 5 jogadores.

Todos os demais passaram a vez, menos um baixinho usando óculos escuros. Durante todo o tempo do jogo, nós nos encaramos. De todos ali, ele é o mais habilidoso.

- Eu pago pra ver. - ele me disse, colocando todas as fichas na mesa e me encarando cheio de marra.

Respirei fundo e tentei não transparecer que a minha confiança tinha sido abalada. Quem esse anão de jardim acha que é?

Olhei bem pra cara dele, que agora tinha tirado os óculos escuros. Usava um boné que eu não reconheço a marca, provavelmente pra esconder o cabelo cheio de cachos. Portava um relógio de ouro, anéis e cordões. Parecia um cafetão saído diretamente dos anos 70. Vai ver foi o peso das peças de ouro que o fizeram afundar na cadeira.

Percebi que todos na mesa me encaravam, esperando algum movimento.

- Ok. - falei, colocando todas as minhas fichas na mesa, confio na mão de cartas que tenho.

- Me mostra. - ele falou, com um sorrisinho estampado.

Posicionei minhas cartas e as exibi na mesa.

- Full House. - me gabei, olhando diretamente pra ele com uma sobrancelha levantada.

Ele deu uma esbugalhada nos olhos, assim como todos os outros. Sorri largamente, eu finalmente iria conseguir pagar minha dívida com Gutierrez e livrar meu pescocinho de uma morte lenta e dolorosa.

Ergui meus braços e já ia puxando todas as fichas quando o ouvi dizer:

- Calma aí, mocinha. - o encarei. - Royal Flush. - ele disse, mostrando a mão de cartas que possuía.

Minha cara foi no chão. Todos da mesa aplaudiram o Sr cafetão dos anos 70 enquanto ele levantava e puxava as fichas pra si.

Eu engoli em seco e ainda trêmula, levantei da mesa. Sem nem olhar pra trás, sai do cassino em busca de ar fresco.

O ar de Las Vegas estava denso. Mesmo estando noite, a brisa era quente, como se anunciasse uma chuva se aproximando. Acendi um cigarro, mesmo tendo prometido parar de fumar. Eu não acredito que deixei escapar minha liberdade assim! Não aguento mais ser ameaçada por Gutierrez, ele disse que dessa vez não teria perdão... Merda, merda!

Quando percebi tinha terminado meu cigarro. Ao dar minha última baforada, meu celular tocou.

- E aí Melissa? - a voz dele me deu ânsia. - Já posso ir aí buscar meu dinheiro? - ele riu, debochado.

- Erm... Oi...?

- Meu dinheiro, porra. - meus dedos ficaram trêmulos. Pensei em desligar o telefone, fingir que o sinal estava ruim, mas isso só pioraria as coisas.

- Eu... eu... - não consigo pensar em nenhuma desculpa plausível.

- Você não conseguiu merda nenhuma no pôquer, não foi? Sua cadela mentirosa!

- Não, não, não! - eu quase gritei de desespero. - Eu vou devolver seu dinheiro Gutierrez, eu...

- Ah vai? - ele me interrompeu, a voz mudando do sarcasmo para a ameaça. - Então escuta essa, sua vadia: Eu quero a porra do meu dinheiro em 48 horas, tu tá me entendendo? Não vou mais negociar contigo, eu já cansei de ouvir suas merdas! - eu pude sentir a raiva dele através do aparelho.

- Eu... Não vou conseguir, eu preciso de mais tempo, por favor Gutierrez!! - o desespero tomou conta de mim, não quero morrer tão jovem assim. - Eu te peço, me dê mais tempo, eu vou arrumar seu dinheiro, por favor! - implorei, enquanto minha voz embargava. - Tinha um cara na mesa de pôquer, um pato, ele... ele...

"Me venceu e tomou a grana que eu ia te dar." Pensei.

- Eu consigo enganar ele, o desgraçado é rico e todo cheio de si, me dê mais tempo que eu consigo te pagar com juros! - praticamente vomitei as palavras.

Gutierrez não respondeu nada.

- Por favor, eu não estou mentindo, eu só quero acertar as coisas com você Gutierrez, se eu falhar, eu desisto, eu mesma me entrego pra cova.

- Rico quanto? - ele perguntou.

- O quê?

- O quão rico é esse filho da puta que você diz que existe?

Bingo! Ele pegou a isca.

- Rico do tipo que mantém a suíte principal do Bellagio só por diversão.

- O que esse idiota faz da vida? Eu quero nome, endereço, ocupação, tudo sobre esse merda!

- Ok..! - Eu rapidamente concordei. - Você não vai se arrepender, eu prometo!

- Se você não conseguir Melissa, eu mesmo vou atrás de você pra acabar com a sua raça. E ainda mato esse idiota bem devagar na sua frente, que é pra você ver como a sua incompetência em me pagar ferrou com a vida dele! Você me entendeu?

- Em alto e bom tom. - concordei imediatamente. - Quanto tempo eu terei? - voltei a ficar tensa.

- Uma semana. Se você disse que ele é um otário, 7 dias vão ser suficientes, não acha? - ele riu.

Eu não acho nada... não sei nem o que estou fazendo com a minha vida!

- Uma semana. Eu não vou ferrar com tudo dessa vez. Daqui a uma semana eu entro em contato pra você vir buscar seu dinheiro.

- Acho bom Melissa. Não me faça pedir ajuda ao seu pai para preparar o seu funeral.

Ele desligou na minha cara.

Eu tenho 7 dias pra salvar minha vida. 

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Oi! Sou nova no wattpad mas meu amor por escrever é antigo. Deixem-me saber o que vocês acharam, blz?

Um bj

Rafa 

Vingança?Where stories live. Discover now