Capítulo 1

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Quem numca acordou em um lugar completamente estranho, sem ter a menor ideia de como parou lá, não sabe o que estou sentindo.

Acordei a meia hora em uma espécie de elevador e não me lembrava de nada. Na verdade, nada mudou, já que continuo dentro desse local e a única coisa que consigo me lembrar é do meu nome. Minha mente funciona em falhas: variadas informações do mundo passam pela minha cabeça, fatos e imagens. Mas não me lembro de onde vim, quem são meus pais, ou nem mesmo qualquer pessoa que eu tenha conhecido.

O compartimento finalmente estancou, com um solavanco, e eu fui jogada sobre o chão duro. Quando me levantei, percebi que o lugar se balançava cada vez menos, até que parou.

Se passaram mais alguns minutos e comecei a me tomar pelo nervosismo. Procurei uma forma de sair. Não encontrei. Então, decidi esmurrar as paredes.

- SOCORRO! - gritei.

Não me lembro de nada depois disso, só da minha visão ter ficado preta dd repente e de eu ter caído no chão...

- Ei...garota! - um garoto me chamou, cujo o qual não vi de primeira. Só vi uma sombra se movendo, que depois se tornou nítida. Em consequência disso, pude finalmente ver sua face. Ele era loiro e seus olhos revelavam preocupação. Percebi também que eu estava deitada no chão.

- Onde estou? - saí da minha posição anterior e me levantei, percebendo que não estava mais dentro daquela caixa metálica, mas sim em um vasto pátio, muitas vezes maior que um campo de futebol. Era cercado por quatro muros enormes (de mais ou menos cem metros de altura), que formavam um quadrado perfeito ao redor daquele espaço - mas...mas eu estava dentro daquele elevador velho, eu vi!

- Vamos com calma...garota - o louro espremeu os olhos - qual é seu nome?

- Certo, Karen. Eu, Newt, e meu amigo Alby tiramos você de lá. - ele apontou para um rapaz moreno ao lado dele, cujo o qual eu não havia notado.

- Como. Eu. Vim. Parar. Aqui? - as palavras saíram pausadamente e quase soletradas da minha boca.

- É uma longa história...moça - Alby disse - a Caixa chegou cedo hoje, então vou te contar hoje mesmo...de tarde, no Passeio.

- Mas... - tentei protestar, mas Newt me interrompeu.

- Sei que quer saber agora. Mas acredite, você iria morrer de medo, se desesperar. Todos nós já passamos por isso, Clareana.

- Clareana?

- Sim, este lugar em que estamos é a Clareira e chamamos a nós mesmo de Clareanos.

Finalmente tomei coragem para olhar a plátei de garotos que nos observava. Parecia ter 50 a 60 deles, a maioria estava perplexa. Alguns confusos.

- Você é linda - um deles teve a ousadia de dizer.

Alby suspirou.

- Certo, agora é oficial: quem tocar na garota fica sem recreio. E sem comer.

O medo estava começando a ficar estampado no meu rosto e meus olhos ficaram cheios de lágrimas.

- Todos ao trabalho - Alby anunciou, percebendo meu estado.

Newt me virou de frente para ele.

- Não chore - mas isso só serviu para as lágrimas descerem.

- Que mértila! - rugiu Alby para o louro - que plong acha que está fazendo?

Chorei ainda mais.

- Parabéns, cara de anão - Newt zombou - assustou ela ainda mais.

Lá nos cantos da Clareira ouviu-se um estrondo, algo se quebrando.

- Aqueles trolhos não conseguem ficar um minuto sem quebrar nada - virou-se para Newt - acha que dá conta dela?

- Vou tentar. - respondeu.

Fiquei com um pouco de raiva. Eles simplismente relevavam meu desespero.

- Vou te mostrar onde todos dormem, está bem?

Olhei assustada para ele, que percebeu o motivo do susto. Onde todos dormem?

- Garota, não quero te fazer mal, sério.

- Tudo bem, mas se tentar qualquer coisa, levará um chute bem lá.

Ele concordou, rindo um pouco.

Enquanto estávamos caminhando rumo ao nosso destino, perguntei:

- Aqui não tem outras meninas?

- Você é a primeira que chegou aqui. - respondeu.

- Estou presa com garotos?

- Sim, basicamente isso.

Chegamos ao lugar que eles chamam de "Sede". Onde todo mundo dorme. Newt arrumou uma cama para mim perto da cama de um tal de "Minho" (acho que foi esse nome que ele disse).

Me sentei na cama. As lágrimas já haviam ido embora. Se queria sobreviver ali dentro, não podia ficar choramingando pelos cantos.

- Newt - ele se virou para mim - Posso te ajudar em alguma coisa? Não quero ficar aqui parecendo uma inútil.

- Você é bem mais útil que o resto desses plongs - ele comentou, indicando que havia trabalho a ser feito.



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