Os contos de Jesus cristo bolado.

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Capitulo um: Estrada Solitária.

O sol queimava a terra de ninguém. E como em quase todos os dias ele caminhava sozinho. A palestina era então uma terra de sombria, bandidos armados cavalgavam pelo deserto a procura de caravanas, nem mesmo mulheres e crianças escapavam de sua selvageria insana, vendidas como escravas, mutiladas, ou mortas a sangue frio. O sangue de homens inocentes manchava as areias daqueles desertos, o governo vigente pouco tinha a fazer, com o império romano se alastrando por todas as partes pouco podia ser feito pelo povo. Poucos eram as cidades que possuíam a proteção do império, a maioria delas era formada por sobreviventes, homens e mulheres que depois de muito sofrerem se juntaram em um assentamento, levantando suas armas para protegerem uns aos outros, morte e miséria era algo comum. 

  Já havia se passado 40 dias e 40 noites, o deserto nunca pareceu tão grande. A visão da noite anterior ainda o assombrava, havia passado pelos restos do que fora uma caravana, contou doze corpos, o vento fazia o trabalho de coveiro enquanto insetos e animais peçonhentos faziam seu banquete sem se importar com o homem os rodeava.

Fez uma rápida prece e agradeceu a sorte de ter encontrado aquela caravana, não sabia por mais quanto tempo aguentaria a fome e a sede, sabia que possuía um corpo imortal, mas seus desejos eram tão mortais quanto o de qualquer homem. Pegou tudo o que podia dos corpos que havia encontrado, o que não era muito, visto que já haviam sido saqueados.

Enquanto andava lembrou do cheiro da carne queimada. Depois de juntar tudo que poderia ser útil havia empilhado todos os corpos com os restos de suas carroças, ateou então fogo que os consumiu por inteiro. Não queria deixar aquela gente sem um enterro digno, fez então o melhor que pode, queimou seus corpos e mais uma vez fez uma prece.

O cheiro da carne ainda o fazia ter náuseas. Havia visto muita coisa nos últimos anos, mas algumas delas ainda o fazia sentir a angustia do ser humano.

Seus passos eram lentos, misturando-se com a areia que se moldava com seu peso.

Ao longe ouviu o barulho de cavalos, sabia que não era um bom sinal. Parou e removeu o véu que cobria sua cabeça, a mão então foi ao cabo da espada, respirou fundo e esperou.

Um turbilhão de areia rodeava aquela caravana da morte que dele se aproximava.

Jesus olhou atentamente, eram seis, cobertos com suas túnicas armados com arcos, lanças e cimitarras. Sentiu o ódio daqueles homens, o medo, sentiu a fúria, não haveria piedade, somente sangue. Eram os mesmo homens que haviam clamado a vida dos doze que no fogo sepultara, sabia disso, e agora, a justiça seria feita.

Esperou...

A primeira flecha voou em sua direção, passou por sua túnica sem o ferir, abrindo um buraco no fino tecido. Jesus sacou sua espada e começou a andar calmamente em direção de seus inimigos proclamados.  Outras flechas voaram nenhuma conseguindo ceifar a vida que desejava.

Os seis rodearam o andarilho puxando suas espadas e gritando com toda a força. O primeiro golpe então foi dado, mas o andarilho se mostrou rápido em desviar, mais rápido ainda em decepar o braço do homem que o atacara, este caiu na areia manchando-a de vermelho, seu cavalo debandou do grupo, os seis restantes esbravejaram e iniciaram a dança mortal desferindo mil golpes contra um único homem e incrédulos por nenhum deles acertar mais do que o vento,  quando por fim uma lança conseguiu atravessar o peito do andarilho, este nem por um segundo pareceu sentir o golpe, com a lança no peito arremessou a espada de suas mãos e arrancou a cabeça de um segundo, removeu a lança do peito e atravessou a garganta do homem que mutilado sem um dos braços gemia aos seus pés, desviou de mais duas flechas e puxando um terceiro de seu cavalo cravou a adaga que carregava na cintura em seu crânio, pegou das mãos do morto sua espada e derrubou mais dois de seus cavalos, seus corpos inertes no chão do deserto, o sexto então tentou fugir, cavalgando como se fugisse do próprio diabo, mas jesus sabia que para ele não haveria salvação, calmamente pegou um dos arcos, escolheu uma flecha, disparou, a seta viajou com o vento para levar sua mensagem de salvação...

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⏰ Last updated: Jan 24, 2018 ⏰

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