3 Horas do Fim do Mundo

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Ana olhava distraída para a terra, enquanto o exército de robôs fazia a sua caminhada matinal. Ela queria conhecer aquela terra que fora o berço da existência de sua espécie. Os seres humanos a muito viveram naquela inóspita região da galáxia. Ela já estivera várias vezes no solo terrestre, porém, não era o atual planeta anão-terra que lhe inspirava admiração. Era a terra de outra era. Na qual o planeta era habitado por humanos. Uma inteligência inferior, porém, vívida. Ana adorava as histórias proibidas acerca de anão-terra, que em um período distante era 57 vezes o tamanho atual. Um planeta rico em biodiversidade, termo pouco difundido em Marte, e diversidade cultural. Em Marte a cultura é una e as crenças humanas foram substituídas pela razão. Não há qualquer espécie que não humana. Mas, no vasto sistema solar no qual habita há milhares de espécies consideradas amarcianos, pois não habitam no mesmo.

A garota não sabia que seu destino estava entrelaçado àquele planeta, mas, sentia em seu íntimo a ligação intrínseca que os unia. Certa noite, enquanto os neomarcianos faziam sua ronda interestelar, Ana deixou seu posto e foi para sala de fluxo temporal, e usou uma máquina temporal. Movida pela sua obsessão àquele planeta, reprogramou o fluxo temporal para o passado. Manobra proibida. Viagens ao passado poderiam alterar o influxo temporal assim o presente seria gravemente alterado. Sem uma data exata ou hora exatas ordenou a viagem para um curto período antes da colisão com Nibiru. Acreditava que 3 horas era suficiente para suas observações. E assim que o tempo se esgotasse ela seria puxada para seu tempo e cuidaria para que sua expedição ilegal não fosse descoberta.

Ela apanhou a cápsula temporal e viajou até a terra. Embora, temesse que sua aventura fosse descoberta, a vontade de prospectar a terra era maior. Após cruzar a ponte redimensional, ela pegou uma virse gan (moto de bolço) e rumou a terra.

Após sua chegada na terra, ela religou a cápsula temporal e está se tornou grande. Uma fração de segundo depois começou a mover-se rapidamente aproximando-se da velocidade da luz, ou velocidade de teleporte intergaláctico como é conhecida hoje. Ana se posicionou dentro e em um piscar de olhos a cápsula desaparece do ano de 2018 p. t. (Pós-terra) e em uma fração de segundos reaparece em 23 de setembro de 2017 há 3 horas do fim do mundo.

Ana analisou as condições climáticas antes de se expor ao ambiente, após a coleta dos dados, ela usou sink45, a enzima de adaptação a ambientes inóspitos. Após a ingestão, seu organismo tornou-se similar ao de um humano terrestre. Ela pode então se expor a terra. Ao tocar o solo terrestre pode notar algo que o mesmo, em sua época, não há. Gravidade. Seu corpo não levou mais que alguns instantes fracionários para se recompor. Ela caminhou em uma rua deserta acompanhada de Ristl, seu cachorro mecânico. Ela o guardara no bolço junto com a sua virse gan e a cápsula, que após sua descida reduzira-se ao tamanho de uma moeda. E agora o havia religado. Com margem para erros calcular, acreditava estar na região conhecida como América latina. Mais precisamente, em Belo Horizonte Brasil.

A terra era tão grande quanto havia teorizado. Ana início sua jornada e havia apenas 02:58:59 horas antes da colisão tempo suficiente para satisfazer suas necessidades de observação. Caminhou entre carros parados, de forma caótica, em meio a uma larga avenida. Não havia seres humanos nas ruas. Estava completamente deserta, frustrada ela se sentou em um banco cuja estrutura definhava. Os outros pertencentes a praça logo a frente, já não mais existiam. "É isso? Cheguei tão longe para ver ruínas. "

Um movimento no outro lado da rua chamou sua atenção. Era uma menina de cabelos cacheados e pele negra. Ela seguiu a garota com o olhar e de repente, sentiu um ímpeto de segui-la. A menina corria sorrateira por trás dos carros, parecia se esconder de alguém. Não tardou muito para Ana perceber que o que a menina temia era um homem vestido com uma farda verde militar.

No céu via-se um círculo branco, a lua da terra. Esta deixara de existir desde a colisão. Ana ouvira muitas histórias a respeito desde astro singular durante a infância. Mas, sem a ponte não havia como explorar o espaço naquele tempo. ela viu um outro astro no céu. Era visível 3 vezes maior que a lua. Era Nibiru. Vermelho com sangue. Ela voltou sua atenção para a menina. O soldado parecia persegui-la. Ana foi até ele e que ao vê-la, levantou a arma em sua direção.

- Mais um passo e atiro. – Advertiu.

Sem se importar com as ameaças Ana continuou indo até ele. Ele atirou, umas, duas, três vezes e Ana parecia não se encontrar em nada com as balas no peito. Ela olhou com desdém e retirou uma a uma com a mão e jogou displicente no chão.

- O que está tentando fazer? - Disse calmamente.

O soldado olhava para ela assustado. Ana se aproximou e tocou sua cabeça. Com esse gesto todas as memórias dele foram por ela absorvidas e ele desmaiou.

- Sua mente é uma bagunça. - Disse vendo as imagens das lembranças dele.

A menina saiu de trás do carro e encarou Ana por alguns instantes, calada e aparentemente assustada.

- Ele era um homem muito rude. - Disse Ana.

- Você é do abate? - perguntou a menina.

- Não. Sou Ana eu vim do... Bem, sou de outro lugar. – Achou melhor ocultar o fato de ser do futuro.

- Sara afaste-se dessa estranha. – Ordenou uma voz feminina vinda de um beco escuro.

- Ela é boa, mamãe. – Responde a menina.

- Você é do resgate? - questionou uma mulher negra com a metade do rosto desfigurada.

- Não. Eu sou Ana.

- Veio nos salvar? - perguntou Sara.

- Na verdade eu estou fazendo uma pesquisa.

- Uma pesquisa? Em que planeta você vive? Em breve vamos todos virar pó e você está fazendo uma pesquisa? – Debochou a mulher.

- Ela me salvou mamãe. Ela é superpoderosa! – exclamou Sara.

- Não fale besteira menina. – Disse a mulher encarando Ana com desconfiança.

- É verdade. – Insiste Sara.

- Isso é verdade? - disse a Ana.

- Eu tenho algumas habilidades. Vocês não? – Questionou confusa.

- Em tempos como esse, acreditamos em qualquer coisa. – Disse a mulher.

- Você vem conosco? – Perguntou Sara.

- Não. Preciso de alguém que conheça bem o planeta, para me fazer alguns esclarecimentos.

- O cigano já viajou para vários países, antes de ser chutado da força aérea brasileira. Você disse planeta?

- Seria perfeito. Então, irei com vocês. – Desconversou Ana.

- Mas, terá de ajudar-nos na tomada da base.

- Certo. – Concordou sem a mínima noção do que isso fosse.

3 Horas do Fim do MundoHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora