Let's Cause A Little Trouble - DON'T EAT AnaeMia

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   As 18:00 horas da tarde a avenida se encontra infestada de gente, pessoas apressadas, desesperadas pra completarem seus caminhos e enfim estarem em casa. Ando apressadamente sentindo a tal familiar sensação de sufoco, precisando desesperadamente estar em casa, as pessoas parecem me encarar, sussurrar, elas parecem saber sobre mim, sobre tudo. Isso me assusta, sem me dar conta esbarro em todos ao meu redor, sem perceber meus pés se movem com uma intensidade de fuga: estou correndo. O mundo se fecha sobre mim, me sufoca, me implode. TEM QUE IR EMBORA, VA EMBORA, VA EMBORA minha mente grita, meus pés obedecem ao trilhar o caminho correndo, mas minha lógica encara a idéia. Pra onde eu deveria ir embora? Minha casa? Carregada de incompreensão, meu trabalho exaustivo ? Meu curso entediante ? A rua perigosa? Pra onde eu preciso correr? Para onde eu tanto quero ir embora? ' para o inferno ' sinto a frase se formar em mim, o gosto que me trás a boca é amargo.. Não, hoje não.
  Estou ofegante quando diminuo o passo, antes de alcançar o portão de casa me permito dois minutos de respiração controlada, enxugo o suor que começava a brotar na minha testa. Não posso chegar tão cansada em casa, me trará problemas.. Assim que giro a chave ouço os berros incansáveis da Nina - minha irmãzinha caçula de dez meses - percebo que poderia ter chegado inundada de suor, hoje minha mãe não se dará conta.

- Ana! Finalmente chegou, essa gorduchinha está me levando a loucura - minha mãe tagarela rapidamente pegando Nina nos braços enquanto o choro da nenem abafa sua voz. - porque demorou tanto? Estive preocupada, já comeu?

- Estava no curso mãe, esqueceu? Dia de administração.

- Ahh sim! Tinha esquecido, está tudo bem no curso?
  Não tive tempo de responder, essa é uma daquelas perguntas vazias que minha mãe faz pra finger que se preocupa mas ela não espera realmente a resposta, na verdade ela já está gritando agora com a Nina por que ela está comendo algo que não é comestível, a criança é um dragão. As reclamações dos vizinhos são constantes em relação aos berros da minha mãe com a nenem, ela passa vinte quatro horas por dia gritando, a menina no começo olhava com olhos marejados e abria a boca chorando, agora ela já está acostumada, ouve toda gritaria de bico calado e chora apenas quando pede leite. A verdade é que minha mãe é uma péssima mãe, é péssima pra Nina como foi péssima pra mim. Cada vez que ela percebe que exagerou nos gritos ela entope a bebê de comida, cada vez que ela chora entope de comida, sorri entope de comida. Nina é fofa de se ver, fofa de segurar, mas duvido muito que se sinta confortável em seu corpinho minúsculo de criança rechonchuda. Subo as escadas em passos lerdo, assim que entro no quatro fecho a porta atrás de mim. Tiro toda a roupa que visto hoje desde manhã, até me encontrar de calcinha e sutiã. Enquanto abaixo e estico as mãos pra alcançar a caixa embaixo da cama listo mentalmente meu consumo diário : leite desnatado, barra de cereal, pó, batata, couve e ovo, biscoito de polvilho uma hora antes.. Tiro de dentro da caixa minha balança precisa. Subo nela com os dedos cruzados 64,700. De ontem pra hoje perdi apenas 100 gramas! Mas o que eu esperava comendo como uma porca?
Me faço uma promessa, mais uma depois de me sentir um fracasso completo, um lixo, uma fraca. LF amanhã. Poucas calorias, pouca comida resulta em pouca gordura, sei que consigo. Guardo a balança e me dirigo ao banheiro planejado meu dia de amanhã, e completamente decidida que hoje nenhuma caloria mais entra na minha boca.

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⏰ Last updated: Dec 07, 2017 ⏰

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