We drank too much... I held your hair back when you were throwing up...

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Como já dizia Clay Jensen, nós nunca sabemos ao certo o impacto que causamos na vida de alguém. Seja esse impacto bom ou ruim, tem algumas pessoas que deixam marcas em nossa vida. Há aquelas que chegam, fazem um 'estrago', nos machucam e depois simplesmente vão embora. Há aquelas que deixam boas memórias também. Sempre preferi acreditar que tudo acontece por alguma razão e que todas nossas ações e suas respectivas reações têm um motivo e um porquê. É bem díficil lidar com a vida quando ela não saí do jeito que nós planejamos. Eu, por exemplo, gosto de ter controle de certas situações por medo de me machucar pelas experiências passadas. É normal. Afinal, sou apenas uma adolescente de dezesseis anos. Eu sou uma mera leiga nas decepções e conquistas da vida, seja ela acadêmica ou amorosa.

Já tive meu  "primeiro amor" de nona série, já fui iludida, já me senti completamente abalada por causa de algum vestibular que não me saí muito bem, já me enganei com certas amizades, já dei o primeiro beijo, já tive minha primeira vez, já sofri, já superei e também já tive recaídas. É um ciclo. Vicioso, por sinal. Quase todo mundo já sentiu assim alguma vez na vida. São fases. O importante de tudo isso é como você lida com cada uma e quais proveitos você tira com os aprendizados das mesmas.

Eu estou no último ano do ensino médio e felizmente ou infelizmente, não sou a mesma de um ano atrás. Me olhando no espelho, com uniforme, me preparando para o primeiro dia de aula percebi o quanto amadureci de uns tempos para cá. Nessas férias eu prometi para mim mesma que me daria um tempo de paz. E retomando para escola, esse momento estava oficialmente finalizado. Porque por mais que eu tente fugir dos meus problemas, alguns deles estudam comigo. E eu não sabia ao certo se eu estava preparada psicologicamente para encará-los.

- Desce, Maria Fernanda. Já está atrasada no primeiro dia! - gritou minha mãe.

Retomei minha consciência e desci as escadas correndo. Não sabia ao certo o que esse ano me reservava mas estava ansiosa para descobrir. Óbvio que a vida é contínua... sempre tem novas amizades, novos amores... Porém, certas coisas nunca mudam. E era isso que me assustava.

Chegando na escola, já consegui avistar o pessoal do terceiro ano comemorando. Gritavam, tiravam fotos, abraçavam os amigos e sem pouco esforço consegui encontrar a Lisa e a Gabriela, umas das minhas melhores amigas.

- E aí, meninas! Desculpa o sumiço, quais as novidades da nossa galera? Gabi, sei que você sempre sabe as fofocas na hora que elas acontecem. - falei, rindo.

As duas fecharam o rosto e se olharam, meio tímidas.

- O que aconteceu, gente? Pode me falar, é sério! - falei, irritada.
- Amiga, então... - Lisa fez uma pausa, olhou pra Gabi para conferir se ela devia me falar e mudou de assunto. - nada demais, eu continuo na mesma com o Marcos.
- O quê vocês não querem me contar? É sobre quem eu tô pensando? - retruquei.
- Foda-se. É, ele mesmo. Ele tá namorando. - Lisa soltou.

Não sei exatamente o que eu senti.  Foi uma mistura de sensações. Não me senti abatida, afinal, nós dois nunca tivemos nada. Também não me senti feliz porque o garoto que eu gosto está namorando. Me senti imponente. Pois quando o assunto era eu e ele, a situação saia totalmente do meu controle.

Tentei respirar normalmente para elas não perceberem o meu desespero.

- Gente, eu realmente não ligo. - menti. Nós somos amigos e para ele é só isso. Infelizmente, para mim podia ser algo mais. Já que não é, eu não tenho problemas, sério. - completei.

Acho que nem eu consegui acreditar na minha própria mentira. Cada palavra que saia da minha boca me fazia querer chorar. Por que tinha que ser logo ele? Entre tantos amigos, tantos desencontros... por que logo o Gustavo? O garoto mais galinha do nosso ano. Atraente, olhos e cabelos escuros e ele é capaz de deixar qualquer menina em suas mãos. Parabéns, Gus. Você conseguiu. Eu estou nas suas mãos e você não faz ideia...  Mas é que eu prefero assim. Prefiro tê-lo do jeito errado do que não tê-lo de jeito algum. Eu já me conformei.

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