Quando se espera perder alguém?
Mesmo sabendo que devemos dar valor a cada pessoa que está ao nosso lado, não temos uma atitude correta. E o que seria o certo? Para muitos seria declarar-se com palavras, dizer: "eu te amo" ou "te adoro". Para outras pessoas o simples fato de dar um beijo ou um abraço, já seria mais que uma declaração de amor.
Então, olhando para o homem vestindo uma camisa social azul e calça jeans preta manchadas de sangue, sentado no banco do hospital público, esperando receber a confirmação, do ele já sabia. Nada mais importava... Seu parceiro policial e grande amigo estava morto. Fato inegável, pois morrera em seus bracos.
O que dizer, àquele homem cheio de dor no olhar?
Outros policias chegavam e lhe faziam perguntas, as quais ele respondia apenas balançando a cabeça para sim ou não. Nada em seu rosto demonstrava emoção.
-Esta em estado de choque o coitado. - Alguém disse, mas não saberia dizer quem.
Ainda que odiasse que sentissem pena dele, André sabia, que as pessoas só queriam ajuda-lo, então deu de ombros.
-André... Você me ouviu? - O comandante dele chamou em seu tom ríspido natural.
Piscando os olhos, como que para se concentrar no que lhe diziam, finalmente voltou sua atenção ao homem parado a sua frente.
- Não, senhor.
- Você pode me dizer o que aconteceu? - Repetiu a pergunta em seu tom ríspido habitual.
- Senhor, Estêvão e eu fomos comprar ingredientes pra lasanha da Bete, paramos em um posto de gasolina para abastecer... Fui usar o banheiro, quando estava voltando ouvi vozes exaltadas, percebi logo que se tratava de um assalto. Ouvi o primeiro tiro... Me esquivei atrás das latas de lixo, foi ai que vi o Estêvão atirando nos bandidos, fiz o mesmo. Acertei o da moto e o comparsa fugiu. Quando olhei Estêvão,... Ele estava caído. Não deu tempo de... A ambulância foi rápida, mas já não havia o que fazer.
- Eu sinto muito, sei o quanto vocês são próximos.
- Anotei a placa da moto, é bem provável que seja roubada. - Disse como se não o escutara.
- Vá pra casa soldado. Ficara de licença por um mês.
Antes que pudesse responder algo, Bete entrou no corredor acompanhada, da mãe e da irmã de Estevão. As três o encararam de frente quando o alcançaram, não havia o que dizer. A senhora a sua à sua frente tinha nos olhos o desespero da perca de seu menino, seu pequeno campeão. Bete agonizava seu pranto nos braços da nora, ambas inconsoláveis.
- Mãe eu sinto... - não haviam lágrimas, porém a voz sumiu. A senhora estendeu a mão trêmula para André, que a segurou, para puxa - la para um abraço. Andre, sentiu a agonia do desespero, de novo.
A primeira vez, foi com a perda do pai aos dezesseis anos, o coroa teve um infarte fulminante, anos depois sua mãe o deixou devido a complicações da diabetes. Em todas as situações lá estavam Estevão e sua família o apoiando, encorajando, abraçando... Por inúmeras vezes, dona Alda o constrangeu a dormir em sua casa, dizendo que era bom para um casal de idosos ter uma proteção policial, vez por outra. André sorria, pois amava os dois, como seus próprios pais falecidos.
Ali, naquele momento, não houve cobrança. Sem palavras, Andre não sabia o que dizer a elas, num instante estavam fazendo piadas sobre as crises de ciúmes de Bete, no outro estavam atordoados, pela pancada inesperada. Seriam tempos difíceis para todos.

Sete meses depois...
- Ai meu irmão! Se tu não aguenta... Não desce pro play! - Um homem grande e negro, provocou o outro homem de pé na calçada.
- Quero ver essa marra toda amanhã de cara limpa! - O magrelo gritou do outro lado.
Uma sirene soou e uma viatura policial logo apareceu no final da rua. Assim, que parou desceram dois policiais que mais pareciam gigantes. Um moreno de olho firmes, ombros largo e barriga saliente no uniforme. O outro parecia tão irritado por estar ali, que seu belo porte de atleta era deixado de lado devido a sua carranca. Com passos largos os dois se aproximaram da confusão.
- Boa noite, fomos informados de uma ocorrência neste endereço. Uma briga, entre dois homens num bar. - Disse, o policial de olhar firme a uma senhora de cabelos grisalhos.
- É isso mesmo, doutor. Esses dois aqui, tão brigando pra ver, quem paga a conta! Já puxaram faca e tudo. - Sua expressão era de pura indignação.
- Pois, não Senhora. - O gigante se aproximou do homem negro, que ao ficar de frente com ele perdeu a valentia, e em poucos minutos a desavença foi resolvida.
Não era de fato uma emergência, pensou Andre. Voltando para a viatura, se posicionou na direção. Tão aborrecido quanto quando chegara.
- Vamos logo, eu tô morrendo de fome. - Disse, o parceiro de Andre em tom quase desesperado.
- Não faz nem uma hora que você comeu. De onde vem esse apetite todo?
- Cara, não enche! Vamos passar naquela lanchonete, perto da DP. Lá tem aqueles bolinhos de carne seca apimentados.
- Só você mesmo, Carlos.
André fez uma careta, há seis meses os dois eram parceiros, desde a morte de Estevão. Carlos era totalmente o oposto do seu amigo de infância, ele parecia um grande urso que começava a ficar barrigudo. Cabeça raspada o que fazia seus olhos negros maiores e assustadores. Da mesma forma que parecia um urso, comia igual a um também. André gostava dele, pois sabia que debaixo daquela fachada assustadora tinha um coração mole. Eles se conheciam há apenas seis meses, porém já tinham um bom relacionamento. O que da parte de Andre, manteria - se apenas na área profissional.
Parando a viatura numa vaga em frente a DP, os dois desceram. Andre mal podia esperar o seu plantão acabar, pois iria pra casa tomar banho e se jogar no sofá.
Essa era uma boa ideia...
Oi gente tudo bem?
Espero que estejam gostando da história do André...
Se tiverem dicas podem mandar.
Bejus...
Vana...
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Um Grande Encontro (Concluído)
RomanceAndre é um policial traumatizado pela morte brutal de seu parceiro, se refugia, em uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro, de nome Cachoeiras. Buscando organizar sua mente confusa, ele conhece um senhor idoso chamado Tonico, e ambos se en...
