Cap2 - Conhecimentos de família

4 0 0
                                        

    Da janela, Crista olhava as gotinhas de chuva reaparecerem aos poucos, o único pensamento que lhe alegrava eram as férias. Ah sim, boas e longas férias.                                                                                 Seu dia na escola não foi um dos melhores, como foi citado anteriormente. Hoje havia tido suas mãos machucadas devido o castigo da professora de matemática, a menina tinha dificuldades na matéria. Mas não só pelas respostas repetidamente erradas, mas também pela falta de profissionalidade da professora. Esta envolvia castigos extras a menina pelo fato de ser filha de Harry e Beatriz. A ômega estava verdadeiramente fazendo um inferno na vida da beta.  Por que envolver a menina? Sua raiva era pelo restante da família.

  Com certeza no ano em que debutou, tenha ficado meio sem juízo. Não era qualquer uma que poderia ser cortejada por Harry Jackson, mas como não tinha quase nenhuma família nas mesmas condições na região, resolveram fazer o mesmo se casar com sua prima de segundo grau. E onde entra a professora ai? Bom, ela era das mesmas condições que os Jackson's. Mas a família Jackson não estava satisfeita, tanto com a família quanto com a garota.

  A professora se chamava Ahsley Green. Existia vários boatos nada bons sobre a mesma e sua família, resumindo nada descentes. Um desses boatos era que a mesma ajudava na compra de escravos sexuais e híbridos para outros nobres, enquanto seu irmão mais velho cuidava da contabilidade. Poderia ser um boato falso, mas não estariam dispostos a descobrir por si só.

 Anos depois Ashley se casou com um outro alfa, escolhido pelos pais um ano depois.

A aula era sobre divisão, estava sentada em sua mesa no pequeno intervalo de classe. Todos estavam em grupos, não conseguia se enturmar com a classe. Apesar de todos serem gentis com a mais velha, se sentia sozinha. 

 A clássica sensação de estar se sentindo só, enquanto está rodeada de pessoas. 

 A mudança de escola e casa lhe afetaram um pouco.

  Era entediante... Igual a dor em uma parte de suas costas. Tinha a impressão que virou uma senhora de idade avançada, será que para frente iria piorar? Respondeu a si mesma que talvez sim. Se levantou e tomou rumo ao escritório da casa, sabia que não tinha ninguém mesmo e entrou. Procurava alguns materiais para desenhar ou escrever qualquer coisa, talvez até estudar alguma matéria em que tinha dificuldade. Mas deixaria para depois.

 (...)

 Passado já algum tempo, a menina se esparramou pela cama. Não havia conseguido fazer absolutamente nada, que irritante. Como uma última tentativa, andou de forma rápida ao jardim. O lugar tinha cheiro de terra molhada. Gotas de chuva deslizavam delicadamente pelas plantas ou em algumas decorações do jardim. O ambiente estava frio e não era lá muito acolhedor naquela época do ano, mas não deixava de ser bonito.

 Tinha um jardim enorme, mas não tanto quanto o da sua avó Margherita. A italiana amava ter um belo jardim em ordem, flores e mais flores cobriam a maior parte da entrada do lugar. Se distraía fácil quando morava por lá, amava flores. 

Se lembrava que havia ganhado repreensões dos mais velhos quando socou seu primo, o mais velho a tinha irritado até seu limite. Parecia uma estúpida rindo alto, evitava se lembrar dessas coisas em público, o que seria dela se a tachassem de maluca? Se assustava em pensar em sanatórios. E pior ainda se ficasse em um. Deveriam ter vários existentes pela Inglaterra.  

 Crista rodopiava em seu belo vestido verde, amava usar aquele vestido. Mas antes de poder fazer um passo a mais, sentiu a água fria lhe arrepiar. Jogaram água do andar de cima da casa, será que esteve no lugar errado e no tempo errado?

Não mesmo, fizeram de propósito.  

 A primeira coisa que fez foi retirar os fios negros da frente do rosto e tentar secar os óculos, pois atrapalhava a sua visão. Assim feito, levou seu olhar para as janelas do andar superior.

Era pedir demais para que seu - maldito - familiar caísse dali de cima?

 Olha, não custa nada esperar o dia.

Edgar, era ruivo de olhos castanhos. Era um ser civilizado quando queria, - dia e hora precisamente -  parece que hoje não era o dia.
Odiava aquele ser, e o pai daquele demônio era o pior. Nunca foi com a cara daquele homem desde mais nova.
Já suspeitava que os bons tratamentos era mera falsidade, bem, até sua mãe não gostava dele. As vezes a mãe de Crista só o tratava por educação e respeito aos parentes.

  Robert era só um canalha disfarçado. Era um homem que fingia ter respeito e princípios.
O lado bom - ou péssimo -  era que ele não havia marcado a sua tia.

Apesar de não gostar muito do primo, tinha um certo grau de intimidade com o mesmo. Bom, como falado antes, tinha momentos civilizados.

Admitiria em voz alta que gostava da presença deste. Pelo menos tinha um lado bom.

(…)

  Ambos estavam na mansão, Crista tomava um banho quente, enquanto Edgar estava do lado de fora do cômodo. Exatamente encostado na parede próximo ao cômodo.
  Conversavam sobre alguns assuntos irrelevantes - ou aleatórios - até a seguinte pergunta:

— A que devo a honra de sua visita Edgar? - Perguntou enquanto olhava o vapor sumir aos poucos e brincava de fazer redemoinhos com as mãos na água morna da banheira.

— Bem, meu pai pretendia arrumar alguns assuntos pendentes. Como deve imaginar é algo sobre a família. - Crista suspirou calmamente.

— Entendo. Não querendo me intrometer, mas do que se trata? - Perguntou curiosa.

— Acho que é sobre algum casamento pelo o que ouvi, prima. - Ouvir aquilo a deixou surpresa.

— Hm... Deve ser para o Henry, certo? - Perguntou novamente com certo interesse.

— Crista, ele já casou a exatos um ano e três meses. - Disse calmamente. — Viemos para a apresentar para a família. Vou sentir dele.

— Esse meio tempo eles estavam com vocês? - Perguntou já se retirando da banheira.

— Digamos que ele sim... A mulher de meu irmão é, como posso encontrar palavras para a  descrever? - Perguntou enquanto mexia em algum livro da menina.

— Amargurada? - Perguntou no chute. Adentrou o quarto já vestida e de dirigiu a penteadeira.

—  Sinto muito, mas quase respondeu corretamente. - Disse com um sorriso divertido. — Enfim, devemos descer para a apresentação.

— Claro, já estou com uma aparência adequada. - Seu primo estendeu o braço e foram para uma das salas de estar.

Chegando lá, pôde escutar algumas vozes conhecidas.

Era tarde demais para inventar um mentira e fugir dali?



O diário de um debutanteLa tua prossima ossessione. Scoprilo ora