Prólogo: Literatura cinzenta

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Mais uma frase destacada com a marca-texto passando tremida sobre a página do livro. Era sempre assim que Robert Brooks começava e terminava suas aulas deprimentes de Literatura.

Robert chamava esse clima de cinzento. Afinal, o ambiente era sem cor, ou seja, sem emoção. Todos os alunos estavam debruçados nas carteiras, inclusive os mais estudiosos, como Robert Brooks.

A professora, gesticulava e andava de um lado para o outro na frente da classe, dando sua aula sobre a obra de Shakespeare, Macbeth. Ela era a professora que Robert menos gostava. Ele sempre foi um amante da literatura, mas aquela mulher estava tornando suas aulas de Literatura uma chatice.

Jennifer era seu nome. Uma mulher alta e esquelética de cinquenta anos de idade, pele clara e pálida, cabelos negros presos em um coque. Como Robert a descrevia: a Branca de Neve depois das drogas. Professora Jennifer vestia um suéter cinza e uma longa saia de seda preta, que farfalhava à cada passo que dava; calçava salto-altos pretos, usava pulseiras de contas e óculos estreitas de uma armação marrom bem escura.

Robert, encolhido sobre seu livro de aventura fantástica, estava longe da realidade cinzenta daquela aula, daquela classe, daquela escola, daquele país, daquele mundo. Era ele, Frodo Bolseiro, Samwise Gamgee Gollum, indo para Mordor destruir o Um Anel.

Quando o sinal enfim tocara e todos correram para sair da classe o mais rápido possível, Robert Brooks fechou seu livro, se levantou de seu lugar no ponto zero da sala, pendurou a mochila no ombro esquerdo e, quando estava prestes a sair daquele ambiente frio, professora Jennifer o chamou.

- Sim? - disse Robert, indo à mesa da Branca de Neve seca e amassada como papel.

Ela tirou o óculos e o pousou sobre seu diário de classe.

- Estou notando muita falta de presença nas minhas aulas, Sr. Brooks.

- Como assim? - ele perguntou, de cara murcha.

- Você não é um aluno tão quieto. Você sempre participa das aulas. É um bom aluno.

- Obrigado.

Robert estava suplicando a fuga das garras da professora.

- Porém, - ela abriu o diário de classe enquanto vestia novamente o óculos. - suas notas caíram drasticamente.

Robert baixou o olhar.

- O que está acontecendo, Sr. Brooks? - perguntou a professora.

- Muitas coisas. - respondeu Robert.

- Hum, espero ver o seu melhor na próxima aula.

- Eu posso ir embora agora, professora? - perguntou Robert, sem mais paciência.

- Pode. - ela respondeu.

Robert disparou para a porta, porém a professora Jennifer o chamou outra vez.

Santo Deus... Pensou Robert, revirando os olhos ao mesmo tempo que virarava para a professora.

- Se você não melhorar suas notas, - disse a professora. - serei obrigada a reprová-lo, Sr. Brooks.

- Ótimo. - e assim, Robert saiu da sala.

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