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O metrô passou correndo na janela ao lado fazendo um barulho típico e alto.
Ela permanecia imóvel olhando fundo naqueles olhos negros profundos. Seus lábios estavam próximos e faziam um contato mínimo e singelo, mas nenhum ousava se aproximar mais ou se afastar.
Apenas estavam lá.
Os olhos verdes da garota rolavam por cada detalhe do rosto do rapaz. Decorava cada detalhe, desde os olhos pequenos ate as orelhas engraçadas. Cada linha do rosto dele era percebida por ela.
Queria toca-lo.
Mas não podia.
Estou procurando por algo que nunca poderei achar.
Em sua mente os flashes de memória passavam rápido, vívidos e dançando ao redor de si.
A respiração dele era suave e se misturava com a dela. O calor que emanava do corpo dele aquecia-a.
Estavam inertes. Tão próximos e tão distantes.
Eram um paradoxo.
As memórias ainda continuavam vindo e voltando em sua mente.
Ela se perguntou se ele também se sentia assim.
Se ele também revivia cada momento repetidas e repetidas vezes.
Ela engoliu seco. Queria umedecer os lábios rachados, mas não podia. O menor contato faria tudo ruir. E quando tudo ali ruíssem, ela não saberia como concertar.
Eram um castelo de areia.
Quando derrubado, não poderiam voltar a ser o que eram antes.
E ambos já estavam tão magoados.
Ambos já estavam tão machucados.
Ambos já estavam tão rachados.
Ela olhava nos olhos dele e não sabia identificar o brilho que eles tinham.
Ele olhava nos olhas dela e não conseguia reconhece-los.
Estou procurando por algo que não posso tocar.
Sem esperar e em um movimento súbito ele a toca.
Tudo rui. Tudo desaba.
Tudo é tão ruim e tão bom.
O simples toque da mão dele no pescoço dela tira toda e qualquer sanidade que ainda restava nela.
E sua consciência se afoga no mar de memórias.
O preço das memórias.
Seus pés estavam cansados devido os sapatos de salto alto, mas isto não a impedia de continuar beijando desesperadamente o garoto em sua frente.
Ele colocava a mão em seu pescoço e forçava deus lábios contra os dela desesperadamente.
Ela gostava do gosto dele.
Ele gostava dos olhos tristes dela.
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Short StoryExistem momentos que nunca esquecemos. Eu esperei por você na primavera, no outono, no verão e no inverno. Eu esperei por você quando você não estava vindo. Eu esperei por você esse tempo todo
