De Hanna Ross.
Para John Ross.
A Primeira vez que eu me lembro de ti, eu sabia desde já quem tu eras. Tu era o meu pai, o meu querido pai que cuidava de mim e me protegia de todos os males. Eu sei, eu lembro-me. Eu tinha apenas 5 anos de idade. Tu, junto com a mãe, cuidaram de mim com todo o carinho durante o tempo que estivemos juntos, então eu sei como tu eras.
...
Não... eu sei como tu és mesmo nos dias de hoje.
Nós passamos muitos tempos juntos, por muitas coisas boas e por muitas coisas más. Eu lembro-me muito bem desses momentos, eu sei o que me lembro pois eu recordava de todos esses tempos naquele tempo em que eu estava afastada de ti. Tu eras simpático, tu tratavas bem a mãe, tu te importavas connosco... Eu nunca iria-me esquecer desses momentos.
Eu só gostava que o Alex também pensasse da mesma forma que eu, sabes?
Devido ao que aconteceu quando eu tinha 9 anos, eu sei que nunca chegaste a conhecer o Alex. A mãe afastou-me de ti enquanto ela estava grávida do meu irmãozinho e eu nunca mais te vi até que... bem, tu sabes.
Eu não quero muito falar dos anos que estávamos só com a mãe no entanto, só quero que saibas que... ela não falou coisas boas sobre ti para o Alex. Eu acho que isso influenciou-o a ser como ele é hoje em dia contigo. Ele odeia-te e a razão disso foi provavelmente da nossa mãe... da nossa querida mãe que eu via como ela era contigo quando estavam juntos. Linda, com um sorriso encantador quando te via.
...Bem, depois de vocês se separaram ela nunca mais sorriu da mesma maneira. Quer dizer, ela sorria sim... ou melhor, ela fingia sorrir e estar alegre para o bem de nós, mas o remorso que ela tinha por ti, por vocês se separarem... não a deixou em paz e isso reflectiu-se no Alex que tu conheceste só este ano.
Por falar em este ano... Heh, este foi um ano bem difícil não foi? O Alex não te deixava em paz, não parada de te criticar. Mesmo quando estávamos no quarto sossegados ele simplesmente. Não. Se. Calava. Eu acho que isso deixou-me louca e eu, já com preocupações que eu própria tinha para comigo mesma, isso não me ajudou nada quanto ao meu estado.
...
...Ah sim. Queria desde já me desculpar. Eu não queria te dizer na altura sobre o meu problema para não te preocupar mais, mas parece que o facto de eu desmaiar não ajudou em muito, não é verdade? Eu devo ter te deixado bem preocupado comigo, ainda mais que eu não acordei por três dias seguidos.
Peço desculpas por isso, eu não queria te preocupar, sério. Eu só queria...Bem, eu só queria que não pensasses em mais coisas como já estavas a pensar na altura.
Sim, eu sei sobre o facto do dinheiro, eu sei sobre a tua falta de conseguir arranjar emprego e sobre todo o stress que estava em cima dos teus ombros. Era muito difícil não ver, de não reparar. Só uma criança como o Alex é que não viria algo tão óbvio como isso.
Tu passavas noites acordado, noites ao telefone, procurando nem mesmo que fosse um part-time, algo que te ajudasse com a falta de dinheiro, algo.
...Algo...
Eu sei de tudo que estavas a passar pai, não conseguias esconder isso de mim nem mesmo que tentasses.
Eu acho que és igual há mãe nesse aspeto, onde tentas esconder todas as tuas preocupações dos teus filhos, fingindo que nada de mal se passa mesmo que se consiga ver visivelmente que não estás bem. Vocês ambos são igualzinhos nesse aspeto.
YOU ARE READING
Uma carta ao meu querido pai
Short StoryQuando ela não têm mais nenhum meio de como comunicar ou ajudar alguém, ela escreve uma carta. Uma carta onde ela diz tudo o que pensa e tudo o que sente.
