hell

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“Não seja idiota menina! No mundo há muito mais amor que rancor, há muito mais bondade que maldade e há muito mais carinho que violência. As pessoas só vêem aquilo o que querem, e você está sendo tola olhando apenas para a parte perversa dele. Deus é bondoso demais para entregar seus filhos a um mundo sem salvação”, minha avó me disse isso aos meus dez anos enquanto eu ainda passava os verões em sua casa. Eu me lembro do cheiro de desinfetante floral, do amaciante nas roupas de cama, das cinzas que a velha lareira soltava, inclusive me lembro do cachorro babão que gostava de ficar roçando nas pernas das pessoas. Eu também não me lembrava de muitas coisas que só fui recordar quando me obriguei a viver com ela, aproximadamente dez anos mais tarde. Mas o que ela me falou naquele dia, enquanto uma nevasca ameaçava tomar conta da cidade, eu nunca me esqueci.

Minha avó sempre foi muito devota a Deus e tudo o que o evangelismo pregava. Sempre me fazendo ler a bíblia ou ir a igreja aos domingos e quartas, me colocava de joelhos antes de dormir, até mesmo a oração de agradecimento antes das refeições.

Nunca entendi aonde ela queria chegar com essa história de paraíso. Sempre acreditando nas ciências aplicadas na escola, nunca levei fé de que após a morte eu teria um lugar especial pra mim se fosse uma boa pessoa. Sempre fui muito cetica em relação a qualquer tipo de religião ou crença num ser superior.

Meu ceticismo só piorou quando minha mãe se entregou a depressão e começou a usar drogas mais pesadas, como heroína. Aos treze anos vi Claire dormir no próprio vômito na nossa pequena cozinha. Achava que aquilo era o mais fundo que alguém poderia chegar, isso até ela começar a levar homens mais velhos e com muita grana la pra casa. Nessa época já tinha uma noção de que minha mãe era uma puta que dormia com qualquer homem desde que eles mantivessem seu vício.

Quando a minha última dose de paciência se esgotou com ela, peguei minhas economias com o trabalho na oficina mecânica e embarquei no primeiro vôo pra casa da minha avó. Uma fazenda de porcos no meio do nada, onde o comércio consistia em no máximo sete lojas pequenas.

Acreditava que aquele fim de mundo não me traria nada de bom ou satisfatório. Estava acostumada a viver numa cidade grande, onde eu poderia sair todo final de semana e comprar maços de cigarro sendo menor de idade.

Mas foi naquele fim de mundo que algo bonito aconteceu.

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⏰ Terakhir diperbarui: Jan 17, 2018 ⏰

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