Sine dubio.

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Luhan estava puto.Muito puto.

Andar ajudava sua mente a ficar mais clara,o que o levava a pensar mais.Claro que gostava de ser alfa.O respeito que conquistou,a sensação de cuidar e proteger os outros,receber tanta atenção dos ômegas...eram muitas vantagens.Mas haviam muitas exigências nas suas costas.As garotas e suas famílias que queriam matrimônio,acolher os novos ômegas que estavam entrando no cio - e acalmá-los - ,cuidar da aldeia...isso era cansativo.E por mais que se deitasse com muitas pessoas,Luhan estava quase sempre sozinho.O órfão morava nos limites da aldeia,na antiga casa da família Lee,que um dia fora a responsável por tudo que hoje o alfa era.Seus dias eram agitados no centro,suas noites solitárias em casa.

Luhan estava cansado de estar sozinho.

~

15 anos antes

Era inverno e nevava muito.Provavelmente aquela era a maior tempestade dos últimos cinquenta anos.Lee Donghae,o alfa da aldeia Lee,percorria os limites da aldeia com sua matilha.O lobo grande e preto já aparentava os sinais de cansaço.Donghae já estava com sessenta anos e era um milagre que ainda pudesse desfrutar da vida.Quando se casou com a mais bela ômega de todo o Reino,não poderia imaginar que teria uma filha.Muito menos que sua filha seria estéril,além de beta.Pela primeira vez em mais de mil anos,a aldeia não tinha como sucessor para alfa da matilha um Lee.A aldeia sequer tinha um alfa para ser sucessor.O peso de continuar guiando seus homens recaía cada vez mais sobre seus ombros,e a iminência de ter que ser anexada à outra aldeia por não ter mais um alfa crescia.

Naquela noite,a matilha não deveria estar em atividade.Todos deveriam estar em suas casas,cuidando de suas famílias.Mas reuniram-se para correr quando houve a suspeita de que algumas crianças estivessem perdidas na região.Já haviam percorrido quase todo o perímetro e estavam próximos da localidade conhecida como ''abismo''.O abismo nada mais era do que um grande despenhadeiro ao final da aldeia Lee,em sua divisa com as aldeias Wu e Do.Sua profundidade era desconhecida,e seu comprimento era quase que tudo o que os olhos podiam ver,não fosse uma pequena faixa de terra do outro lado,separada por dezenas de quilômetros do Reino.Não havia vida no abismo ou depois dele.Pelo menos,era nisso que acreditavam.

-Não devemos voltar,Hae?Estamos longe o suficiente para não haver outros além de nós aqui.

A sugestão,vinda do braço direito de Donghae e sussurrada no fundo de sua mente na conexão de toda a matilha,foi completamente ignorada.Porque naquela noite,os olhos cansados do alfa viram algo que sua matilha não viu.Naquela noite,Donghae encontrou seu sucessor.Porque naquela noite,Donghae podia sentir.Donghae sentia o outro alfa.No limite,próximo a queda do abismo,havia um corpo.Uma forma pequena,deitada,quase invisível em meio a neve.Mas o velho Lee podia sentir e pôde ver.Se aproximou,assumindo a forma humana,enquanto sua matilha o protegia,alerta para qualquer perigo.Era um menino de cabelos louros,pequeno e de aparência frágil,que quase congelava.Donghae podia ouvir seus batimentos.Tocou no menino,que permaneceu com os olhos fechados.Usava apenas uma camiseta e uma bermuda,claramente despreparado para a tempestade.No pulso direito do menino,uma inscrição.

-Lu.-sussurrou Lee.

No horizonte,o sol começava a nascer.A paisagem ali,de onde Donghae podia apreciar,era quase um sonho.As terras cobertas de neve,o abismo e sua escuridão eterna,e então o céu levemente avermelhado e o sol surgindo.Carregando o menino nos braços,Donghae voltou com a matilha até a aldeia,onde o povo esperava,aflito pela demora de seus guardiões.Quando o alfa surgiu carregando algo em seus braços,os habitantes intrigaram-se e começaram a divagar sobre o que poderia ser.

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