único

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Sentada na grama, paro, e ouço o zumbir característico das batidas apressadas das asas de um pequeno beija-flor. O passarinho, desconfiado, se senta em uma das flores amarelas próximas a mim, me permitindo enxerga-lo direito. Tão pequeno, ainda menor que a minha mão fechada, me encara com seus olhinhos curiosos e o bico ligeiramente entreaberto. Não posso evitar, me lembro imediatamente de você. Olhos arredondados que pareciam sempre surpresos, e curiosos, sobre tudo o que veem a sua frente, e seus lábios grandes e avermelhados, dos quais sempre tive vontade de provar o gosto.

Para falar a verdade, atualmente, há pouquíssimas coisas que não me façam me lembrar imediatamente de você. Como o céu azul sobre mim, enfeitado com nuvens fofas e brancas que assumem formatos engraçados conforme sopradas pelo vento. Eu sempre te vi azul-clara, quase acinzentada, um tom calmo, como o do amanhecer em um dia frio. E a grama, verde, vivida e brilhante, que me trazia todas as vezes que você sorriu, por que o verde me trazia uma estranha sensação de esperança, assim como seu sorriso, de dentes retos e brancos.

Eu protegi teu nome por amor. Mesmo quando os sorrisos deixaram de ser brancos e os olhos já não mostravam mais o mesmo carinho de outrora. Quando suas palavras, antes doces, passaram a ser amargas como fel, e sua presença tão tóxica quanto urânio. Eu passei a chamá-la por outros nomes, confundi-la com outros amores, fingir — para mim mesma, e apenas eu. — que havia alguma justificativa por trás de tais atos. O meu preferido, embora, para falar de ti sem te citar, sem manchar teu nome em meus lábios e minha mente, era o codinome beija-flor.

Eu sempre pensei ser efêmera, sempre julgando as coisas próximas a mim como extremamente passageiras; não estava acostumada com pessoas permanecendo em minha vida, eu costumava ir antes de descobrirem tudo sobre mim... mais tarde, descobri, que você era ainda mais. Você sempre teve o hábito de escapar por entre meus dedos, batendo suas asas delicadas para longe de mim.

Mas sempre voltava. Eu sempre esperava, ansiosamente, sua volta, beija-flor. Sempre lhe recebia de braços abertos, como uma flor preparada para lhe dar todo meu pólen.

Da última vez que brigamos, pensei que acharia outro jardim. Acreditei, sinceramente, que tu jamais voltaria para meus braços. Tuas palavras me cortaram, sugaram tudo de bom que tinha em mim, me deixando seca; sozinha.

Mas você voltou, beija-flor, e não é mais a mesma coisa de antes. Nossas conversas são cheias de culpa e insegurança, temo lhe ver sorrir, e encontrar outro sorriso no lugar, temo lhe olhar nos olhos e encontrar outro brilho, temo sentir o cheiro do pólen de outras flores impregnadas em suas asas.

Mesmo sendo você quem me machucou, eu protegi teu nome, e foi por amor. Menti, roubei e chantageei, fingi não sentir, fingi me contentar com a sua presença distante, com o sua cordialidade fria, mesmo querendo-a por inteiro, não daquele modo estranho e quebrado.

Me jogo de costas na grama, o beija-flor se lança e voa, delicadamente, em volta de meu rosto, e eu sorrio para ele. Depois de tudo, tua memória ainda me traz sorrisos bobos. E, isso, de algum modo, me traz esperança.

[♡]

oneshot — baseada em fatos reais — para o projeto mais Yuri, por favor! da @lailights

codinome beija-flor [jeongmo]Where stories live. Discover now