- Aramir, Aramir... - chamou uma voz do outro lado da porta.
Ele levantou-se da cama. Apesar da manhã ainda estar nas suas primeiras horas, já estava acordado havia um tempo.
A voz de seu amigo nao parava de chamá-lo, aos berros, e ele nao queria que sua mãe acordasse. Andou rapidamente pela sala escura e abriu a porta. Ali do lado de fora estava um homem alto, troncudo, com as roupas sujas e gastas pelo uso.
- O que há de tão importante para acordar toda a vila? -Disse Aramir.
- Quem é que vai me ouvir? Essa cabana velha fica tão afastada que não consigo nem ver a vila daqui - deu de ombros o homem.
Aramir não estava de muito bom humor, então não deu atenção à brincadeira.
- Fale logo o que deseja, Zavo.
- Acabou de chegar uma caravana. Eles estão viajando há dois dias, e tiveram problemas com bandidos na floresta. Estão contratando uma escolta.
Aramir não respondeu na hora. Ficou pensativo por uns instantes, e depois indagou:
- E você vai se candidatar?
- Mas é claro, porque não iria? - Respondeu Zavo com surpresa no rosto. - Você não irá?
- Não sei - disse Aramir. Ele tinha uma expressão séria. Olhou para trás, parecendo preocupado.
- O que há de errado? - Perguntou Zavo. - Já faz meses desde a última vez que saímos dessa vila. Já não aguento mais trabalhar cortando lenha, ou plantando batatas, ou limpando telhados. E tudo isso a troco de míseras moedas de cobre. Não nasci para isso! Eu quero desembainhar minha espada e usá-la de verdade mais uma vez. E você também pensava assim tempos atrás, se me lembro bem. O que mudou?
Aramir não mudou a expressão em seu rosto. Parecia relutante. Zavo conhecia bem o amigo de longa data, e sabia que sentia o mesmo que ele em relação à monotonia daquele lugar. Ambos já haviam se aventurado uma ou duas vezes em missões mercenárias, e se descobriram bons nisso. Mas alguma coisa preocupava Aramir. Zavo desconfiava do que poderia ser, mas guardaria isso para depois.
- Para onde estão indo? O que temos que proteger? E... qual o pagamento? - Perguntou Aramir, finalmente quebrando o silêncio.
- Bom, ao que parece, estão indo para a cidade de Ghalnar. É apenas uma caravana de clérigos e religiosos pelo que vi. Estão transportando algum tipo de relíquia sagrada, uma estátua ou algo assim, e têm que leva-la até Ghalnar, onde será instalada em algum templo de lá. Quanto ao pagamento... - Zavo fez uma pausa e olhou fundo nos olhos do amigo - são dez moedas de ouro. Pra cada um!
Aramir ficou impressionado. Aquela quantia era muito alta, principalmente para uma missão que não parecia grande coisa. De fato ele tinha visto poucas vezes essa quantia de uma só vez. Estava pensativo.
- São dois dias a cavalo até Ghalnar. Com uma caravana, levaremos quase o triplo do tempo, contando com eventuais problemas. Cinco ou seis dias de viagem, e com a volta, são mais cinco ou seis dias. Não posso ficar longe daqui tanto tempo assim. Vou ter que recusar dessa vez - Aramir disse por fim. Parecia um pouco triste.
- Entendi. Ainda é por causa daquela história com os orcs e sua mãe, não é? - Disse Zavo, parecendo compreensivo. - Eu entendo você, amigo, qualquer um ficaria com receio de deixar a mãe sozinha depois daquilo. Confesso que, se fosse eu em seu lugar, teria enlouquecido e ido sozinho atrás daqueles malditos orcs. Mas duvido que eles voltem outra vez depois que nós reforçamos a guarda. E, veja, minha irmã pode passar aqui todos os dias e fazer companhia para sua mãe, assim ela não se sente sozinha.
- Obrigado, mas não será necessário - falou pesarosamente Aramir. - Nada daquilo teria acontecido se eu estivesse aqui protegendo-a desde o começo. Prometi para mim mesmo que jamais a deixaria sozinha novamente.
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O Forte da Espada
AdventureUma caravana chega até uma pacata vila, procurando guerreiros capazes para escoltá-los numa perigosa jornada. Zavo, um combatente com espírito aventureiro, decide acompanhá-los nessa viajem, e tenta convencer seu relutante amigo Aramir a ir com eles...
