Tentei gritar mais uma vez mas a minha voz não dava para mais, a minha garganta doía, de tanto tentar. Dei um volta pelo quarto escuro sem qualquer janela e abertura.
Tentei chegar mais longe, tentava sempre chegar a porta de ferro que permanecia trancada sem deixar de ver o lado de fora mas a corrente presa no meu pé não me deixava lá chegar, o que fazia pequenas feridas no meu tornozelo.
Quantas horas tinham passado ....? Não sei. Quantos dias ...? Não me lembro, já tinha perdido a conta.
-M-Mãe...? P-Pai...? Onde estão....?- As palavras saíram da minha boca tão seca e fraca que nem conseguia perceber que era eu a falar.
Sentei-me novamente na cama de metal apenas com um colchão branco velho já com algumas partes rotas. O chão daquele lugar era sujo assim como o seu teto não deixando espaço para qualquer pureza naquele lugar. Como assim eu me tornava eu aos poucos.
A porta de metal abriu deixando um fecho de luz entrar na sala o que fazia arder os olhos, encolhi-me na cama no canto que sempre me escondia entre duas paredes e em cima daquela cama. Já sabia o que me esperava do outro lado e não o queria, prefira ficar ali fechado, não sair por aquela porta. Abracei as minhas pernas cobertas pelas calças pretas, as quais me tinham dado quando ali cheguei e enterrei lentamente a cabeça entre os meus joelhos.
Ouvi passos que não queria ouvir, e murmúrios que me faziam tremer. Não me mexi. Senti mexerem na corrente presa ao meu pé descalço e logo uma mão à qual já conhecia, o nojento tato agarrou me o braço.
-Vamos!- Disse uma voz grave por cima de mim e puxou-me com força fazendo-me gritar quando cai no chão duro de pedra.
O homem voltou-me a agarrar o braço começando a puxar-me para fora daquela sala, gritei, gritei e gritei outra vez. Só queria que alguém me ouvisse...
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O som da campainha ecoou nos meus ouvidos. Os meus olhos abriram se desorientados, pequenas gotas de suor escorriam pelo o meu rosto e a minha cabeça latejava com a dor. Estava apenas naquela cama fofinha, limpa e coberta de almofadas. Olhei lentamente em volta, estava no meu pequeno espaço, no meu quarto.
Embora pequeno era limpo com paredes brancas, um armário de madeira claro, uma pequena estante de livros, aos quais me foram dados e uma secretária com um computador, que raramente utilizava.
-Outra vez isto... - Disse num murmúrio sentando-me na cama coberta de lençóis azuis claros.
A campainha continuava a tocar o que me irritava dando-me vontade de a partir. Esfreguei os olhos e lentamente levantei-me do meu conforto andando até à porta.
Verifiquei o relógio de pulso, sim nove horas da manhã era a hora do habitual.
-Quem é?- Pronunciei as palavras devagar à espera de estar certo de quem seria.
-Kim Namjoon.- Diz a voz do outro lado da porta.
Era a voz do habitual, já de alguns dias para cá. Ele dizia sempre o seu nome completo cada vez que eu perguntava e logo a seguir dizia
-Não está mais ninguém cá fora pode abrir a porta!- ele tratava-me num tom formal pois só poucos dias tinham passado desde que nos tínhamos conhecido.
Abri a porta lentamente vendo uma cara conhecida do outro lado, com seu cabelo pintado de loiro que fazia contraste com a sua pele ligeiramente morena, com seus olhos castanhos amendoados e um sorriso revestia-lhe o rosto fazendo uma pequena covinha na bochecha esquerda. Estava vestido com o uniforme de polícia azul escuro como sempre, estava no seu horário de trabalho e eu fazia parte desse horário.
Pelo que o meu pai me disse, o Namjoon entrou para a Polícia com 21 anos e quis logo pegar o meu caso. Ainda não sabia o porquê disso, mas era uma coisa que eu queria muito saber. Também gostava de saber o porquê de ele ter dito logo que seria o meu "guarda costas", visto que eu necessitava de um porque quem me tinha sequestrado por 12 anos ainda andava atrás de mim, não sei porquê mas andava e eu não conseguia sair de casa, por causa do medo que eu tinha de voltar para aquele lugar.
E a única pessoa com quem eu conseguia falar era com o Namjoon. Era estranho visto que o conhecia à poucos dias, mas parecia que confiava mais nele do que na minha própria família.
-Olá, Jin. Posso entrar? -perguntou o Namjoon .
Ele nunca entrava na minha casa sem que eu lhe autorizasse!
-Sim, entre!
Ele entrou e foi dar uma volta pela casa para ver se estava tudo como deveria estar. E depois foi ter comigo ao meu quarto.
-Então, já se sente melhor?
-Ah, eu... eu ainda não consigo sair de casa, e ainda tenho pesadelos com tudo o que aconteceu. -Digo meio assustado ainda.
-Calma, pare de tremer. Está com frio? É normal ainda estar assim, ficou 12 anos naquele lugar!
-AH! Um bocado, eu não consigo ficar quente, 12 anos naquele lugar fez-me isto.
Ele levanta-se e vai ao meu armário e pega uma manta e mete-a sobre os meus ombros.Ele já sabia onde ficavam as minhas coisas, pois ele fazia aquilo todos os dias e ao que parece ele não se fartava de o fazer.
Ficámos por um bom tempo calados mas eu acabei com o silêncio.
-Posso... fazer-te uma pergunta?Quer dizer posso fazer-lhe uma pergunta?
-Primeiro se não se importar podíamos começar a tratar-nos por "tu".
-Pode ser.
-Segundo , claro que podes fazer uma pergunta!
-O meu pai disse-me que entras-te para a Polícia aos 21 anos e que escolhes-te logo o meu caso é verdade?- perguntei um bocado envergonhado.
-Sim, é verdade!
-E posso saber porquê?
-Ah! Eu escolhi este caso, porque era o que parecia que me ia dar mais pica.
Eu pensava que ele tinha escolhido o meu caso por outra razão, mas afinal era só porque lhe daria pica?
Nesse momento não sabia o que dizer então fiquei calado.
-Ah! Eu vou comprar alguma coisa para o nosso almoço. Queres alguma coisa específica?
-Não, podes trazer o que quiseres.
Ele saiu e eu fiquei a pensar na resposta que ele me deu. Se fosse aquilo ele quando acabasse o caso não iria oferecer-se para vir todos os dias a minha casa e passar o dia todo comigo.Visto que o trabalho dele era esse.
Ele tinha que vir todos os dias a minha casa ver como estava e tinha que ficar cá o dia todo até o meu pai chegar do trabalho.Por isso aquela não podia ser a razão por ele escolher o meu caso, mas eu não iria pensar mais nisso.
Nem sabia o porquê de ficar tão mal com a resposta dele.Enquanto ele não chegava a casa fui dormir mais um bocado.
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Espero que gostem :)
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My Savior
FanfictionPreso numa cela por 12 anos, sem ter qualquer contacto para o mundo exterior, Jin acaba por ser assim encontrado por Namjoon. Um polícia que acaba por se estrear em campo com este caso. Namjoon fica na guarda de Jin até tudo poder ser claro, mas est...
