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Laelia P.O.V.

Acordei com o meu mais novo despertador — que tinha como método me fazer sentir em um filme de terror para me acordar e dessa vez o tema era psicose — mandando eu me arrumar para a escola. Engraçado, nem precisava da música temática para me fazer pensar que eu acabei de sair de um sonho para ir ao pesadelo.
Lembrei das minhas férias por um momento. Foi bom tirar um tempo de todas as coisas que me cercam. Não da Callie, claro. Ela e eu fizemos uma viagem inesquecível. Quinze dias na Espanha, quinze dias em Portugal. Um mês fazendo compras, aprendendo danças típicas e brincando de falar outros idiomas. Até finalmente voltarmos a Londres, onde passamos o resto das férias. O que, pra mim, significa ajudar meu pai no trabalho e assistir Netflix.
Assim que voltei a mim, fui tomar um banho rápido e vestir meu uniforme. Uma camisa branca de gola e mangas longas, uma gravata listrada branca e preta, um moletom, uma saia e sapatos básicos pretos: as roupas que eu vestiria pelo resto do ano. Sequei meus cabelos cor de cobre e os prendi com minha presilha em formato de laço enquanto escovava os dentes. Ufa. Finalmente eu estava pronta para enfrentar mais um ano naquele inferno de colégio. Quero dizer... Quase. Antes de sair, passei pelos enormes corredores brancos com pisos de mármore da mansão que eu humildemente chamo de casa, até chegar à cozinha, onde o Will preparava um café da manhã inglês. Confesso que era engraçado ver um cara de terno cinza usando um avental rosa — que era normalmente usado pela nossa cozinheira — mas, infelizmente, eu teria que acabar com aquilo agora.

—Foi mal, Will, mas, dessa vez, fico só com a pera.
— A senhorita precisa manter as forças. Você emagreceu nesse verão, o que, com o seu apetite, é praticamente impossível!

Ele não está errado nessa parte. Eu realmente como muito, mas, não é culpa minha se, mesmo comendo, eu emagreço. Eu também tenho o direito de ficar sem humor para comer no primeiro dia de aula do ano, tá?!

— William, hoje não. Inclusive, quero acrescentar que não preciso de escolta hoje. Sério. Se eu desconfiar de alguém me seguindo, eu faço picadinho de vocês. — falei, saindo da cozinha com minha amada pera, já pela metade, na mão.
— Sim, senhorita.

O Will é como um segundo pai para mim, só que bem mais presente do que eu gostaria. Ele me vigia o tempo todo e ainda me impede de sair com garotos. Quando eu era da 6ª série, perseguiu o Adam só porque o coitado tinha me dado uma flor!
Mesmo que tudo isso seja irritante, ele sempre está presente quando preciso e às vezes me faz fantasiar com uma vida normal. Então, eu apenas ignoro as crises de ciúmes e sigo em frente.

— Estou indo! — gritei ao sair pela porta da frente, onde três homens de preto me esperavam — Eu vou de metrô para a escola, não preciso da ajuda de vocês para isso.
— Desculpe, senhorita, mas as ordens diretas do seu pai são que não a percamos de vista. — um dos três gorilas falou sem sair da posição.
— Ah, é? Tudo bem... — falei enquanto passava por eles e caminhava em direção ao portão do jardim — Vamos todos de metrô, então.

É claro que eu estava blefando. Assim que passei do portão, eu o fechei bruscamente na cara de um deles e saí correndo.
Esse definitivamente foi um bom dia para escolher um casaco de capuz para levar na bolsa. Assim que desci para a estação de metrô mais próxima, coloquei meu casaco e entrei em um vagão qualquer, rezando para que nenhum dos rapazes tivesse conseguido me seguir.
Sentei em um dos locais vazios e olhei meu celular. 12 mensagens, 11 do Will e uma da Callie. Claro que vi a da Callie primeiro.

"Feliz primeiro dia de aula ;p"

Depois dessa, eu me recusei a continuar no celular. Simplesmente o coloquei dentro da minha bolsa e comecei a observar as pessoas no metrô.
Fiquei um pouco desconfortável ao ver um cara enorme, de sobretudo e chapéu cinza, posicionado às duas horas, me olhando com insistência.
Meu pai tinha contratado outro desses pra tomar conta de mim de longe? Por algum motivo, duvidava disso...
Saí do vagão quando cheguei à estação mais próxima do colégio. Não sei se por azar, coincidência ou porque eu realmente estava sendo perseguida, mas o brutamontes saiu na mesma hora e também indo na minha direção. Foi aí que a adrenalina começou a agir no meu sistema. Comecei a andar mais rápido.
Olhei para trás por um segundo, desacelerando meus passos. Tempo o bastante para um garoto — que, pela velocidade, estava com muita pressa — tombar comigo. Eu teria caído dura no chão, se ele não tivesse realizado um movimento ninja que me fez cair em seus braços. Os olhos azuis dele ofuscaram toda minha visão por alguns instantes.

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⏰ Last updated: Apr 02, 2017 ⏰

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