UNI DUNI TÊ

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UNI DUNI TÊ

Parecia que tudo estava muito calmo naquela manhã no D.H.P.P. O delegado Meireles estava até cismado. Sabia que quando começava assim, acabava virando um furdúncio no fim do dia. Durante todo o dia se sentiu inquieto, enrolando o bigode branco. Ele não estava errado.

Faltava uma hora e meia para acabar o plantão dele quando o telefone tocou. Tinham um caso em Alphaville e deviam se deslocar imediatamente. Ele chamou o perito forense Pacco, seu fiel escudeiro, convocou mais outra pessoa para analisar a cena do crime e partiram na viatura. Até o trânsito estava calmo naquela segunda-feira, o que era de muito se espantar. Chegaram ao destino em meia hora, sem sirene.

A cena do crime estava em uma grande casa com aparência decadente. O forro do beiral estava caindo em alguns pontos, a pintura estava desgastada, o verniz das janelas havia ido embora fazia muito tempo. Na garagem haviam dois carros de alto luxo, alta quilometragem e idade. Sem dúvida, quem morava ali já havia visto dias melhores. Se fosse somente desleixo com a propriedade, coisa que acontece muitas vezes, os carros, pelo menos, seriam novos. Era falta de grana mesmo.

O policial militar que guardava a casa os cumprimentou. Estava acompanhado do chefe de segurança do condomínio.

- Muito prazer, o senhor deve ser o Delegado Meireles, o capitão me informou pelo rádio que o senhor havia sido designado para o caso - disse o policial, cujo crachá informava se chamar Esturião.

- O prazer é meu soldado Esturião. Estes são Pacco, da polícia científica e Zanetti. O que temos por aqui?

- Senhor, sou novo na corporação e vi poucos crimes assim, mas me parece que podemos estar enfrentando um serial killer e esta seria a primeira vítima - Esturião falava meio que em posição de sentido e como se estivesse respondendo a um militar de maior patente.

- Relaxe, soldado, gosto de trabalhar entre amigos e não sou militar - disse o delegado, amigavelmente. - O que o faz suspeitar de tal coisa, soldado? Me conte como chegaram aqui?

- Recebemos um chamado na delegacia. Era o chefe da segurança do condomínio - e Esturião apontou para o senhor Silva ao seu lado - eles nos chamaram porque a vizinha da casa achou estranho não haver movimento nenhum há cinco dias e o cachorro estava no quintal sem água ou comida, também. A dona da casa avisa ela sempre que viaja, para alimentar o cachorro. Ela chamou a segurança e eles entraram na casa, havia uma janela aberta. Encontraram o corpo da proprietária, Catarina, uma mulher de quarenta anos, mais ou menos, na copa da casa. Está morta há uma semana, quase. Ela tinha um bilhete colado nas costas...

- Bilhete? - Admirou o delegado.

- Sim. Ainda está lá. Eles não mexeram em nada. O pessoal local já analisou as câmeras de segurança interna e um homem negro, alto, meio gordo. Foi visto saindo andando da casa, mas se embrenhou em uma trilha interna que tem aqui, onde não há câmeras, e perderam seu rastro. Ninguém vestido como ele saiu da trilha.

- Interessante. Notaram alguém com mochilas, sacolas ou algo assim, saindo da trilha? - o delegado perguntou para Silva.

- Procuramos exatamente isso, mas não vimos nada. Meus homens estão vasculhando o bosque, mas como já faz quase uma semana...

- Tiveram bastante tempo de voltar lá e dar fim em tudo.

- Exatamente, senhor - disse Silva. - Mas estamos vasculhando para ver se achamos alguma coisa.

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