Yeon Jae encarava seu reflexo no espelho do banheiro e repetia pela quinta vez duas frases, como um mantra.
- Eu não vou deixar o medo me dominar. São apenas pessoas. – Batidas na porta fizeram Yeon Jae interromper seu discurso. – Sim?
- Yeon Jae-yah, você está bem?
- Estou sim, Unnie! Já estou saindo! – Antes de sair do banheiro, Yeon Jae respirou fundo e sorriu como um encorajamento a si mesma. – Unnie, você está linda!
- Você é quem está linda! – Mi Joo respondeu enquanto recebia o abraço da menor. – Está pronta?
- Estou. Vamos?
Yeon Jae fez menção de sair do quarto, mas Mi Joo a segurou pelo braço.
- Você está bem mesmo?
Yeon Jae sorriu para tranquilizar a amiga.
- Sim, não se preocupe, Unnie, eu vou ficar bem. E se eu não ficar, sempre tem atendimento médico nessas festivais de rua.
Mi Joo riu, mas logo se conteve.
- Fico feliz que você pense desse jeito. Agora vamos, porque o caminho é longo!
As duas saíram da casa e entraram no carro de Mi Joo, que foi dirigindo, enquanto Yeon Jae se perdeu em pensamentos, admirando a vista da cidade.
O festival acontecia na Rua Yunjungno, onde o tráfego era suspenso, na intenção de que as pessoas pudessem circular livremente e desfrutar o máximo do acontecimento.
Mi Joo e Yeon Jae deixaram o carro uma rua atrás do Parque Yeouido e caminharam com os braços entrelaçados.
Quanto mais próximas as duas ficavam do prédio da Assembleia Nacional, Yeon Jae percebia que o número de pessoas ao seu redor crescia. Ela segurou firme no braço de Mi Joo, e a mesma lançou um olhar preocupado à menor, que por sua vez, optou por fingir que não havia percebido.
As duas continuaram seguindo o fluxo de pessoas e logo estavam na Rua Yunjungno. As cerejeiras pareciam saber e gostar que todas aquelas pessoas estavam lá por causa delas, e as recebiam com toda a sua graça e beleza.
- Wa! – Mi Joo exclamou, admirando as árvores. – Elas ficam mais lindas a cada ano!
Como a quantidade de pessoas na rua começou a aumentar consideravelmente, Mi Joo achou mais sensato que elas fossem para a área onde estavam as barraquinhas de comida.
- Ah, esse cheiro de comida... Vou comer tudo! – Mi Joo exclamou.
- Wa, você parece uma baleia azul! Tem que comer oito toneladas de comida por dia se não morre!
Mi Joo ficou boquiaberta, fingindo estar ofendida e depois fez uma expressão pensativa.
- Yah, como você sabe quanto uma baleia azul come?
- A internet pode ser usada pra aprender coisas, sabia?
Mi Joo riu.
Enquanto as duas se dirigiam para a área onde ficavam as barracas de comida, passaram em frente ao palco que estava montado para as apresentações musicais que ocorreriam mais tarde.
- Espero que esse ano tenha mais grupos pop se apresentando. – Disse Mi Joo.
- Eu já disse que você deveria participar de audições pra entrar em algum grupo.
- Não sei se eu tenho o que é necessário... E além do mais já estou velha para começar uma carreira agora!
- Talento você tem, e se ficar pensando que não tem ou que é velha demais, nunca vai chegar a lugar nenhum!
- Tá bom! Tá bom! Não fique brava comigo! Eu participarei de todas as próximas audições!
- Muito bem! E quem sabe você não fica amiga de alguém de algum grupo hoje?
Mi Joo riu.
- Acho uma ótima ideia! Yah! Odeng**! – Mi Joo exclamou, apontando uma barraca que vendia iguarias. – Yeon Jae-yah, venha!
Mi Joo seguiu rapidamente em direção à barraca e Yeon Jae seguia a amiga alguns passos atrás, olhando a paisagem ao redor.
Yeon Jae voltou sua atenção para a barraquinha para a qual Mi Joo tinha corrido e não viu mais a amiga. Um pequeno grupo de pessoas estava em frente à barraca, e quando Yeon Jae olhou ao redor, viu que o número de pessoas perto dela havia crescido sem que ela notasse.
- Mi Joo Unnie! – Yeon Jae olhava para os lados, tentando identificar algum rosto no meio da multidão. – Seol Mi Joo! – Ela desviava das pessoas desesperadamente. – Seol Mi Joo! – Yeon Jae começou a sentir-se zonza. – Seol Mi Joo! – E então ela sentiu que não conseguia mais gritar. – Seol... – Yeon Jae sentiu suas pernas fraquejarem e ela cambaleou, esbarrando em várias pessoas. Ela fechou os olhos e suas pernas involuntariamente se flexionaram.
Yeon Jae esperou o choque do seu corpo contra o chão, mas ele nunca veio. Ela sentiu que algo a apertava, mas era melhor do que beijar o concreto.
Na esperança de que ainda pudesse ser ouvida, Yeon Jae sussurrou:
- Seol Mi Joo...
E então perdeu os sentidos.
* Butkkot (벚꽃): costume tradicional de contemplar a beleza das flores de cerejeira.
** Odeng (오뎅) ou eomuk (어묵): bolinhos de peixes no espeto.
ŞİMDİ OKUDUĞUN
Like a Cherry Blossom
Hayran KurguKim Jong Dae tem um sonho. No Yeon Jae tem uma fobia. Ambos se encontram em situações em que precisam de muito apoio. Porém eles não esperavam encontrar o apoio necessário em completos desconhecidos.
