Capítulo 1

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" Ajik nan neol ijji mot hago

Modeungeo da midji mot hago

Ireohke neol boneoji mot hago, oneuldo."

(Ainda não te consegui esquecer

Ainda não consigo confiar em nada

Até hoje, não te consigo deixar ir.)

Senti o silêncio em volta de mim, abri os olhos e olhei-me no espelho, sentada no chão da sala. Totalmente sozinha.

Enchi os pulmões de ar e deixei a voz sair o mais alto que consegui.

" Ireohke nan tto

Ijji mot hago

Nae gaseum soge, kkeut naji anheul

Iyagil sseugo isseo ~

Neol but janeulge

Nohji anhgeulge

Kkeut naji anheun neowa, naya iyagi sogeseo

Oneuldo in fiction ~ "

( Assim de novo

Eu não te consigo esquecer

Eu escrevo a história

Que nunca terminará no meu coração ~

Eu vou esperar por ti

Não te vou deixar ir

Até hoje, a minha história contigo

Não acabou, na ficção ~ )

O som da nota mais alta ecoou por toda a sala fazendo-me parar, suspirar e encarar o chão com um sentimento estranho que me inquietava o coração. E, novamente o som daquele silêncio ensurdecedor que me fazia querer gritar de raiva.

Ouvi vozes no corredor do outro lado da porta.

Voltei o meu olhar de novo para o imenso espelho que cobria a parede da sala e levantei-me antes que pudessem abrir aquela porta.

- Yah, yah, mas eu sou um gajo fixe. - olhei na direção das vozes que agora preenchiam a sala.

Sorri já querendo chorar. Puxei as minhas leggings para cima, ajeitei a camisola e virei-me para eles.

- Ahram. - arranhei a garganta para que me percebessem.

Rapidamente o silêncio tomou conta do local, uma e outra vez.

Meu Deus.

Olhei-os com saudade.

- Não pode ser...- finalmente alguém quebrou o silêncio e no segundo a seguir fui apanhada num abraço forte e quentinho.

Eu não queria, mas é tão difícil segurar. Chorar sempre foi algo que eu consegui controlar muito bem, mas quando passas horas da tua vida onde a única coisa a que te dedicas é a tentar não te descontrolares, é quase impossível não cederes.

Isto é tão bom, eu tinha-me esquecido desta sensação.

Porque é que vos deixei, hum?

- E-eu, e-eu. Eu tinha tantas saudades vossas. - agarrei-me a eles sem aguentar mais e desabei ali mesmo.

Senti as mãos deles apertarem com força o tecido fino da minha camisola e afundei a cara no peito deles, abafando o choro exageradamente alto que ameaçava sair a correr de dentro de mim.

- Eu juro...eu tinha.- afastei-me e tentei olhar nos olhos de cada um.

Eles viraram os rostos disfarçando um sorriso, para afugentar, provavelmente, a vontade de chorar. Os olhos marejados e os narizinhos vermelhinhos, eram os sinais de choro que mais se evidenciavam nas faces deles.

Reminds me .Onde histórias criam vida. Descubra agora