Capítulo Único

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Eu não sabia o que havia acontecido. Minha cabeça doía, a sala estava girando, eu estava dentro de um quarto¡ um tanto que familiar¡ cortinas floridas, a parede pintada de lilás estava desbotando, o lençol branco da cama estava no chão, mostrando que o colchão já estava bem surrado e com marcas de mau uso. O que havia acontecido? Tentei me levantar, mas uma dor insuportável em minha perna direita não permitiu.

— MAIS QUE MERDA É ESSA?

Gritei bem alto para ver se alguém estava ali para me ouvir. A resposta não veio. Tentei novamente.

— Tem alguém aí? Preciso de ajuda para me levantar!

Nada.

— Olá! Olá!

Na minha cabeça uma música tocava, e eu sabia que era só na minha cabeça, pois o ambiente estava completamente silencioso. Era um piano, essa melodia me deixava calmo, sensível e assustado e, me lembrava alguém. Tentei me levantar mais uma vez, a dor era alucinante, eu me apoiava na parede e também no criado-mudo, que estava do meu lado. Consegui. Aproveitei para ver o tamanho do machucado que eu havia feito. Levantei o short e não havia nada.

— O que está havendo?

Eu só sabia me perguntar isso, a música tocava ainda em minha cabeça, o que me deixava mais agoniado. O quarto estava todo destruído, parecia ter acontecido uma briga . A tv estava no chão, junto com o rádio e o abajur que deveria estar em cima do criado-mudo. Precisava de algo para me apoiar para pedir ajuda, não sabia o que estava acontecendo comigo. Do lado oposto do quarto havia um cabide, seria nele que eu me apoiaria. Dei um impulso bem forte em meu corpo para chegar até ele, minha perna queimava de dor, sentia como se ela estivesse quebrada ou algo assim.

—A dor é só algo psicológico, a dor é só algo psicológico...

Repeti isso umas dez vezes, vi isso em um programa de tv uma vez, parece que eles se enganaram. Apoiei-me no cabide que não era tão grande assim e fui até a sala. Parecia que um furacão havia passado por aqui, tudo destruído, desde o rack até os quadros que enfeitavam as paredes da sala. Havia algumas cartas no chão e uma caixa próxima a elas. Não queria me abaixar, estava com medo de piorar minha dor. Li um pouco de uma delas em pé mesmo, dizia algo como: "Eu sempre amei o Roger, mas ultimamente ele tem agido estranho..."

Eu agia estranho? Por qual motivo? Quem escreveu isso? Olhei para outra carta que dizia: "Passamos um dia agradável sentados na beira do lago alimentando os patos... Droga, ele só sabe pensar em minha doença..." Isso tudo não me esclarecia nada.

— Culpado!

Escutei isso do segundo andar da casa.

— Quem está aí?

Meu coração batia freneticamente, eu nem sabia dizer o por que. Eu não podia subir as escadas por causa da perna machucada . Fui até a cozinha e a copa, estavam intactas, não havia sinal de uma briga ou algo assim. Havia um bilhete na geladeira "Fui à rua fazer compras, não se esqueça de tomar o remédio".

—TRAIDOR!

Mas quem é o maldito que está gritando?

—QUEM É? O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

Fui até a sala novamente, agora eu já conseguia mancar um pouco mais rápido. Parei e me deparei comigo mesmo em um porta-retratos, estava sorrindo junto de uma mulher loira de cabelos curtos ao estilo chanel, muito bonita por sinal.

—Quem está aí? Por favor, me responda, preciso de ajuda!

Estava cansando daquilo, olhei pela janela e o tempo estava nublado e meio enevoado. Fui até a porta e vi que ela estava muito bem trancada, haviam cadeados e trancas por toda a parte. Senti-me desesperado, queria sair dali, queria ver qual era o problema na minha perna. Estava na hora de subir as escadas. Apoiei-me em meu cabide e no corrimão de madeira para subir. Eram quinze infinitos degraus, mas cheguei. O corredor do segundo andar da casa também estava intacto, a casa era pequena, só haviam dois quartos e um banheiro, a parede era de um tom verde musgo bem cafona. Segui para o banheiro.

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⏰ Last updated: Feb 02, 2017 ⏰

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