Eu me lembro
De como você estava sentado em meu colo naquele dia, as mãos passeavam por minhas costas e os lábios molhados distribuíam pequenos beijos em meu pescoço.
Eu me lembro de suspirar e dizer baixinho seu nome, o que ocasionou em uma risadinha de sua parte, particularmente, eu odiei essa risadinha. Afastou-se e me encarou, tínhamos essa mania; permanecer em silencia e observar um ao outro, era nosso joguinho, em busca de algo novo, algo que ainda não tínhamos notado, um outro detalhe para guardar, naquele dia, eu não consegui achar nada, mas você jurou ter achado uma nova sarda, logo abaixo da minha bocheche esquerda.
Eu me lembro daquele som, batidas contra a porta de nossa casa e em seguida a campainha. Você sorri para mim e nos sela outra vez, antes de levantar. Me olha bravo pelo tapa recebe na nádega esquerda e ignora, seguindo a porta. Eu permaneço ali, enquanto vejo pelo espaço aberto assinar algo e em seguida agradecer ao carteiro. Estava com uma carta em mãos e ao passar os olhos, suas sobrancelhas se unem. Vejo como rasga o papel, aflito e em como devora o que está escrito.
Eu me lembro, Hoseok. Seus olhos perderem a cor de chocolate que eu tanto amava, enquanto o papel deslizava de suas mãos indo de encontro ao chão. O sorriso que parecia ser fixo aos seus lábios já não estava ali. Pergunto o que aconteceu, você está paralisado no lugar, me levanto e antes que que eu tente descobri o que acaba de ler, você se joga contra o meu pescoço, soluça a primeira vez, logo sinto o líquido quente molhando minha clavícula desnuda.
"Você foi convocado" sussurra tremulo, afasta o rosto tomando o meu em mãos, me beija desesperado e eu não tenho o que fazer, o que dizer, não tenho qualquer reação.
Não há um dia em que eu não me lembre, de como fizemos amor aquela noite. Você deixou as cortinas abertas, nós dançamos acima dos lençóis durante toda a madrugada. Sempre achei que era baboseira, todo o seu romantismo, mas ali, abaixo de você, vendo seu corpo se movimentar e como a cabeça caia para trás e um novo gemido lhe escava, vendo você pedir por mais de mim e, por fim, gritar o meu nome com todas as forças; eu finalmente entendi o que você dizia, porque nem mesmo as estrelas acima de você brilhavam mais do que seu olhar. Poderia passar anos com aquela imagem, as marcas que deixei por seu tronco, as bochechas coradas e testa brilhando com alguns cabelos rebeldes grudados na mesma. Não sei quantas vezes lhe disse o quanto era lindo, apenas que não era o suficiente.
Eu me lembro do que lhe disse no aeroporto, minha mala ao nosso lado e nossas mãos juntas. Podia ver as lágrimas brotarem, podia ver também você a segurando-as, sempre tão forte. Em nenhum dos dias eu deixei de repetir o que lhe disse.
"Eu prometo voltar."
Eu me lembro de como eu quis estourar aquela porra de janela e dar um jeito de descer do avião, pois logo a frente, você balança o braço, acenando do outro lado daquele enorme vidro, eu me lembro de como seu rosto estava banhado.
Me sinto estupido por ter cogitado não ter mais nada, por momento em que me senti sozinho, afinal, eu nunca estive. Em qualquer lugar, em todos os momentos você esteve lá. Seja pendurado em meu pescoço, a corrente que carrega nossa foto, eu me lembro claramente de você me fazer pagar o triplo do valor ao dono do parque, e do seu sorriso ao sentar naquela merda de elefante azul; a pessoas te olhavam feio, elas não entendiam que você só tinha o corpo de homem, era na verdade um menino, o meu menino. E, no final daquele dia, eu te fiz ir na roda gigante, mesmo sabendo que tem medo da própria sombra. Lá no topo, enquanto você apertava o meu pescoço e me olhava nos olhos, por trás do medo, eu tinha a certeza de que era amor, eu também já te amava a muito tempo. Ou quando estávamos patrulhando e encontrávamos qualquer tipo de fruta, era inevitável não pensar em você, pois você é como uma salada delas.
Eu me lembro do pior dia em que estive ali, estávamos no acampamento, metade dos homens já haviam saído. Foi tão rápido que não sei dizer de onde começou. Apenas encarei Haejoon, o cara da cama de cima, ele tinha os olhos assustado e eu não duvido que estivesse pior. Por todos os lados, rebeldes invadiram o dormitório, nós só ouvimos os primeiros tiros, não tínhamos armas ali, nem nada que pudesse ao menos nos dar esperança ou uma chance de nos salvar. Joon olha para os lados e eu não sei como, no instante seguinte estava em minha frente e no outro nos dois estávamos no chão.
Eu me lembro de pensar em você em cada milésimo de segundo, meu peito queimava assim como meus olhos. Haejoon não se movia, mas eu o ouço dizer: "feche os olhos. ". Engulo o choro, ele ainda está sobre mim, seu corpo pesa e me faz sentir calor, eu obedeço ao seu pedido e então apenas escuto. Tiros e mais tiros, até que reste apenas o silêncio e então mais alguns tiros, em intervalos de tempos.
Eu me lembro dos sons dos sapados ao lado da minha cabeça, de como esperei pelo o que vinha.
Eu me lembro de pensar em você.
Eu me lembro de repetir mentalmente que te amava.
Eu me lembro de pedir desculpas em mudo.
Eu me lembrei de cada segundo que passei ao seu lado, de como você insistiu e não desistiu de mim; de como tentei inutilmente te afastar e de como você me abraçou, mesmo que por diversas vezes a força; de como você ignorou quando fui rude e de como não se importou quando não conseguir dizer as três malditas palavras, durantes aqueles poucos segundos até aqueles passos começarem a se afasta, eu sabia do porquê, de mesmo no extremo de medo ter lembrando de você.
"Eu te amo" sussurro e vejo a confusão em seu rosto, não é como se estivesse em dúvida, eu sei que não. Compreendo fui desesperado em largar minhas coisas assim que te vi no meio de tantas pessoas. Mas eu precisava te dizer isso. "Sério, eu te amo pra caralho, Jung Hoseok" você sorri, e solta aquela risadinha; naquele momento eu a adorei. "Eu te amo" repito pela terceira vez antes de juntar nossos lábios. Praguejo depois que falta oxigênio em meus pulmões e provavelmente nos seus também, não por ter de me separar, eu ainda teria muito de seus beijos, mas por não ser tão forte quanto você e segurar as lágrimas.
Me sento desabar em seus braços e chorar como um bebê ali no meio daquele aeroporto, você me acolheu como eu sabia que faria, me disse coisas bonitas e cuidou de mim. Eu não estava chorando por tudo o que tinha passado, o que me corroía por dentro era ter você ali. Desde que entrei no avião de volta até o momento em que te vi; Deus!
"Está tudo bem agora, Yoongi". Você diz, me deixa ali, secando o rosto com as costas das mãos, volta com minha mala em mãos segundos depois.
Balanço a cabeça e deixo que entrelace sua mão vazia a minha. Antes que me puxe ao seu lado, digo um última vez: "Eu amo você." E recebo em resposta "Amo você, vamos pra casa."
Eu não precisava mais me lembrar.
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Eu me lembro
FanfictionEu me lembro de pensar em você. Eu me lembro de repetir mentalmente que te amava. Eu me lembro de pedir desculpas em mudo.
