| PRÓLOGO |
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A festa zunia no andar de baixo. Não estava bem certo de como viera parar no sótão e porque havia uma garota me segurando pelo colarinho enquanto beijava outro cara. Ela fez menção para continuar a fazer aquilo com a língua na minha boca, mas eu sutilmente dei o fora. Não era particularmente um entusiasta no que se dizia respeito a beijar totais desconhecidos.
Cambaleei para fora do armário no corredor, estava quase tonto demais para descer as escadas. É isso que acontece quando seu corpo consegue se embriagar com uma quantidade ridiculamente baixa de álcool, mas, para minha sorte, alguém me segurou pela camisa antes de eu rolar pelos degraus.
— Aqui não é o lugar certo para tentar suicídio. Testemunhas demais.
A garota apontou para o baixo e eu assenti, mesmo sabendo que deveria negar aquilo. Esqueci como se falava olhando para ela. Sinceramente, eu sabia que a conhecia, só não me lembrava de como e por que eu nunca havia dado em cima dela. Ela era fantástica. Cabelos loiros e olhos verdes como o de um gato, acho que deveria ser sardenta, mas escondia tudo embaixo da maquiagem.
Ela me olhou com simpatia e um pouco de pesar, talvez acreditando mesmo que eu não estava prestes a quebrar meu pescoço apenas acidentalmente. Ela me deixou, então. Sumiu na multidão. Demorei vários segundos para me mover e tentar encontrá-la novamente; perguntar, pelo menos, como se chamava e onde poderia vê-la de novo. Procurei em todos os cantos, perguntei para várias pessoas diferentes se haviam visto uma loira bonitona com uma jaqueta militar cheia de bottoms, e a resposta era sempre não. Comecei a me perguntar se não estava delirando quando a vi. Estava sentado em um canto, desanimado, segurando a cabeça com os braços pousado em meu colo quando vi outra cabeça se movendo pela multidão.
Suspirei. Essa eu conhecia muito bem, e era ela que iria me dar a carona para casa essa noite. Ainda estava grogue, então tive dificuldades para seguir Cameron e não consegui alcançá-lo antes de que se trancasse no banheiro. Não sei quanto tempo demorou, eu fitava o copo que nem me lembrava que estava segurando. Talvez alguém tivesse colocado ele na minha mão em algum momento que não percebi. De qualquer forma, fui burro o bastante para dar um gole naquele treco.
A bile subiu pela minha garganta na mesma hora, sabia que ia vomitar. As pessoas ao meu redor notaram e imediatamente começaram a rir enquanto eu lutava contra a repulsa e me encolhia segurando a barriga. Alguém mirou o flash da câmera na minha direção e eu sabia que seria a mais nova piada da internet na manhã seguinte. Tateei desesperadamente até achar a maçaneta que me levaria até uma privada. Eu esperava mesmo que Cameron estivesse com ela desocupada ou eu teria que vomitar na pia.
Eu não esperava que a porta estivesse mesmo destrancada ou que encontraria a cena que se seguia ali dentro. Para o choque coletivo, ele não estava sozinho ali dentro... estava em frente, e de joelhos, à um Nash Grier com as calças abaixadas. E sim, a boca de Cameron estava bem ocupada. Demorou dois segundos para eles notarem a movimentação. Tudo que consegui pensar foi que, pelo menos, a privada estava livre. Mas não deu tempo. Cameron se levantou e, consequentemente, bloqueou o meu caminho. Acabou sobrando para sua camisa branca e para a jaqueta de baseball.
Eu recuei, chocado demais para fazer qualquer outra coisa além de encará-lo. Nash passou por mim como um raio, desaparecendo em meio aos corpos. Quando me virei, fui cegado pelo flash da câmera que – graças a mim – também tinha registrado esse momento. Ouvi uma vaia segui-lo até a saída, várias pessoas começaram a gritar coisas como "bicha" em coro, que pioraram, e muito, quando Cameron deu as caras na multidão, seu rosto era o retrato da vergonha e do terror.
Ninguém encostava nele, enojados com o resto do meu almoço preso em suas roupas; mesmo assim ele se encolhia... eu nem conseguia imaginar o que ele sentia, posto sob os holofotes, sua sexualidade atingindo como um tapa na cara a escala social da escola. Afinal, ele namorava a garota mais gostosa, foi o rei do baile de boas vindas e era o capitão do time que estava na liga estadual. Foi um tapa na minha cara também, seu melhor amigo, que não fazia ideia de nada disso.
Ninguém pareceu interessado em me filmar depois disso, então eu escapei para fora. Fui andando para casa.
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Clouds (Shawn Mendes)
FanfictionA percepção de que você ignora a maior parte das verdades básicas é devastadora. Eu não queria permanecer no escura, mas também não desejava que me desse conta disso enquanto - e porque - estava enterrando meu melhor amigo, o qual tinha escolhido es...
