SARA
Sentia como se cada respiração minha era contada, um presságio para a minha morte. Minhas mãos tremiam incansavelmente, não conseguia acalmar nem meu corpo nem minha mente; eu vou morrer aqui! Apoiei minhas mãos na parede para tentar me levantar, mas minhas pernas estavam fracas. Eu era fraca...
Eu não sei por quanto tempo eu já estava aqui, não tenho nem ideia quando é dia ou quando é noite. Eu não tenho ideia de onde estou! Estou presa em um quarto, sem comer há tanto tempo que eu nem me lembrava o gosto da comida da minha mãe. Eu nem sentia o ar puro, somente esse cheio de mofo que fazia meu estomago embrulhar. Eu não conseguia respirar fundo, as vezes eu não conseguia nem respirar!
Não importava para onde eu olhasse ou o que eu tateasse, não havia nada ali. Nada! Estava completamente escuro e eu estava perdida!
Comecei a chorar de novo, meu rosto nem secava de tanto que eu chorava. Me sentia imunda! Eu era capaz de sentir os vermes e insetos nojentos rastejando pela minha pele, me devorando. Picada por picada iam me bicando, mordendo e devorando minha pele. Arrancava eles da minha pele tanto quantos conseguia com minhas unhas, e ao puxá-los, sentia como se estivesse rasgando minha própria pele.
A dor na minha barriga era excruciante, como se meu estomago estivesse devorando a si próprio com dentes de navalha. Eu escutava esses sons, não sabia se vinham do teto ou da minha imaginação, e eu gritava por ajuda. Gritava até ficar rouca, até sentir o gosto de sangue na minha boca e não conseguir mais falar.
Por favor, por favor meu Deus! Me tire daqui! Alguém, por favor, me tire daqui!
— ME TIRE DAQUI!
EDMOND
O suor escorria pelo meu rosto mesmo que a noite estivesse fria. A essa era, apenas eu estava no cemitério. Sozinho com uma pá, uma enxada e meu crucifixo. Eu particularmente não acredito em espírito ou fantasmas, no meu ramo de trabalho não é muito producente ter essas crenças. E ainda por cima, eu acredito somente em Deus.
O som de animais e das árvores era o que preenchia o local além das minhas exasperadas respirações; eu tinha que terminar essa cova antes do amanhecer. De dentro do buraco da cova, olhei de um lado para o outro e enfiei a pá na terra.
Mas ela não perfurou fundo no solo, bateu contra algo que estava enterrado ali e o som distinto da madeira perseguiu minhas batidas seguintes. Continuei desenterrando a cova, curioso para saber o que estava guardado tão profundamente naquele solo que sempre me pareceu intocado.
Na medida em que o montante de terra esvaia-se eu conseguia ver eu conseguia ver uma tábua de madeira; estava aos meus pés, com grossas raízes escuras sobre ela. Era estranho, não havia árvores ou qualquer vegetação por perto que explicasse isso.
Agachei-me e comecei a puxar as raízes, mas pareciam fortemente ligadas no solo, como se prendessem a tábua ali. Que estranho... Peguei meu canivete, e comecei a cortá-las. Uma a uma, elas abandonaram a madeira e ciam secas ao lado. Quando finalmente livrei-me de todas e o olhei para o céu, senti um tremor.
Quase caí de joelhos, e quando olhei para baixo na madeira, percebi que, na verdade, a tábua sob meus pés tinha levantado. Me posicionei o melhor que pude dentro da cova, para o lado direito da madeira, perto da escada e puxei a tábua para cima.
Eu não estava surpreso quando aquela caixa, apesar do formado, tinha se revelado ser um caixão. Este era um cemitério muito antigo. Havia um corpo lá dentro, decomposto de uma forma inimaginável, eu nunca tinha visto nada como aquilo. O corpo parecia carbonizado, estava negro, mas não havia mal cheiro ou larvas, mesmo que eu pudesse perceber ainda o que parecia ser resquícios de músculo no corpo. O cadáver até tinha cabelo!
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TOC... TOC... TOC...
Short StoryUm assombroso destino liga a vida destas três pessoas: a filha de um mercador que está desaparecida, o Padre da cidade e o coveiro que trabalha para a igreja. Se você acredita em Deus, vai perceber que ele não estava olhando para eles naquela noite.
