O vizinho da casa ao lado

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- NELS! Abaixe isto meu filho.

Ela bateu na porta.

- O que foi mãe?

- Você vai perturbar os vizinhos querido.

Abaixei o som pra poder ouvi-la melhor, eu gostava de tocar guitarra no volume máximo, beirando as explosões das janelas da casa inteira, sorte minha que Silvia não estava em casa, pior do que ter uma irmã, era ter uma irmã mais velha e mandona.

Fui até a janela observando a rua parada, havia algumas pessoas conversando no gramado da casa da frente, mas fora aquilo nada de anormal.

- Qual é mãe...

- Nels, você já fez suas atividades?

Revirei os olhos, ela insistia em me tratar como uma criança de oito anos.

- Eu tô na faculdade, ninguém mais manda atividade pra casa.

- Pois estão errados quanto a isto.

Ela começou a catar meus livros do chão. Depois que Silvia foi morar sozinha mamãe se viu na obrigação de me observar 24 horas por dia, aquilo não era nem um pouco confortável. Ela sempre estava me ligando, perguntando onde eu estava, com quem estava, e fazendo o que.

- Não quero que irrite o senhor Nixon. - ela disse.

- O senhor Nixon ainda mora aqui?

Eu era um daqueles adolescentes que não conhecia a própria vizinhança, não me culpava, apenas passava a maior parte da minha vida fora de casa.

- Sim Nels, por favor, não faça barulho.

Cocei a cabeça querendo negar, ainda não havia terminado o solo.

- Tudo bem mãe. - e assim deixei a guitarra em cima da cama.

- Bom garoto.

Ela me abraçou. Era tão estranho quando aquilo acontecia, me sentia mimado e idiota. Nós não éramos uma família muito pegajosa, nem sempre havia beijos ou abraços, mas nem por falta daquilo nos faltou respeito ou amor, talvez eu devesse parar de besteira e abraçar meus pais com mais frequência, um dia eles iriam embora e eu não queria chorar o tempo perdido. Abracei-a de volta.

- Está tão bonito. Tão forte.

Sorri enquanto ela penteava meus cabelos negros para trás.

- O que você anda comendo moleque?

- Muita proteína. - respondi.

Sentei na cama sendo acariciado por suas mãos sensíveis, minha mãe era a segunda mulher que me dava mais carinho no mundo, a primeira era a Maurin, a minha namorada não assumida.

- Sua irmã está gravida. - falou ela de supetão.

- O QUE?!?

- Ela vai ter um bebê Nels. Você vai ser titio.

Fiquei em choque.

Silvia era precavida demais, nunca pensei que ela poderia engravidar antes dos 40 anos, ela sempre tinha aquela conversa de estrutura financeira e outras coisas chatas, a garota ainda tinha 28 anos, aquilo me surpreendeu, mas de qualquer forma estava feliz, teríamos uma criança na família e não seria eu.

- Ela disse que você pode escolher o nome. - minha mãe continuava a pentear meus cabelos para trás.

- Vou pensar em um nome legal.

Era uma noite quente de ventos fortes, ainda era cedo e eu já estava cansado do dia na escola, adorei saber que Silvia teria um bebê e que eu poderia dar nome a ele, aquilo queria dizer que ela confiava em mim para não por um nome de cachorro a criança.

A dona das estaçõesHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora