"Seja livre para fazer o que desejar"
***
Sinto o vento gelado no meu rosto, era inverno, por pouco tempo acho que posso sentir a familiaridade desse lugar. É uma pena depois de tudo voltar aqui e ser um grande cinza, sem cor e sem vida.
Mas o que eu poderia esperar? depois do Abraço tudo ficou cinza. Tudo menos o sangue vermelho que escorre da minha boca, e o resto que saí de um corpo desfalecido manchando a pura neve branca.
Ando pelas ruas de Nova Iorque sentindo a chuva cair sobre mim, não era uma chuva forte, não conseguiu tirar o sangue que eu tinha nas minhas mãos, no sentido literal; para a cidade que nunca dorme foi realmente surpreendente não ver ninguém na rua, mesmo com uma chuva amena e noite gélida; o cinza dos prédios e o negro do asfalto molhado contrastam com minha pele pálida, há quem diga que eu morreria de hipotermia pelas minhas vestes que pouco cobre o corpo, imagino que deva ser uma das piores formas de morrer.
Logo a frente há um bar, parece ter bastante movimento hoje, antes de chegar na frente dele, viro à esquerda na calçada entrando em um beco, outra coisa que me surpreende é que a essa hora da madrugada ninguém te pergunta o motivo de haver sangue em suas mãos, ou para que servem essas armas nas coxas; no beco tem uma porta a direita, ela é grande e parece muito pesada para uma garota de 1,60 m de altura, mas abre com uma simples digital, chega ser engraçado como somos tão dependentes das facilidades que a tecnologia nos oferece.
Quando a porta se abre revela um grande elevador de serviço bem iluminado, aperto o botão do terceiro andar, e quando as portas se abrem, estou em casa!
Vou direto ao banheiro, retiro os coldres de perna deixando as armas em cima da pia, o coturno preto, a calça cargo da mesma cor, e o corset tático, ligo o chuveiro na água quente e entro embaixo da forte ducha, sinto a água batendo no meu rosto e meu cabelo vai se assentando nas costas seguindo até a cintura, quando olho pra baixo consigo ver o resto do sangue que estava no meu corpo agora no piso de porcelana branca.
- Você não muda né?! - a voz rouca e ríspida me deixa arrepiada, e ele continuou me fitando na porta do banheiro: - pelo menos deveria ter conferido o sistema de segurança atrás de brechas, principalmente aquela que deixei de propósito pra poder entrar aqui quando eu quiser, e como adoro te ver no chuveiro, sugiro você consertar.
Passo a mão pelo rosto tirando a água devagar e olho pra trás pegando o celular na prateleira a minha direita, sorrio calmamente e respondo: - Eu sabia que você tinha entrado aqui...- mostro o alerta de segurança na tela molhada do celular, e mudando a tela para um mapa, digo: - Eu sei onde você está o tempo inteiro Viktor, sugiro... que você conserte. - termino de falar mal contendo o sorriso e o sarcasmo, e percebendo a feição frustrada e um homem escandinavo de 1,80 m de altura, e com cabelos loiros descendo até os ombros. Antes que ele pudesse responder alguma coisa, viro de costas voltando pra minha ducha e falo para ele sair e me esperar na cozinha.
Termino o meu banho e visto uma grande camisa branca que havia no banheiro, pego a mini-Uzi sobre da pia, respiro fundo olhando no espelho e vou para a cozinha. Ele estava na frente da geladeira aberta, e eu coloquei a mini-Uzi na bancada da cozinha onde permaneci imóvel esperando ele terminar o que estava fazendo.
Ainda de costas Viktor fala: - Peguei suas taças de vinho, vou servir pra você seu preferido, O-, espero que ainda tenha bom gosto, - fala se virando pra mim do outro lado da cozinha: - essa camisa é minha?
Mantenho minha expressão séria dizendo: - Me dê um bom motivo para eu não colocar três balas no seu lindo crânio.
Viktor vem andando em minha direção com o braço esticado me dando a taça, eu a pego e ele volta para perto da geladeira. Viktor fala calmamente: - Aos negócios então... preciso que você encontre quem invadiu o sistema da mansão, o resto você sabe o que fazer, você já tem a permissão de abate de imediato, e garanta que nenhuma informação foi, como posso dizer, comprometida.
Por um momento o silêncio predomina, eu respondo impaciente: - Eu não recebo ordens de você, então é melhor ter uma ótima quantidade de, como posso dizer, comprometimento. - e o sarcasmo ecoa pelas paredes e deixa Viktor cada vez mais incomodado. Então ele responde: - Me ofereceram um serviço semelhante por 250, se você aceitar eu dobro, relatórios semanais, missão de alta prioridade, sem interrupções ou imprevisto, preciso do trabalho pronto Chris.
Estou com a mão em cima da mini-Uzi, seguro-a firme e levo até a boca, como sinal de que estava pensando na proposta, cortei o momento de silêncio dizendo: - Pode transferir metade do seu comprometimento para a minha conta agora, quando chegar a notificação de transferência, eu começo o serviço. Ah! Em euros e nos meus termos de trabalho.
Luzes vermelhas se acenderam e as janelas e portas começaram a se fechar, isso significa que está amanhecendo, pra ser mais exata, os raios de sol já estão batendo na minha cobertura. Viktor se assusta com tudo se fechando, e em menos de 30 segundos estava tudo lacrado, digo: - Agora só resta você esperar o anoitecer, não tem como sair, pode até tentar se quiser. - Viktor franze a testa contrariado, dá pra sentir que está importunado com essa situação quando fala: - Foi eu quem te ajudou a projetar essa pequena fortaleza, não se esqueça.- vai até a sala e se joga no sofá segurando a taça em sua mão, dizendo: - Então, vamos jogar cartas?!.
Sorrio abrindo uma gaveta abaixo da bancada da cozinha, pego o baralho e uma garrafa de Whisky, já separada para uma ocasião como essa, falo para Viktor: - Black? - ele me responde assentindo com a cabeça. Vou até a sala levando o baralho, a garrafa e copos, me sento no chão colocando as coisas na mesa vazia no centro da sala, digo: - Poker?! - Viktor me responde: - Está querendo mesmo perder feio. - termino o conteúdo da minha taça e abro a garrafa, dou um sorriso malicioso e falo: - Eu quero tomar o seu dinheiro, vamos apostar alto, te deixo fazer a primeira proposta!
Ouço a gargalhada de Viktor animado com a ideia, mas ainda estava com um ar incomodado, talvez seja de sua personalidade de poucos amigos que faz com eu tenha a impressão que vamos nos enfrentar a qualquer momento, não importa de que forma. Ele senta no chão com as pernas cruzadas a minha frente, o faz sem perder seu ar de soberania e diz: - Como você não tem nada material que eu queira, eu vou jogar por você, eu quero você!
YOU ARE READING
Proteger e Servir
VampireEm busca de sua liberdade, Chris terá que se livrar das amarras que nem ela mesma percebe que tem, lutando com armas e dentes contra inimigos, amigos e quem entrar no seu caminho. Nem mesmo Viktor ou Lucien a impedirão de ser realmente livre. Livro...
