1 Capítulo

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   Eu andava novamente pelas ruas da Califórnia, assim como ontem, anteontem...fazia isso há exatas uma semana e não dava em nada; Encontrar um emprego atualmente era coisa rara, ou eles não tinham vaga ou você  não tinha o perfil que eles procuravam, muito complicado. O problema é que eu estava cheia de dívidas e não tinha tempo para perder.
  Desde que fui demitida de meu último emprego, vendedora de loja de grife, as coisas começaram a dar errado para mim. Motivo da demissão? Eu só falei umas verdades na cara de uma cliente que me esnobou, dizendo com aquela voz irritante e enjoada dela que eu era uma funcionária incompetente, pobretona e morta de fome; e eu não sou de levar desaforo para casa.

  Agora podia estar muito bem arrependida pelo meu ato, mas não conseguia ter esse sentimento, não havia falado mais do que a verdade para ela. Fui demitida? Ok, tudo bem, mas eu nunca deixaria que me humilhassem daquele jeito, nunca ficaria calada ouvindo aquelas barbaridades.

No horizonte o sol já estava a posto para se pôr, e o meu celular marcava 17:30, fim da tarde, inicio da noite; mas o trânsito continuava o mesmo como se fosse início de mais um dia. Precisava encontrar um táxi vago e seguir para o meu prédio que estava um pouco distante para ir à pé, ainda mais quando eles estavam cheios de calos e doloridos.

Depois de muita tentativas um táxi finalmente parou, na minha cabeça eu achava que tinha dinheiro suficiente para paga-lo, esperava estar certa. Eu entrei, passei o endereço e ele partiu na direção do sol poente. Assim que chegasse ao prédio ainda teria que fazer de tudo para que a Dona Sonya, sindica do prédio, não me visse. Não queria ela me enchendo os ouvidos por causa do aluguel atrasado.

O trajeto todo durou cerca de 30 minutos e logo eu me vi diante do prédio alto, grande, feio e sem vida; onde morava há anos. Por sorte tinha dinheiro na minha carteira, então pude pagar o táxi antes de passar pelas grades de ferro do portão. O porteiro Silas, estava lá, sentado na cadeira de cabeça baixa dormindo como sempre, um ladrão poderia entrar ali com muita tranquilidade que ninguém notaria.

Eu passei por ele e me dirigi ao velho elevador que estava sempre dando problema, havia sido consertado pela última vez a duas semanas atrás. Apertei no 18 andar o mais rápido possível, estava exausta e podia muito bem cair na cama e dormir sem nem perceber. A porta abriu quando chegamos ao meu andar, eu olhei o corredor que se estendia pela minha frente e o outro do meu lado direito, estavam vazios e pareciam quietos; dava sinal de que tudo daria certo eu não veria a Dona Sonya naquele dia.

Isso até eu pôr a chave do meu apartamento na fechadura e ser abordada por uma voz estridente, alta e um tanto desagradável.

  -Senhorita Teresa - a voz da sindica ecoou pelos meus tímpanos.

Me virei lentamente, só para dar de cara com aquela mulher loura e magra me fitando com aqueles olhos nada simpáticos.

  -Olá Dona Sonya - eu disse sorrindo forçadamente - como é bom vê-la - eu não podia ter inventado mentira maior.

  -Olha aqui garota sem gracinhas - ela cruzou os braços - eu te procurei o dia inteiro, eu quero o dinheiro do aluguel ouviu bem?

  -Sim dona Sonya - eu respondi - não se preocupe eu vou pagar logo logo.

  -Ah e eu espero que seja logo mesmo - disse ela a voz mais alta do que o necessário - o mais depressa possível, não tenho paciência para ficar aturando morador que atrasa o aluguel.

  -Ah não! - eu cruzei os braços, a testa franzida - e a mulher do oito? Ela estava devendo dois meses de aluguel e você não ficava no pé dela cobrando. Agora me da licença por que eu estou cansada.

Eu abri a porta e entrei

  -Garotinha insolente - eu a ouvi falar logo depois de eu ter batido a porta na cara dela.

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