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Capítulo 1

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Tecer.

Era a única coisa que importava para mim.

Eu tecia para tentar esquecer a dor que Namjoon me causava. Apesar de ter a mim, ele nunca voltava para casa, deixando-me sozinho com a velha tesoura de minha mãe.

Quanto mais se corta, mais afiada ela fica.

Minha dedicação e perfeccionismo renderam-me popularidade no pequeno vilarejo situado na encosta da montanha, mas aparentemente isso também não interessa para você. Eu realmente não sou seu tipo ideal?

Mas tudo bem, eu amo você, até demais, por mais que você me machuque.

Preciso parar de me distrair, não há tempo para isso, tenho uma alfaiataria para administrar.

Uma cliente de hoje, com gentis olhos verdes e cabelo anelado, elogiou-me pela virtude e disposição confiável. Sorri para ela, mas seria muito mais feliz se você me dissesse isso.

Balanço levemente a cabeça para tentar me concentrar no meu trabalho, após cortar o dedo com a tesoura.

Quanto mais se corta, mais afiada ela fica.

Quando olho pela janela, percebo que já está escuro, estava tão concentrado que não notei.

Cozinho alguma coisa, o suficiente para nós dois e arrumo a enorme mesa.

Fico sentado esperando algum tempo, mas como você não aparece, eu como e resolvo ir dormir. Sozinho.

Acordo de manhã, espreguiçando-me e com bom-humor até olhar para o outro lado da cama, aparentemente alguém não passou a noite em casa.

Levanto-me lentamente e ando devagar até o banheiro, fico por certo tempo em transe enquanto encaro meu reflexo no espelho. Balanço a cabeça levemente para voltar ao mundo real. Esse hábito tem se tornado muito frequente para mim nos últimos tempos, desde quando você começou com essa palhaçada toda. Desde quando você decidiu que eu não era o suficiente. Balanço a cabeça novamente, e de novo e de novo. Quando é que nós nos tornamos essas pessoas?

Olho para minhas mãos e analiso o corte que eu fiz no dia anterior. O ferimento estava adquirindo um estado feio e latejava por falta de cuidados. Resolvi que iria à farmácia buscar remédios e ataduras para dar um jeito naquilo, afinal, eu precisava trabalhar.

Logo depois de tomar um café com bastante açúcar eu paro um tempo decidindo se jogo o resto do jantar de ontem no lixo ou guardo na geladeira. Opto pela segunda opção, já que você pode ter fome quando voltar. Se voltar.

Bufo com meus pensamentos e resolvo sair logo, decidindo que a solidão realmente não é uma boa companhia.

Ando distraído pelas ruas, observando as pessoas e as cores. Se elas eram tão infelizes quanto eu não sabia, pois o ser humano aparenta ter uma necessidade de provar para os outros que está bem e é feliz mesmo quando não é verdade.

E é assim, distraído enquanto jogo praga para a humanidade, que eu trompo em alguém, quase caindo no chão.

"Ei, ei, calma" diz uma voz amigável, ao que eu me viro na sua direção "Jin hyung?"

Quando me reconhece, o rapaz solta um sorriso gengival e me abraça.

"Olá, meu Yoongi-chi, como vai?" digo retribuindo o abraço e forçando-me a sorrir.

Ele cora e se afasta um pouco ao ouvir o apelido que coloquei nele quando ainda éramos adolescentes. Yoongi sempre gostou mais de mim do que eu dele, mas eu não conseguia retribuí-lo, eu tinha a Namjoon. Nunca contei isso a Yoongi por medo de machucá-lo, me pergunto se essa foi a decisão certa.

"Então, como tem passado?" pergunta ele depois de algum tempo.

"Estou muito bem, e você?" essa é a mania que eu estava crucificando a menos de cinco minutos.

"Você sabe que não" disse fechando de repente o sorriso. Isso era novo pra mim, talvez Min Yoongi fosse diferente "e você também sabe o porquê" fixou seus olhos nos meus.

"E-eu... Desculpe-me, você sabe que eu não posso."

"Eu sei que você diz que não pode, apenas isso, por que você me rejeita sempre?" diz marejando os olhos e levantando o tom de voz.

Apenas balanço negativamente a cabeça e sussurro um "por favor."

"Tudo bem" suspira acalmando-se "aparentemente eu não tenho sido um amigo tão bom assim."

Encaro-lhe tristemente, o mau amigo na verdade tem sido eu, mas como ele é uma pessoa maravilhosa, não coloca a culpa em quem ela realmente pertence, não aponta o dedo na minha cara e não desiste de mim, coisas que ele já deveria ter feito a muito tempo.

"Não" sussurro novamente, ele pega na minha mão e dou um pulo com a ferroada de dor que me causou.

"Você está bem?" diz soltando-me rapidamente e me olhando assustado de cima a baixo.

"Sim, eu só me cortei um pouco aqui" mostro pra ele o dedo ferido.

"Vem, vamos cuidar disso" ele segura na minha outra mão e sai puxando-me até a farmácia que eu estava indo antes de nos batermos.

Chegando lá ele pede alguma coisa para o atendente, e quando o mesmo traz o pedido, nós discutimos para decidir quem pagaria. Óbvio que eu não o deixaria pagar. Ele fez um bico infantil quando percebeu que havia perdido e eu tratei de apertar sua bochecha sorrindo.

"Já que você não vai me deixar pagar, deixe-me pelo menos fazer um curativo em você."

Nós conversamos bastante enquanto ele cuidava de minha mão, mas logo depois ele teve que ir. Despedimo-nos e cada um foi para o seu lado.

Estar com ele me fez bem, eu estava feliz até, e cantarolava na volta para casa. A vizinhança estava a mesma de sempre. A vida calma e tranquila. Estava passando pela rua principal quando te vi. Quem é aquele garoto próximo a você?

  ☆

Olá :)

Bom, primeiro eu quero agradecer à moça que fez as capas, o user do Twitter dela se encontra nas mesmas sz

Em segundo lugar eu queria dizer que eu realmente fiquei orgulhosa do resultado dessa fanfic e eu espero que vocês gostem também :3

Bom, tá aí

Obrigada por ler

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