Prológo

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- Sério que isso é tudo que você tem? - Disse ao meu melhor amigo, Cameron.

- Não é nem a metade, Princesa. - Ele sabia que isso me irritava com todas as forças, Princesa? Eu sou a rainha, hahaha. Brincadeiras a parte, eu sou uma guerreira, nascida no caos e criada pra viver, lutar e sobreviver nele.
O que se seguiram foram vários ataques, golpes que sempre treinamos juntos, por quê sempre estivemos unidos desde os meus 10 anos.

Há 7 anos atrás
Eu estava com uma espada, procurando o quê comer, mesmo que não fizesse idéia do que fazer com aquilo. Por anos eu e meu irmão havíamos vivido de restos que outros gentilmente jogavam na lama pra nós. Quando cheguei a esta idade, era hora de fazer umas mudanças. Roubei uma espada de pequeno porte de um ferreiro, uma espada que guardo até hoje comigo.
Aquela espada me escolheu. Assim que o ferreiro Narcisse saiu para sua caçada as prostitutas como em todo Domingo enquanto sua esposa estava cuidando da mãe doente, eu entrei em seu estabelecimento e olhei cada espada dali. Havia muitas coisas úteis, mas decidi pegar apenas uma coisa, para que a desculpa de "Acho que me enganei" servisse, seria diferente se várias coisas sumissem dali. E por um acaso meus olhos cruzaram com essa espada. Estava jogada feito brinquedo, na bagunça de "Coisas que as pessoas não quiseram". Ela era magnífica... Seu cinza escuro era misturado com suas pedras de empunho, em três cores: vermelho escarlate, azul royal e roxo tracta. Eu a peguei, e não resisti a tentação de olhar mais algumas coisas. Peguei 2 medalhões que estavam jogados, um era uma corrente com um grande pingente, um L, e o outro com o E. Isso seria útil. Meu irmão tinha que saber - eu sempre estaria com ele. Ouvi um barulho, Narcisse tinha voltado, e pelo visto, acompanhado. Me escondi e deixei que ficassem entretidos o bastante pra não me verem partir.

Mas enfim, lá estávamos nós. Eu havia escondido Erick em um dos arbustos enquanto apanhava feio pra os mais inofensivos bichos. A floresta era linda, como sempre, mas o inverno se aproximava, o que a tornou mais densa e escura. Suas árvores altas, com troncos robustos e folhas diversas. Naqueles anos eu me aventurei brincando de pique-esconde, de galho em galho com o meu irmão, eram meus momentos de alegria. E tenho que confessar, era difícil pensar que agora eu teria que matar um dos bichinhos com os quais amávamos brincar. Fazer o que? Era um mal necessário. Quando de repente, ouvi um barulho estranho, pisadas em galhos que estavam no chão, fiquei em modo de alerta, prestando atenção em cada movimento ao meu redor e orando pra que não achassem o Erick.
Me surpreendi quando um garoto da minha idade apareceu, ele era magro e alto, moreno com a cor do pecado. Seu cabelo liso era jogado pra um lado que chegava até o seu queixo, e seus olhos eram o mais belo verde que eu já vi.
- O quê você quer? - Perguntei na defensiva, naquela época eu não podia confiar em ninguém - Aliás, quem você é?

- O quê foi, Princesa? O que eu teria pra roubar de você? - Deu um sorriso desafiador e irônico, de quem não está nem aí se aquilo me irrita ou não. - Meu nome é Cameron, Cameron Alter. E o que eu quero é ajudar você.

- Não preciso de ajuda. - Eu não sabia se estava tentando convencer à ele ou à mim mesma.

- Olha, eu tô nisso há uns três anos, e poderia jurar que eu vi o esquilo rindo de você e da sua performace.

- Há, há, há. Estou rindo muito. Mas enfim, se faz você se sentir melhor.

- Okay, Princesa.

- Não me chame de Princesa! - Me acalmei quando percebi que tinha acabado de gritar - Meu nome é Luce.

- Luce...?

- Só Luce.

- Okay, só Luce. Você tem bons instintos, mas ficar bom na espada exige tempo. Tente isto - Ele tirou das costas um arco, acompanhado de uma das flechas de sua aljava - pode acabar se dando bem. Caso não funcione - Ele matou dois coelhos em um só golpe de espada - o jantar de vocês está pronto. E sim, eu sei do garoto no arbusto. Seu irmão?

- Sim, ele é. Erick, venha aqui - vi ele caminhar assustado pra fora, e o abracei - Está tudo bem. Ele vai nos ajudar, o ajude a preparar o jantar.

Enquanto isso, peguei o arco e mirei no esquilo. Podia sentir os olhos do Cameron me observando, podia sentir cada átomo no ar e cada célula do meu corpo se concentrar. Atirei, mirei na cabeça, e foi lá onde a flecha foi parar.

- Isso é o que eu chamo de dom natural! - Olhou o Cameron com uma certa admiração - Vamos nos dar bem.

Preparamos os animais e os colocamos na fogueira, e o Cameron contou o por quê estava ali. Não via sua mãe há anos por ser Dama de Companhia da rainha Mary, e seu pai estava quase o forçando a também ser um soldado do corrupto e cruel rei Henry em pró da pátria. Foi quando resolveu fugir, e cá estamos.
Quando o sono surgiu, me deitei ao lado do pequeno Erick e o abracei. Coloquei o medalhão com o L em seu pescoço, e disse:
- L, de Luce. Pra se lembrar: sempre vou te proteger, sempre vou te encontrar, sempre vou lutar por você, e sempre vou te amar. - O beijei na testa - O meu tem o E, de Erick. Pra eu saber por quem sempre vou viver, e quem sempre vai ser meu lar.

Passamos todos os dias e noites juntos, unidos, os três, lutando um pelo outro, aprendendo um com o outro, e nunca deixando ninguém pra trás.

De Volta Aos Tempos Atuais
- TA BOM! Já cansei de vocês dois - ouvi meu irmão chamar, com seus olhos azuis feito o céu, seus cabelos loiros angelicais, e sua barba crescendo. Trazia consigo uma garrafa d'água, alguns pães e frutas.

Era primavera, nos sentamos e apreciamos. O lago, o canto dos pássaros, as borboletas, as flores e os sabores. Quando a água acabou, Erick declarou:
- Vou buscar mais.

Esperamos ele se distanciar e começamos a falar:
- Você sabe quem está vindo pra te buscar - disse Cameron.

- Sei, Cam. Sem piedade dessa vez.

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