Familia

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O despertador toca com muito esforço pra acordar com essa minha cara de sono cansada da viajem, ainda deitada pensando nos amigos que deixei na Bahia, e seu novo dia na nova cidade. Hoje não seria um dia fácil, vejo a porta do meu quarto bater com força e minha irmã automaticamente pula em cima de mim gritando.

- Maria Luísa acordaaaa ...

- Oi chata, para de gritar - disse no tom preguiçoso tentei me levantar mas ela insistia:

- estamos no Rio de Janeiro, até que enfim - sorridente pra mim

Tão abusada e feliz, ela sabia o quanto essa mudança de cidade não me satisfazia. Arfei triste e ela nao media esforços pra me animar com sua teimosia.

- sai dessa bad mana, é passado nosso pai mal chegou já tem trabalho na gravadora, você vai conhecer uma galera bacana ainda e se soltar mais. Estamos no Rio de Janeiro, tem noção? duvido você ver aquele solzao e não ficar alegre você vai amar.

- eu sei... mas lá era mais legal, não consigo me adaptar mas vou tentar por eles.

Vejo a minha mãe olhando pra nós duas perto da porta e chamo ela pra um carinho maior e me pego fazendo elas rirem esquecendo o quanto eu precisava esquecer o que deixei pra trás.

A tarde toda ajudando na mudança, colocando as coisas nos lugares de modo que a casa era maior que tínhamos, os quartos eram melhores é claro que meu pai sempre quis o bom e do melhor. Comprou a casa para ficarmos a muito tempo, morar no Rio de Janeiro já tava nos planos dos meus pais e por ser cantor famoso e compositor ajudaria porque as viagens dele não era frenéticamente como antes. Existe o lado bom na história, minha família vai estar reunida. Na nossa nova casa.

Sentada no banco da frente do carro olhando a vista e como a cidade era linda, pessoas alegres, a natureza que brilhava nos olhos. Sentia que algo bom irá me trazer nesse lugar.
Minha mãe estava me levando para me matricular na faculdade. Na verdade não estava pronta para fazer tudo isso em um dia, com tanta coisa que fizemos hoje. Faculdade ficar por um bom tempo cursando cinema, algo que gosto muito e me faz me sentir viva e realizada.

Estava tão concentrada nos meus próprios pensamentos que me levou um tempo de reconhecer a música que tava tocando na rádio Dois corações - Merlim. Era uma das músicas que mais gostava de ouvir, sempre colocava para dormir.

- Por que você fez isso? Gosto de ouvir- tocar.

- Mas eu não mila, você só escuta essa música não aguento mais.

- E se abaixar o volume? eu quero escutar essa música.

- Eu não quero

- Desliga mãe, tá bom? não tô afim mais.

Minha mãe briga com minha irmã e deixa a música rolar. Olhando pela janela mordendo os lábios olhando a paisagem impaciente com a demora. Fecho meus olhos me envolvendo na melodia e meus lábios era estivessem magnetizados.

- Acho que vi a lagoa Fernando Freitas quando cruzamos a avenida- mamãe comentou tentando deixar o clima mais leve

- poxa que legal, a gente bem que poderia jogar a luna dentro e ir embora

- haha engraçadinha, to morrendo de rir aqui

minha mae nao se importou de responder essa vez. Sabe que ela é assim, aliás minha irmã sofia é muito chata, e é legal quando quer alguma coisa.

- voce conseguiu dormir um pouco pelo menos da viagem camila?

- tirando o desconforto que saimos do lugar que estávamos muito bem, fora isso estou otima.

o olhar da sua mãe fixo olhando pra estrada.

- fico feliz que está bem e que tenha devolvido seu bom humor. Já conversamos sobre isso, estamos chegando.

Maria Luísa estourou chiclete. Sua mãe odiava isso, assim na hora ela parou.

Apesar da viagem, eu ficaria feliz de ver minha mae bem agora, família juntinhas era tudo que ela mais queria. Ela nao era o tipo de mae que gostava de conversar no carro. Não gostava muito de dirigir, preferia pegar taxi quando precisava ir algum lugar. Até com as turnês de papai ela ficava em casa se afundava nos trabalhos quando saia sempre, pedia o zelador ajuda. Tudo bem que pra ela deve ser difícil nao ter o marido por perto e ser distante no papel de mãe. Mas ela é generosa, se esforça pra dar o bom e do melhor pra nós. E por ser mulher de artista nunca dependeu de qualquer coisa, até porque ela é independente em tudo que faz, batalhadora e honesta. Entramos juntas na coordenação para assinar os papéis da matricula, sofia como sempre falando besteiras e de meninos.

- essa faculdade tem uma estrutura bacana

- bacana é os boys que aqui tem, olha aquele ali mds...

- ah me poupe sofia - caminhei rápido avistando minha mãe conversando com alguém só o som da voz dela deixava de lado

- me espera menina... voce tem que fazer amizades eu posso te ajudar se voce quiser

- para ta? nao sou obrigada a escutar o dia todo voce falando de macho ou querendo falar o que devo fazer ou nao.

- por que voce nao fala essas coisas comigo? voce é muito fechada. voce é minha irma.

- somos diferentes em todos os sentidos

- eu to percebendo isso... muito tempo por sinal

- ótimo!

Legalmente falando, tenho idade suficiente para tomar minhas próprias decisões vamos combinar que ninguém gosta quando alguém opina sua vida, sei que essa parte eu sou muito reservada. Ter uma irma é como se tivesse uma parede porque da minha vida intima ela nao sabe o terço, mas demonstra que eu tenho algo a esconder. De fato eu tenho, desde a infância passei uma boa parte tentando entender o por quê mulher me chamava atenção, sei no inicio é perturbador não saber quem voce é, só piorava quando chegou na minha adolescência. Tinha uma amiga chamada Roberta que acabamos nos beijando por impulso e eu gostei. De lá até cá só foi firmando quem eu era. Sou Gay. Mas nunca tive coragem de abrir isso com minha família, sempre quando achava o momento certo eu fugia. E ultimamente fico mais centrada se caso elas souberem ótimo, ja acaba com isso de vez. Mas de uma certeza eu tinha, se eu mudei de cidade a minha vida inteira vai mudar e vou me permitir pra isso.

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⏰ Letzte Aktualisierung: Jun 30, 2020 ⏰

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