Prólogo

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Uma vez na vida, tudo me pareceu estar no lugar. Por certo tempo, vivi sem saber a verdadeira definição de dor, até senti-la.

O mundo ganhou repentinamente um aspecto acinzentado, negro.

Me vi sendo contaminada por sua escuridão, que me consumia cada dia mais.

Pudera eu, regressar no tempo?

Confrontar a minha realidade não me era cabível, embora, fugir dela era algo utópico.

A vida te prega peças, nos traz momentos de felicidade que na maioria das vezes são efêmeros, e logo trata de expor o seu polo oposto: A dor.

Aprendi a conviver com o fato da felicidade manter-se longínqua e passei a aceitar as condições que me foram impostas, mas a expectativa de acabar com a minha aflição nunca fora desvencilhada.

Possivelmente, o antídoto para aliviar o sofrimento seja amenizar a infelicidade de outra pessoa, corações amargurados tendem a se compreenderem melhor.

Haveria alguém capaz de transformar a minha angústia em alegria?

Juntos então, poderíamos descobrir o real sentido de estar vivo?

Ser feliz? Amar?

Talvez sim, mas provavelmente, viverei até o meu último suspiro, sendo afogada na minha própria desgraça.




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