Entende-la era um desafio e tanto, apesar de chorar no meu ombro dizendo que estava sofrendo por amor, seu interesse era somente em compromissados, sendo ela livre para escolher qualquer um. Desde a adolescência conseguia provocar sem muito esforço, qualquer tipo de olhar era voltado a ela. Enquanto eu, era invejado e aclamado por ser seu confidente, me alegrava ser aquele que levava a luz quando ela estava presa na escuridão.
Em seu primeiro casamento, não tive como recusar ser o padrinho, mas o que me confortava era ter certeza que não duraria. E eu estava certo, e nos seguintes também. Apesar da fortuna que ela herdou, não me excluiu de sua vida, estar perto dela e de seus filhos foi suficiente pra mim, por alguns anos.
— Sandra, amo você! — por um instante ela me olhou com a boca entreaberta, e logo formou um sorriso e reproduziu um som familiar, as gargalhadas que eu adorava, estas que demoraram de cessar.
— Meu amigo, se tivesse dito isso há uns quinze anos, não seria engraçado como agora!
Receber um olhar de garoto caprichoso foi difícil, mas precisava toca-la para talvez assim transmitir seus sentimentos. A envolvi em um abraço, quando parou de resistir pude faze-lo de forma adequada. Mas ao notar que ela nada respondeu, me concentrei em tudo que estava acontecendo e percebi que o abraço foi mais intenso que o planejado. Tive a visão de minhas mãos firmes em seu pescoço. Ao observar o que fiz, minha reação predominante foi de alívio, finalmente ela era só minha.
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Feiticeira
Short StoryAs consequências de ignorar que enfeitiçou aquele que sempre está ao seu lado podem ter grandes proporções, mas vindo de uma mulher tentadora, não se pode esperar menos que um resultado desastroso.
