Uma vida atropelada

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Assim que a forte chuva passou, Haylor e Vicent saíram debaixo da tenda de uma pequena lanchonete no centro de Londres. Haviam acabado de ganha do dono do estabelecimento dois deliciosos X-burg e duas garrafas de 500 ml de refrigerante, sempre que Lincoln precisava do serviço de limpeza do local tratava logo de chamar esses dois. Nenhum empregado da lanchonete queria fazer este tipo de serviço e o dono também não estava nenhum pouco disposto a pagar, afinal seus empregados acabariam cobrando mais do que ele gostaria de pagar.

Haylor e Vicent estavam sempre rodando o local em busca de comida ou algum serviço, desde que fosse honesto, que rendesse uma graninha. Lincoln não pagava muito, mas pelo menos fornecia comida e tratava os dois de forma até amigável, apesar de serem mendigos e sofrerem muito com a discriminação de grande parte da sociedade que os viam como meros preguiçosos e ladrões.

Andando pelas ruas sem destino certo, Vicent se divertia ao ver Haylor saborear sua comida. Ah que garota fantástica! Pensou ele quando a viu esboçar um sorriso ao ver uma jovem com um lindo bebê saindo de uma loja. Há exatos oito anos ele a viu pela primeira vez. Ela estava caída numa parte afastada de uma floresta, suas roupas estavam sujas, seu rosto machado de sangue. Ele logo pensou que a criança havia se perdido dos pais e que tentou correr para pedir ajudar, mas infelizmente não havia conseguido. Porém ferimentos como aquele só podiam ser adquiridos se levasse uma boa surra. Mas quem havia batido numa criança? Que monstro teria esse ataque de loucura e bateu em um pobre anjinho como aquela menina? Vicent não sabia, mas com certeza não era uma pessoa boa.

Quando acordou a menina estava assustada. Seu corpo frágil contorceu-se no pequeno papelão onde estava deitada. As dores eram fortes, mas ela precisava aguentar e aguentou. O pobre homem tentou de diversas maneiras chama sua atenção, porém nada conseguiu. Levou meses até que ela viesse a dizer algo. Um simples obrigada, foi o que ele ganhou e mais nada. Quase um ano na companhia de Vicent ela começou a se relacionar mais com ele. Conversava poucas palavras e até chegou a rir, por um simples momento mais deu um sorriso.

Todo o jeitinho doce daquela pobre criança foi aos poucos conquistando o coração mole de Vincent, e hoje ele a considera como uma filha e já não sabe viver longe dela. Não tardou muito para que a beleza de Haylor fosse sendo notada e os olhares pairando em seu corpo escultural foram ficando cada vez mais evidente, logo os dois estavam fugindo de um lugar para o outro tudo para evitar confusão, para evitar na verdade um provável atentando contra Haylor.

Nos últimos anos os dois vivam em fuga constante. Ao chegarem a Londres pensaram ter encontrado o lar, e que estavam livres de confusões, mas quanto a isso eles estavam totalmente errados. Estava sempre correndo com medo que a polícia os pegue, além de sempre fugir dos amigos de Victor, o poderoso dono das ruas e ruelas londrinas. Quem quisesse andar a vontade por seus domínios devia pagar determinada taxa, porém o pouco dinheiro que os dois conseguiam mal dava para se alimentarem quanto mais pagar taxa alguma para um bandido imundo. Vincent não temia quanto a sua vida, tinha medo que os capangas do temido bandido fizessem algum mal a Haylor, e se isso realmente viesse a acontecer ele jamais se perdoaria por não ter conseguido defender sua pobre filha de um mal tão grande.

- O que foi minha menina? Você esta muito calada esta noite. Disse Vicent.

- Não é nada. Ela respondeu tristonha.

- Nada? Tem certeza?

- Eu estou cansada de tanto fugir de Victor.

- Nós precisamos Haylor você mais do que ninguém sabe do que ele é capaz.

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⏰ Última actualización: Aug 15, 2016 ⏰

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