Business Trip

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*Rita*

Com a minha habitual mania da pontualidade e o receio de imprevistos, cheguei ao aeroporto quarenta e cinco minutos antes da hora marcada. Não queria que nada falhasse. Estava na empresa há apenas uma semana quando me convidaram para uma reunião em Nova York, sede da multinacional que tinha acabado de me contratar para o lugar de destaque: secretária do diretor-geral. Esta era a primeira viagem em que o acompanhava e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para conhecer melhor os outros funcionários. Tudo gente de topo, a quem queria - e deveria - causar boa impressão.

Há três anos que tinha terminado o curso de Assistente de Direção, mas por mais que procurasse não me aparecia um emprego a meu gosto. Ainda não me tinha esquecido da desgraça que havia sido o último no qual tinha passado um mau bocado. A típica história da secretária que se envolve com o chefe foi o erro que me custou o emprego. Mas agora, mais velha e mais experiente, uma lição importante tinha aprendido: não me relacionar demasiado com os colegas de trabalho e manter a minha vida privada fora do alcance da bisbilhotice habitual das grandes empresas como era esta. Sentia-me pronta para vencer este novo desafio.

Estava bastante feliz por ter arranjado aquele emprego. Além do excelente salário e da grande reputação da multinacional farmacêutica , tinha-me agradado que o meu chefe fosse um sexagenário, educado e bem falante e, felizmente muito pouco atraente. Tudo o que pretendia agora era ter uma vida calma e uma presença discreta. Profissional, eficiente, mas discreta.

- Olá Rita, já por aqui? Que eficiência!

Tinha feito bem em chegar mais cedo. Ainda faltavam vinte minutos para as nove - a hora combinada - e já o doutor Mendes, o meu novo chefe, estava à minha frente, pronto para deixar a cidade. De facto, antes das nove já toda a comitiva se encontrava reunida em meu redor.

***

A viagem até Nova York correu sem percalços. Ao meu lado no avião, tive por companhia um jovem executivo da empresa, com quem fui trocando algumas palavras durante as muitas horas de voo. Era um alivio ter-me calhado alguém mais ou menos da minha idade, pensei.

Salvador tinha 33 anos, apenas mais dois do que eu. Apesar de já não ser nenhum miúdo, o seu olhar era tímido, os seus gestos afáveis e discretos. Um homem que passaria facilmente despercebido à maior parte das pessoas, mas não a mim, agradecida por aquela doce e tranquila companhia. Já em Nova York, e após termos sido divididos em dois grupos não ficamos debaixo do mesmo tecto.

Entrei num grandioso hotel na Sexta Avenida ao lado do meu chefe e de um grupo de funcionários da minha nova empresa. O tempo estava bonito: o céu claro e a temperatura amena conferiam à cidade uma luz e um brilho esplendorosos.

Eu adorava Nova York e sentia-me feliz por estar ali. Apesar do muito trabalho que se avizinhava, estava a contar que aquela fosse uma boa estadia naquela romântica cidade. E que romântica podia ser Nova York ...

New YorkWhere stories live. Discover now