- O amor transforma as pessoas em mentirosas.
Os instrumentos mortais - Cidade das cinzas.
(Cassandra Clare)
As minhas lágrimas escorrem pelos meus olhos junto com a água que cai do chuveiro e desliza pelo meu corpo.
Tento não demorar muito no banho, pois estou na casa de Isabela e seria grosseiro de minha parte ficar gastando tanta água, mas não tenho como sair. Estou muito triste com tudo que aconteceu e meu coração está despedaçado.
Minha irmã. Eu amo minha irmã. Eu fiz sexo com minha irmã e beijei meu irmão.
De repente, a raiva assume um corpo dentro de mim.
Sinto ódio de mim, ódio da minha vida, mas acima de tudo, ódio de meu pai.
Odeio Herald! Maldito vampiro! Por que tinha que ficar com minha mãe? Por que tinha que entrar na vida dela?
Por que, de muitos homens em Nova York, justo ele tinha que ser meu pai?
Ele é o responsável do meu sofrimento. Foi por causa dele que diz tudo isso, por que se ele não fosse meu pai, eu não teria cometido tudo isso! Não teria ido em frente com esse ato de incesto!
E aposto que é por causa dele também que Nina e Matthew também estão sofrendo.
Eu não fiz sexo com Matthew, mas sei que ele me ama. E tivemos uma química. Não podemos simplesmente enterrar isso. Não se pode simplesmente enterrar um sentimento tão grande como o amor, como se fosse algo insignificante, pois quando você se dá conta de si, você já está amando. Esse é um dos sentimentos mais perigosos que existem.
Maldito Herald, maldito vampiro!
Soco o azulejo da parede em minha frente, sentindo o doce gosto da dor.
Mordo meu lábio inferior de um modo tão forte que chega a sangrar.
Meus pensamentos vagam até o momento em que Cara me deixou aqui, na frente da casa de Izzy...
(O carro parou subitamente, com um frear de cantar pneus.
Fiquei apenas olhando para o lado de fora do carro, olhando a calçada que leva até a casa de Iz.
- Você está bem? - Cara perguntou.
- É óbvio que não - respondo com grosseria, mas logo suspiro. - É muito difícil ter que carregar todo esse fardo. Quer dizer... Saber que eu sou filho de Herald é uma coisa, pois eu já tinha me acostumado com isso. Mas... Agora saber que tenho irmãos piora tudo.
- Não deve ser fácil - Cara diz, tocando meu ombro, um sinal de carinho, que ela está disposta a me ajudar. Valorizo esse momento, pois sei que Cara não é o tipo de pessoa que esbanja amor e compreensão toda hora.
- Na verdade, até poderia ser - falo, brincando com um furo na minha calça desbotada. - Mas, não é tão fácil como deveria porque eu conhecia meus dois irmãos, transei com a menina e beijei o menino. Mas, o que é mais difícil, realmente é o fato de que eu amo minha irmã.
Cara suspira e se aconchega no banco.
- Olha, embora você não acredite, eu realmente sinto muito por tudo isso. Jamais queria que algo assim acontecesse. Sei que minha palavra pouco deve importar para você, mas sinceramente eu não sei como é se sentir assim, mas sei que deve ser horrível. Se eu pudesse fazer algo para reverter isso, acredite, eu faria. Ainda mais porquê não gosto de ver Matthew ou Nina sofrerem, e agora eles estão muito abalados, assim como você.
- Acredite - começo -, ninguém mais faria algo para reverter essa situação do que eu. Ainda mais, acredito em você, com relação à você sentir muito. Você, Cara, é osso duro de roer, mas posso sentir a sinceridade quando você fala. Prefiro muito mais que seja assim do que ser falsa. Eu iria te odiar. Odeio quando as pessoas são falsas.
- Eu sei - ela concorda. - Também não gosto quando as pessoas fingem ser quem não são.
Desprendo o cinto de segurança.
- Odeio tudo isso. Sinceramente, Cara, eu odeio essa bagunça em que minha vida se tornou. Odeio ter o sangue de Herald, odeio minha mãe estar em coma, odeio ambos os clãs. E agora, odeio ser irmão de Nina e Matthew, odeio esse terrível ato de incesto que eu cometi - falo tudo, jorrando as palavras para fora de minha boca. - Agora o clã das trevas não vai estar de olho apenas em mim, mas em Nina e Matthew também, porque se eles tem o sangue de Herald, eles também vão ter os dons que esse maldito homem teve!
- Igor, calma - Cara fala. - Isso foi descoberto apenas agora. E pelo nosso clã. Não tem como o clã das trevas saber disso, por isso vamos manter tudo isso sobre Matthew e Nina em segredo. Ninguém vai saber.
- Como tem tanta certeza? - pergunto, indignado. - O clã das trevas também não sabia da minha existência, mas agora sabe e quer me pegar, para fazer sei lá o quê e ter os poderes de meu pai. Eu não quero que o mesmo aconteça com Nina e Matthew. Não quero que eles tenham que se submeter a todo esse jogo do clã das trevas.
- E não vão, acredite - Cara fala e olha para frente, através do para-brisas. - Eu também não posso deixar isso acontecer. Não mesmo - ela olha de novo para mim. - Sabe, existe milhares de vampiros no clã das sombras, mas os únicos amigos que eu tenho são eles dois. Com Beatriz eu tenho um pouco de afinidade, mas não tenho muitos sentimentos por ela, relacionado à amizade. Não posso deixar isso acontecer. É meu dever proteger eles, nem que eu tenha que matar todos os vampiros do clã das trevas.
A expressão de Cara ficou fria, até mesmo com ódio. Vejo a vingança brilhar em seus olhos.
- Também não deixarei isso acontecer - falo à ela. - Mas acredite, não tenho esperanças de que eu vá sobreviver.
Ela me olha, os olhos verdes meio azuis agora com pena.
- Para falar a verdade, Igor, eu também não tenho esperanças de que você saia vivo dessa história - ela diz.
Eu deveria ficar bravo com ela, irritado, pois ela deveria me confortar, me falar que vai ficar tudo bem, que eu não vou morrer, nem eu e nem Nina e Matthew. Mas dou conta que é melhor assim, que não consigo ficar bravo com ela. Ela está sendo sincera, e isso é bem melhor que a falsidade.
- Escuta, eu não consigo entender como você foi se apaixonar por Matthew - falo. - Quer dizer... Vocês são amigos, mas eu não entendo como você conseguiu se apaixonar por ele, sabendo que ele é gay.
Ela me encara agora, com o rosto sem expressão. Não tinha ódio, tristeza, raiva, paixão... Nada. Apenas não tinha expressão nenhuma para eu tentar decifrar.
- Acho que é melhor você ir agora - ela diz.
Suspiro e abro a porta do carro.
- Tem razão - digo e saio do carro. - Tchau - digo, ao fechar a porta. Ela acena para mim, dando um tchau.
O carro de Cara começa a andar e sai da rua de Isabela. Caminho até a porta da casa de Iz e bato na porta; a frase que Cara disse ainda em minha mente:
"Para falar a verdade, Igor, eu também não tenho esperanças de que você saia vivo dessa história.")
Abro os olhos, cortando todo o pensamento que eu estava tendo. Suspiro pesadamente.
Pego uma toalha e começo a me secar, logo depois de ter desligado o chuveiro.
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Não Se Lembre De Nós
Novela JuvenilSegunda temporada de Não Confie Em Mim. ATENÇÃO: Você só entenderá essa obra se ler a antecessora dela. "Tudo piorou." "Tudo está ainda mais complicado" Agora com a notícia do parêntesco com Nina e Matthew, a vida de Igor realmente virou de cabeça p...
